sexta-feira, 22 de julho de 2022

Prós e Contras do remake de Pantanal: personagem Guta

 

Guta vivida por Luciene Adami e Júlia Dalavia

Guta foi uma espécie de "antagonista" feminina, porém logo abandonou esse perfil e seguiu seu próprio caminho.

Com uma história amorosa bem confusa, descobriu da pior forma que seu pai mantinha 2 esposas e tinha mais 3 filhos com a segunda. Se apaixona perdidamente pelo meio irmão e acaba se envolvendo com ele, para no final descobrir que na verdade Marcelo NÃO É um meio irmão.

O perfil da personagem sempre foi meio altivo e arrogante, e ela uma moça "de cidade". 
Cheia dos ideais, feminismo, enfim, ela precisava ser assim para mostrar ao "pessoal da fazenda" como as coisas funcionam fora do sertão pantaneiro.

A Guta atual não é diferente, a maior diferença na minha opinião é que a antiga Guta era um pouco mais educada, no sentido de ter educação mesmo, classe, usava sempre roupas boas, de uma jovem da idade dela, sabia ser educada.

A Guta de hoje vive em eternas férias de biquíni e saída de praia. Nem no casamento do Jove ela conseguiu ir de roupa um pouco melhor, até o Zé Lucas, com suas eternas regatas, colocou uma linda camisa, mas a garota da cidade, independente e toda cheia de marra, foi super mal vestida. Aliás essa parte da novela foi tosca, a Maria Bruaca sequer trocou o vestido do dia a dia, caramba, eles iam a um casamento, custava trocar de roupa???

Enfim, a de hoje parece mais detestável do que a antiga. 

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Prós e contras do remake de Pantanal: personagem Xeréu Trindade, o Cramulhão

 Xeréu Trindade, o Cramulhão, foi um personagem icônico dessa novela. 

Interpretado na primeira versão pelo violeiro Almir Sater e, no remake, pelo filho deste, Gabriel, Xeréu dizia ter um "trato" com o diabo: teria trocado sua alma para poder ser o melhor violeiro de todos. 

Na primeira versão Xeréu era calmo, tranquilo, e fazia suas previsões, por vezes totalmente furadas, como quando irma vai até o Rio de Janeiro buscar sua mãe (ele disse que ela nunca mais iria voltar) e que os irmãos iriam se matar pela Juma, algo que também não aconteceu.

Xeréu Trindade por Gabriel e Almir Sater
Mas o personagem também acertava de vez em quando e fez a nossa alegria durante boa parte da novela - Almir ele em determinado ponto da trama para gravar Ana raio e Zé Trovão. 

O Xeréu do remake é mais bravo, onde Almir ria e brincava, Gabriel é agressivo e sério. 

Porém ambos ficaram bem no papel, embora eu ache que Almir fazia uma cara mais parada durante as previsões, como se estivesse realmente vendo algo. Gabriel cerra os olhos e faz uma voz cavernosa e, de repente, volta ao normal. 

Ambas as interpretações são boas... Mas pro meu gosto pessoal, Almir ainda é O cramulhão. 

Prós e Contras do remake de Pantanal: personagem Filó

 

Filó vivida por Tânia Alves, Jussara Freire (abaixo), Letícia Salles e Dira Paes (acima)

Filó. A eterna apaixonada pelo Zé Leôncio, a ex prostituta que foi morar com ele, teve um filho e ficou por ali cuidando de tudo até que, ao ver seu casamento naufragar, Zé resolve ceder aos encantos da morena e passa a morar com ela maritalmente.

Na primeira trama, Filó é um acessório - importante - da vida do Zé. É ela quem está sempre ali do lado, embora seja convenientemente colocada de lado quando convém, como quando Irma aparece, ainda jovem, no pantanal. 
Percebe-se claramente que Zé mora com ela e sente um grande afeto por ela, mas não a ama. Inclusive tem várias conversas entre o Zé e Irma onde ele deixa isso claro. A "pobre Filó" merece consideração, sim, mas não amor. 
Mesmo sentindo tudo isso, Filó aceita e se mostra sempre presente na vida dele. 

A nova Filó é abusada onde a antiga era humilde e recatada. Letícia Salles é marrenta e agressiva, Tânia Alves era quieta e discreta. As roupas também mudaram, talvez pela época, não sei. Nos anos 60 e pouco quando se passa a primeira novela, Filó usava vestidos comportados, e no remake os vestidos se transformaram em shorts curtos e mini blusas. 

