terça-feira, 27 de outubro de 2026

 Lula venceu as eleições de forma misteriosa novamente. Urnas em que só aparece seu nome em 100% dos votos. 

Mortos, ausentes e acamados votando.

Seis minutos depois de sua vitória, Alexandre de Moraes mandou prender o passaporte de Flávio Bolsonaro. 
Flávio, em uma operação de extração como a de Maria Corina Machado, pirulitou-se para os EUA.

Erika Hilton e Duda Salabert encaminharam ofícios para bloquear contas e bens de Flávio. 

O caso repercutiu nos EUA, entre os americanos. Trump está fazendo comícios, usando o Brasil como exemplo. E agora os americanos acham que somos comandados por mulheres trans comunistas e estão com medo de sofrerem o mesmo. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Felca

    O Youtuber e influenciador digital Felca (Felipe Bressanim) iniciou sua carreira na internet em 2012 com vídeos sobre games e reacts, lives de NPC’s no TIK TOK e demais mídias; era razoavelmente conhecido, porém teve grande destaque no último ano por 2 vídeos polêmicos e mais alguns episódios pessoais que repercutiram negativamente em sua ascensão.
    Sua ex namorada Roh Silva expôs publicamente seu namoro com o influencer e tudo que sofreu em suas mãos – e na de sua família. Enquanto morava com ele, passou por uma grave crise de desgaste psicológico e foi colocada na rua pelos pais de Felca, enquanto ele viajava para gravar conteúdo para seu canal, sem nenhuma empatia por seu estado. 
    Ela declarou ainda que o influenciador praticava jogos psicológicos, mentia e mantinha um personagem, diferente do que mostrava nas câmeras. 
Heloísa Borsari, outra ex de Felca, fez um desabafo em redes sociais, contando que o influenciador era infiel, abusivo, tóxico e manipulador, ao longo do relacionamento. Os fãs de Felca atacaram a moça, mesmo o influencer tendo admitido seu comportamento agressivo e rude. 
    Seu vídeo sobre adultização e exploração infantil em agosto de 2025 gerou grande repercussão nas redes sociais e gerou a lei n° 15.211/2025 (ECA digital), fazendo também que ele fosse contratado pela Rede Globo.
Com tudo isso, Felca tornou-se uma das personalidades mais influentes do Brasil. E mesmo ele nunca tendo se posicionado politicamente para nenhum lado, suas falas e sua postura o fizeram ser “adotado” pela esquerda brasileira.
Suas falas xenofóbicas sobre os sulistas (Felca é do Paraná, portanto ele destaca que tem “lugar de fala”) o colocou em uma posição de destaque entre os esquerdistas, que tratam os sulistas como “fascistas” e “nazistas”. No entanto, o rapaz nunca se admitiu de direita ou esquerda, e ainda possui seu título de eleitor cancelado, estando impedido de votar em 2026. 
    Em 20 de outubro de 2026 – dia mundial contra o bullying – Felca soltou um vídeo sobre bullying e fobia social. Ele faz um relato pessoal profundo sobre os graves episódios que sofreu na infância, o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social e o uso de álcool para enfrentar eventos públicos. 
    No entanto, a mesma esquerda que o adotou, esperava um posicionamento político, um vídeo que “destruísse” o candidato da direita, pois era véspera de uma acirrada eleição presidencial. Felca havia anunciado um vídeo bombástico (“eu me escondi por tempo demais”) para dia 20 e quando o vídeo chegou, era um problema pessoal. Isso decepcionou os fãs, a ponto de eles ofenderem e agredirem o rapaz. 
    Dentre as mensagens, várias incentivaram o suicídio (“se mata”), desprezando o fato de Felca ter compartilhado que já havia tentado se matar na adolescência. Outras o chamaram de “farsa” e “biscoitagem”, acusando o rapaz de usar seus problemas como estratégia de marketing para promover seus projetos. 
Felca passou de “herói das denuncias” para alvo de difamação em poucas horas. Várias acusações sobre o vídeo ser uma “cortina de fumaça”, e que ele seria um “covarde frouxo”, por se esconder atrás de um laudo médico para um não posicionamento político. 
    Frases como “você é um desserviço” ecoaram fortemente, com muitos “deslikes” e “unfollow”. Outros influenciadores, como Felipe Neto, publicaram críticas veladas de forma agressiva, indiretamente. Isso aumentou o linchamento virtual. 
    No entanto, em nenhum momento Felca disse que se importava com política ou anunciou que o vídeo traria uma “bomba” sobre um candidato. Essa foi uma expectativa criada pelos esquerdistas que, como sempre, esperam que alguém faça algo por eles. Alguém que assuma suas responsabilidades e valide suas opções e argumentos. 
    Felca precisava desabafar, e desabafou exatamente no dia exato para isso: o dia mundial do combate ao Bullying. Se ele foi aproveitador ou manipulador, se ele criou um personagem e se aproveitou do momento, são opiniões pessoais que não tem relevância no contexto, apenas expressam opiniões. 
    Quem criou expectativa e se frustrou foram os fãs – pessoas que idolatram alguém, que colocam alguém em um pedestal – e não receberam o que queriam.         Infelizmente essa geração não sabe se frustrar, é a geração do imediatismo: quero e quero AGORA, e ao não receber um pseudo apoio que jamais foi dito que viria – só em suas cabeças – se frustraram, e desejaram a morte do pobre rapaz, que só queria isso mesmo – desabafar.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