A caracterização ficou melhor no remake: Dira Paes até se parece um pouco com Letícia Salles. Tânia Alves - já na época uma grande estrela - tinha cabelos eternamente cacheados, e Jussara Freire, não, tem cabelos tão lisos quanto uma índia. 
Mas Jussara era tão Filó, tão engraçada, meiga ne boa, que a gente acaba esquecendo e passa pano. 

As roupas, novamente, mudaram: Filó Jussara usava os eternos vestidos de pano e Jussara Dira usa roupas alegres, coloridas, dignas de uma dona de casa. 

O Zé Leôncio atual também mostra ser mais apaixonado, ele até pede desculpas pelo deslize com a Irma - algo que não acontece na novela original. 

Ambas são as rainhas do lar: ninguém mexe na sua cozinha, porém Jussara Dira aceita chamar Irma pelo nome e aceita sua ajuda para as tarefas de casa, quando dá na louca da carioca em ajudar, oque não acontece sempre (as cenas de Irma tomando um "pau" do côco com a faca, passando cera vermelha no chão da cozinha ou ainda esfregando os lustres da casa foram dignas de pena).. 

Filó Jussara chama Irma de "Dona" a novela inteira praticamente, e nutre sua mágoa, seu ciúme por Irma até que ela finalmente se acerta com Xeréu. 

Filó Dira faz amizade com Irma, Filó Jussara trata Irma como uma hóspede a novela inteira, e Irma nunca fez questão de ajudar em nada, como condiz à dama que ela parece achar que é. 
O clima só melhora mesmo quando Irma deixa de suspirar e lançar olhares languidos para José Leôncio. 

No geral, a Filó atual se coloca melhor como dona da casa, mas a Filó antiga é bem mais simpática e "filó". 

sábado, 18 de junho de 2022

Prós e contras do remake de Pantanal: personagem Tadeu Aparecido

 Tadeu é um personagem redondo; é igual em ambas as versões, alegre, despojado, de boa índole, com um certo ciúme do Joventino. 

Na versão original, foi vivido pelo Marcos Palmeira, que hoje faz o papel de José Leôncio. 

Tadeu vivido por Marcos Palmeira e José Loreto
Tadeu é aquele rapaz sempre alegre, embora o atual seja um pouco mais atormentado, aliás como todo esse elenco. 

Até agora não teve mudanças na história; Tadeu é aquele filho ciumento que sente estar sendo preterido em favor do "legítimo". 



Prós e contras do remake de Pantanal: personagem Tenório

Tenório é o vilão da novela. 

Um vilão no mais puro conceito da palavra pois é cruel, desonesto e além de tudo bígamo. 

Foi ele que, ainda jovem, vendeu terras griladas no Sarandi para um grupo de posseiros, dos quais faziam parte Gil e Maria, iniciando aí toda a desgraça que se abateu sobre a família - que no entanto já vinha de outras invasões, haja visto que haviam perdido 2 filhos em confrontos com donos de terras.

Tenório interpretado por Antônio Petrin e Murilo Benício


Quando Tenório conta essa história para Zé Leôncio, diz que o dono das terras foi quem armou tudo e ele também havia sido enganado - e é algo que jamais saberemos, pois Gil matou os donos das terras do Sarandi. 

Num dia em que Guta pergunta ao pai como ele começou sua vida, o homem conta como perdeu seus pais, ambos bóias frias, num acidente de caminhão. Como desistiu daquela vida e foi, sozinho e sem um tostão, tentar a vida na cidade. 
Como conheceu Maria Bruaca e se casou com ela, e como fez de tudo para nunca mais passar fome novamente. Um homem que fez o que precisava ser feito para subir na vida, sem se importar em pisar em quantas cabeças fosse,

O Tenório da novela original, porém, tinha cara de vilão; o do remake é novo demais, apesar de já ter uma certa idade, para tal papel.
Murilo Benício foi a aposta da Globo para viver esse personagem tão complexo, que no entanto é bem diferente do anterior, sendo PIOR até do que o vilão da novela original, e olha que aquele era uma peste!

O Tenório antigo tenta fazer vários negócios com Zé Leôncio, desde comercializar uma pinga artesanal até uma fazenda de criação de jacarés, e - ainda bem - não se concretiza.

Daí Tenório tenta prejudicar Zé de outras formas e, no final, até tentativa de assassinato acontece, com a contratação de um pistoleiro.

Esse Tenório de agora é pior, pois tem ligações escusas com políticos corruptos, o CPF da outra esposa está bloqueado por investigação da receita federal e ele rouba o gado sem marca do Zé Leôncio, depois que viu que o namoro da Guta com o Tadeu não deu em nada. 

Acredito que coisas piores virão, aliás tenho certeza, pois o segundo filho do Tenório, Renato, é uma cópia fiel do pai: péssimo caráter.

Ainda teremos muita água rolando debaixo dessa ponte. Mas quando Tenório descobre que Guta e Marcelo estão envolvidos e que ela está grávida, a atuação de Petrin é visceral, profundo. O cara é um monstro da interpretação, algo que Murilo não conseguiu fazer de forma alguma. 
Da morte do filho ao descobrimento da gravidez de Guta, Benício aparentemente usa uma máscara de indiferença... 

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Prós e contras do remake de Pantanal: personagem Alcides

 Alcides é um dos personagens chave da novela, assim como Maria Bruaca.

Ele trabalha para Tenório, que trata o rapaz mal e aguça a revolta do peão. Tenta ainda usa-lo como "pistoleiro" como era o pai. 

Alcides vivido por Ângelo Antônio e Juliano Cazarré
No remake, o pistoleiro que vem de chalana com a Muda fala que ele era filho do jagunço que Chico, irmão da Juma, matou. 
Na trama original, Alcides é o filho desse jagunço, porém ele não é o mesmo homem que morre no entrevero com o Chico, e se apresenta à Juma num dia em que Guta vai atrás de Jove para conversarem, deixando ambos sozinhos.
Alcides garante que não veio atrás dela e sim, do homem que causou toda a desgraça nessas famílias. 

Ele se envolve com a esposa do patrão, a Maria, e num dia em que desconfia que Tenório descobriu tudo, foge para a fazenda de Zé Leôncio, onde recebe guarida.

Lá, conhece Zaqueu, o mordomo gay que vem com Mariana do Rio de Janeiro; Zaqueu quebra sua resistência, afinal ele é extremamente preconceituoso, e acaba sendo seu amigo.

No final, Alcides mata Tenório na ponta de uma zagaia com a ajuda de Zaqueu. 

O personagem foi vivido primeiro por Ângelo Antônio e agora por Juliano Cazarré, que acho que está bem no papel, PORÉM deveriam ter escondido as tatuagens do ator. 
Peão com tatuagem tribal no braço não combina, sério!

Maria Bruaca vivida por Ângela leal e Isabel Teixeira
Fora isso, Cazarré e enorme, forte, grande mesmo, enquanto Ângelo Antônio era pequeno. Como, COMO que o Tenório vai "capar" um homem daquele tamanho? Se é que vão manter essa cena!

No mais, embora ambos tenham ficado bem no papel, Cazarré é um ator melhor do que o então estreante Ângelo na época. Apesar das tatuagens tribais definitivamente não combinarem e o tamanho do ator fazer com que seus modos submissos fiquem meio forçados, o atual Alcides é bem melhor que o antigo, protagonizando falas hilárias com Maria Bruaca.

Maria Bruaca, aliás, é uma personagem de destaque na novela. Vivida por Ângela Leal na original e Isabel Teixeira no remake, ambas se destacam por mostrar como é ser vítima de um relacionamento abusivo.  

Tenório não bate em Maria por pouco - basta mostrar o desprezo que ele sente por ela no dia a dia. 

Frases como "vai se lavar" e "hoje você vai me servir" fazem com que Tenório seja visto como ainda PIOR do que ele é - se é que isso é possível, 

A descoberta da bigamia do vilão, aliada ao desprezo pela esposa faz com que tenhamos uma simpatia imediata pela personagem
A diferença entre elas é que Bruaca Ângela acaba ficando mais boca dura e fria, e a Bruaca Isabel faz uma voz mole como se tivesse em constante sofrimento. 

sexta-feira, 27 de maio de 2022

A Morte de Madeleine e as mudanças psicológicas dos personagens no remake de Pantanal

É até estranho abrir um tópico apenas para falar disso, mas é algo de imensa importância na novela, e eu nem sei se é algo consciente, de roteiro, ou algo imaginário da minha parte, mas a morte da personagem Madeleine na trama de Pantanal tornou-se fundamental para o bom andamento da novela.

Desde o início eu tenho notado uma imensa diferença na parte psicológica dos personagens, como eu comentei aqui. Aparentemente o diretor quis dar uma ênfase na trama, modificando a estrutura de alguns perfis para os dias de hoje.

Nota-se isso logo de cara, na primeira fase da novela, no Zé Leôncio. 
Onde Paulo Gorgulho era bem humorado, calmo e, mesmo sofrendo pelo sumiço do pai, alegre e brincalhão, Renato Góes foi atormentado e desinteressado. 

Mesmo em momentos de descontração, O Zé de Renato conseguia ser melancólico e o de Paulo, de bom humor. 
A mudança foi tão radical que se estendeu à segunda fase e temos então um Zé Leôncio bem diferente do antigo. Onde Cláudio Marzo era ponderado e calmo, mesmo quando se irritava, Marcos Palmeira é abrutalhado, grosseiro e mal humorado, mesmo no dia a dia. 
Isso foi inclusive notado por fãs que repararam e comentaram essa diferença em foruns de discussão, e a geração Z que assiste a novela pegou "ranço" do personagem, tão querido na novela anterior; hoje ele é chamado de "bad vibes".

Filó antes era bem humorada, ácida, vivia com a "mão na massa", fosse descascando um alho, arrumando uma cama, escolhendo feijão, estendendo roupa e, durante suas reinações, via tudo que se passava. De vestido simples, sem ares de rainha ou dona, Filó tinha um sorriso meigo e jeito sincero.

A Filó atual é também melancólica, se veste como uma patroa e, embora apareça na cozinha, nem sempre é cozinhando. Sim, claro que ela aparece cozinhando, afinal ela é a "dona da cozinha", mas a Filó antiga jamais se queixava de uma tarefa, e a Filó atual parece se ressentir pelo papel ao qual ela é relegada. 
Não sei se quiseram dar um tom mais pitoresco, mas outro dia ela apareceu batendo grãos num pilão, e eu achei exagerado até mesmo se fosse em 1990.
Obviamente tem as vantagens de atualmente, as modificações: a roupa, as regalias, eu entendo tudo isso. mas a personagem perdeu suas características principais que eram a rusticidade e a sinceridade que nos fazia gostar tanto dela, quando falava sozinha com seus botões. 

Todos mudaram, obviamente, mas as mudanças mais radicais foi nos personagens principais. Mariana que de uma boa pessoa, prática, porém sincera, tornou-se uma manipuladora interesseira e megera; Tadeu, jovial e imaturo, transformou-se num rapaz sem sal, embora a performance do ator seja ótima; Joventino era um animado garoto que gostava de zombar de tudo, transformou-se num chato, chorão e depressivo "garoto"!

E o que tudo isso tem a ver com a morte da Madeleine?

Bem, o problema é que todos gravitavam em volta dela: mãe, irmã, filho, ex marido, peguete, suposta nora. 
Ela reclamava que a irmã vivia através da sua vida, mas quem ia buscar o Joventino na escola quando ela simplesmente não aparecia? Irma. 
Quem informava ao pai como o garoto estava vivendo?  Irma. 

Ela indiretamente impedia que Zé visitasse ou tivesse qualquer informação do garoto. Poderia ter tomado MIL providências para que eles não perdessem o contato, o garoto poderia ter passado as férias na fazenda a cada 6 meses, mas Madeleine, ferida por Zé não querer saber mais dela, inventou que ele era órfão e assim ficou. 

Ela odiava TANTO o pai do seu filho que indiretamente passou esse ódio ao filho. Jove não conseguia ver o pai que tinha e Zé, com tanta mágoa e expectativa represadas no peito, não conseguiu deixar de lado algumas crenças. 
Como eles mesmos disseram, eles não eram o pai e filho que ambos esperavam. 
Por outro lado, sendo Jove "tão mais evoluído" por ser da "cidade grande", poderia ter tentado entender que, no interiorzão, não adianta tentar se fazer entender à força. Entrou num embate ridículo com o pai pecuarista e não tendo carta nas mãos para um bom jogo, acabou tendo que se render ao óbvio: sem o sustento do pai, ele não é nada.

Outra coisa que foi insinuada na novela, é que Madeleine deveria se separar de Zé - finalmente - e "cobrar o que lhe era de direito": ou seja, arrastá-lo à uma briga judicial pela divisão das fazendas, afinal eles se casaram nos anos 80 e na época era muito comum a comunhão total de bens. 

Madeleine, ao embarcar naquele avião com destino ao Pantanal, foi disposta a recuperar tudo que havia perdido: marido, filho e direitos. Ia passar como um trator em cima da Filó, que, como também dito, era apenas uma empregada com quem ele passava as noites. 

Na cabeça dela, já que ele não havia pedido o divórcio, Zé ainda sentiria algo por ela. 

A trama original não tinha a intenção de matar Madeleine, e eu realmente não sei qual seria o destino dela na novela, mas Ítala Nandi quis sair e então essa foi a - melhor - solução na época. E hoje também, tendo em vista que Madeleine era uma pessoa muito pior do que antes. 

E ao morrer, todos os laços que ela indireta e inconscientemente criou se desfizeram: o filho não precisa mais ter medo de amar o pai e com isso desagradar a mãe; não precisa mais falar que "o pai cheira bosta de vaca como minha mãe sempre disse", mas como disse sabiamente Gustavo: ela NUNCA esqueceu esse cheiro. Jove agora pode tentar se entender com o pai sem a sombra de desaprovação de sua mãe. 

Irma não precisa mais cobrir os buracos da falta de atenção de Madeleine, pode fazer o que quiser, pode ser sincera em amar quem quiser sem o peso da culpa, por amar o cunhado. 

Gustavo pode viver uma vida plena, sem esperar um ataque ou um retorno de Madeleine em sua vida e mexer em sua cabeça e seus sentimentos, como ela fez tantas e tantas vezes.

Zé Leôncio está livre da onipresença dela; ela, a mãe de seu filho que destruiu sua vida, que fez com que ele nunca pudesse se casar com a Filó ou se lembrar do passado sem a mácula da decepção. 

Filó está livre para ser o que sempre foi: mulher de Zé; pois antes ela era "a outra". Sempre foi "a outra". 

E Mariana, afinal, está livre de uma filha que nunca soube o que quis da vida, obrigando a mulher a tomar atitudes extremas para proteger a eterna criança mimada. Por culpa dela? Sim, ok, mas ainda assim, mimada e com uma vida sem sentido. Uma filha que jamais conseguiria caminhar sozinha, sem a mãe para ajudar. Uma filha que demandava enorme esforço para sobreviver ao caos psicológico que ela mesma se enfiava. 

Isso não fica tão claro na primeira novela, e como eu disse, talvez seja uma análise doida minha, mas eu tive essa percepção nos capítulos subsequentes da novela. 


Prós e contras do remake de pantanal: personagem Nalvinha/Nayara

 Se teve uma personagem (tanto na trama antiga quanto na atual) que "encheu linguiça" foi essa. A suposta namorada do Jove no Rio de Janeiro.

Vivida na primeira versão pela atriz Flávia Monteiro, era uma garotinha cheia de manhas, mentirosa, que inventa uma gravidez para se aproximar da família do rapaz, acaba em longas conversas com Gustavo e, no final, fica com ele. E assim, encerra-se a participação tanto dela, quanto do pobre escravoceta Gustavo.

Flávia Monteiro
 No remake da globolixo, Nalvinha está de roupa nova;   chama-se Nayara e é uma digital influencer, como sua   "sogra" Madeleine.
 Em um dos capítulos, em que Madeleine vai atrás dela,   por causa de uma invasão de contas no Facebook do   Jove, percebe-se a origem humilde, de quem mora numa   comunidade, as antigas favelas cariocas. 

 Nayara entra então numa roda viva com Madeleine, que   aparentemente é uma digital influencer já famosa, porém   com o tempo percebe o que todos já sabem: sua "sogra" é   uma narcisista que só pensa em si mesma. 

 Sua parte mais relevante será quando Juma a empurra   dentro da piscina da casa dos Novaes.
 
 Nayara é mais interessante e mais descolada que   Nalvinha, dada inclusive a época em que ambas as novelas se passam. 

Ela vai morar com Gustavo, praticamente se enfia na casa dele e o pobre homem não consegue se livrar dela e, claaaro, acaba ficando com ele, em ambas as versões. 

Nayara vivida por Victoria Rosseti - pós Madeleine

Nayara antes de Madeleine
 Nayara inspira pena onde Nalvinha inspirava raiva. 
 Percebe-se a pobreza em que a personagem vive, algo que não foi   mostrado na trama original, e aliás eu duvido que Nalvinha viesse de família pobre. 

Madeleine usa Nayara para alavancar seus vídeos, ganhando um tipo de patrocínio. Nayara é uma assistente dedicada, e trabalha duro para ajudar a sogra e conseguir também seu quinhão ao sol, nessa vidinha fútil que os influencers digitais vivem, fora da realidade. 

Quando, finalmente, a grana sorri, Madeleine, percebendo o desinteresse de Jove pela menina, trata de despachar a assistente sem demora, porém não de forma delicada ou sutil: simplesmente contrata uma equipe e faz pouco caso de Nayara, que percebendo que foi descartada, corre para a casa de Gustavo, para chorar as mágoas e tentar entender o que ela fez de errado.

Aliás, ela tem muitos "sentimentos controversos" a respeito dela mesma e Jove: a velha história que ela amou e ele também, mas ele mesmo nunca disse com palavras, apenas  "dava sinais".

Nayara sente-se tão confusa que enreda numa autocomiseração, que a leva até a casa de Gustavo e se envolve com ele, mesmo meio contra a vontade.

A cena final de ambos, espero, pois fechou o arco muito bem, foi Gustavo indo viajar pelo Brasil de moto e chamando Nayara pra ir com ele, encerrando, assim, o núcleo carioca,

Ficou muito bom, muito mesmo, melhor que a original, pois na versão de 1990, Gustavo é obrigado pelo pai de Nalvinha a se casar com ela, e passa a ser um "pai" ciumento e chato, que abandona a psicanálise e quer se isolar no Amazonas com a esposa por puro ciúme. 

terça-feira, 24 de maio de 2022

Prós e contras do remake de pantanal: personagens, Irma e Madeleine

Irma e Madeleine são as irmãs cariocas que se encantam com a rusticidade e beleza do peão José Leôncio da novela pantanal.

Madeleine vivida por Ingra Liberato, Ítala Nandi, Bruna Linzmeyer e Karine Teles

Criatura insuportável em todas as épocas e fases, Madeleine do remake consegue ser 10 vezes PIOR que a original. Sim, pois a primeira Madeleine era uma garota da alta sociedade carioca dos anos 60, que não encontrava um homem que a fizesse "perder a cabeça". Ela tinha o costume de corrigir os erros de fala do Zé, como a concordância verbal, porém não era uma criatura egoísta que só pensava em si mesma e brigava com todos. 

A Madeleine do remake é hedonista, egoísta, mimada, infantil e acha que o mundo deve girar ao seu redor. A cena em que José Leôncio vai até o RJ para informar o sumiço de Joventino, e Madeleine acha que ele veio conversar "sobre ela" e quer sair da presença dele, mostra bastante esse lado. A maneira como ela trata o escravoceta Gustavo também deixa claro esse lado dela.

A Madeleine de Ingra, ainda que fosse carioca porém puxasse forte no sotaque baiano, era meiga, escrevia cartas onde falava de seu amor e suas experiências no pantanal. Você sente a ternura entre o casal, os atores representaram muito bem as demonstrações de amor. Apesar de serem literalmente 2 estranhos e o sentimento fosse crescendo com o passar do tempo, você sente que existiu carinho, e não capricho. Porém era uma madame, que ficava passando baton enquanto Filó escolhe arroz e tem medo de tudo. 

Bruna e Karine fizeram uma Madeleine grosseira, estúpida nas demonstrações de carinho. Ela sentia tesão pelo Zé e isso a levou a confundir o sentimento com amor. 
Na segunda fase, Madeleine se torna uma Digital Influencer, e mostra através da internet uma vida hipócrita e vazia. Jantares e vinhos dos quais ela mal participa, apenas posta em suas redes para seus seguidores verem a "vida" que ela tem. 

Na primeira versão a atriz Ítala Nandi precisa sair da novela então ela é "morta" em um acidente de avião, mas essa nunca foi a intenção original da trama. Muitas teorias foram soltas durante o remake, mas finalmente Madeleine segue seu destino: o avião sai da rota e cai no Rio São Lourenço; ela e o  piloto escapam de dentro da aeronave mas, feridos, ambos provavelmente são comidos por piranhas e não tem seus corpos encontrados. Sua última aparição foi no sonho que Zé tem com ela, pedindo ajuda. O homem então parte para Cuiabá, perto de onde caiu o avião, para encomendar uma semana de missas pela alma da falecida esposa.

Se antes, Madeleine era uma chata, hoje, sendo insuportável porém digital influencer, ela conquistou vários fãs entre a também intragável geração Z, que se veem refletidos na vida falsa da personagem.


Irma vivida por Carolina Ferraz, Elaine Cristina, Malu Rodrigues e Camila Morgado

Irma, a irmã doce, meiga, tranquila e sensata de Madeleine, está um pouco mais - na minha opinião - venenosa e vazia no remake.
Apesar de ter uma vida pacata dentro de casa, saindo pouco, Irma não vivia a vida através das experiências da irmã. Ela tinha uma vida social, pequena, mas tinha. Ocupações e hobbies. No remake, sua vida gira em torno da vida de Madeleine. 

OK, que nas duas versões, a tia é a grande "facilitadora" das travessuras do Joventino: asa delta, karatê, inclusive participando de um campeonato depois de adulto (ou seja, ele terminou alguma coisa), e percebe-se que a tensão entre elas cresceu conforme Jove prefere a tia. Aquela amizade não existe mais entre ambas. 

Quando Irma vai visitar Zé Leôncio no Pantanal e se entrega a ele, as cenas são muito meigas, e ela em si também. Carolina Ferraz fez um trabalho magnífico interpretando a doce e meiga moça, que, no entanto, passa por cima da Filó e vai dormir com o Zé na cama dele - e então é quando a Filó percebe que eles dormiram juntos, pois a cama está arrumada. 

Em ambas as versões você percebe que a admiração dela é mais forte do que ela demonstra, mas na trama de 1990 ela não é tão direta quanto em 2022. 
Quando Irma vai ao pantanal, no remake, ela provoca Filó e bate de frente com a moça, que inclusive é bem mais agressiva e menos servil que na versão antiga - mas eu falo sobre isso em outro tópico.

terça-feira, 17 de maio de 2022

Prós e contras do remake de Pantanal: personagens Quim e Tião

Meus Sais de Banho!!! Eu nem ia falar dessa dupla aqui, pois participaram por bem pouco tempo da novela. Praticamente só na primeira fase. Na segunda fase nem apareceram, só em suaves lembranças.

Mas a globosta no capítulo de ontem (16/05) fez uma bela homenagem aos 2 personagens, então eu acabei resolvendo colocar aqui.

Tião vivido por Marcos Caruso e Fábio Neppo
Quim e Tião eram os dois peões atrapalhados e folgados que viviam na fazenda do pantanal e que depois foram tomar conta da fazenda de MG.
Daqueles tipos de amigos inseparáveis, que vivem e morrem juntos.

Foi o que aconteceu na primeira versão: ambos estavam aposentados, mas foram mexer num trator, sofreram um acidente e morreram juntos. A notícia chega pelo rádio, todos lamentam, algumas imagens são mostradas em lembranças, e essa ponta solta se fecha.

Quim vivido por Ewerton de Castro e Chico Teixeira
No remake, Quim e Tião cumpriram o mesmo papel: peões da comitiva do Joventino, depois do Zé Leôncio e, por fim, administradores de uma fazenda de gado leiteiro em MG.

A diferença ficou que colocaram um violeiro no papel do Quim, filho do Renato Teixeira, e quem morre num acidente de trator é só o Tião, deixando o amigo desconsolado, tocando sua última moda de viola, pra morrer de tristeza horas depois.

A fazenda do pantanal recebe a notícia do falecimento do Tião e, no auge da tristeza, Zé está pensando numa maneira de trazer Quim embora com ele, para que o velhote não fique sozinho; Quim então aparece, idoso, numa última música de despedida, repetida ao mesmo tempo por Trindade na roda de viola e então chega a segunda notícia: Quim se vai, acompanhando seu amigo de toda uma vida. 

Foi uma adaptação muito bonita. Quim foi representado, em seus últimos instantes, por Renato Teixeira, pai de Chico. 
Nem preciso dizer que eu chorei né?


Renato Teixeira interpretando Quim na segunda fase

De todos os grandes filmes que Sam Neill fez, eu me recordo do eterno professor Grant de Jurassic Park e Richard Martin, "pai" do ...