 Resultados do primeiro turno das eleições de 2026

Flávio Bolsonaro 47,03%
PL 
56.104.503 votos

Lula 45,16%
PT
53.879.538 votos

A grande sensação da contagem honestíssima de votos foram as "paradas de aproximadamente 1H, quando então, "magicamente", Lula subia e se aproximava de Flavio, pois a diferença estava gritante.

Todos os portais desmentiram uma fraude (kkkkkkkk, OBVIO NÉ) e disseram que essa demoras deveu-se a falhas técnicas na apuração (engraçado que só tinha falha técnica na contagem de votos para presidente, a apuração para governador, senador e deputados continuou).

Entretanto, várias pessoas se lembram dessas MESMAS FALHAS na eleição da Dilma e, posteriormente, do Haddad e do Lula. 
Mesmo modus operandi: apuração para 1 hora, quando volta, o candidato do PT se aproxima (e vence) o oponente. Só não conseguiram na eleição Haddad x Bolsonaro pq foi MUITO VOTO, não teve jeito. 

Todo mundo com medo do Lula fazer essa graça e ainda levar a eleição na marra.

Ninguém mais suporta ele.

A parte engraçada é que os mesmos argumentos ridículos estão circulando, porém AUMENTADOS.
Criou-se então o "Bolsonaro hipotético" que vai aparecer andando nas ruas do Brasil montado em um Velociraptor, com uma pistola laser, desintegrando os LGBT e obrigando as mulheres a usarem burca. 

Jovens adoradores do Hamas estão com medo das mulheres perderem direito ao voto e serem obrigadas a ficar em casa, como na série "O Conto da Aia".
Recebedores de Bolsa família choram em posição fetal, com medo de perderem seus benefícios. Gritam aos 4 ventos que os aposentados precisarão voltar a trabalhar, ignorando solenemente que muitos aposentados já trabalham. 
"Lula tirou a gente do mapa da fome", diz a herdeira do alto de sua cobertura do Itaim, ou do Higienópolis, fingindo que as filas de distribuição do osso e da cabeça de peixe são filmes de IA.




Flávio já disse que é tudo mentira, algo tão óbvio que nem precisaria ser dito em qualquer país minimamente sério, mas pro brasileiro de QI 83, precisa explicar direitinho.
Aliás são tão burros - e mal intencionados - que criam fakes justamente para criar pânico nos semi analfabetos desse país. 

Inclusive tudo, exatamente TUDO que foi proibido ao Jair Bolsonaro em 2022, está sendo permitido ao Lula agora: lives de dentro do palácio, retirar taxas, aumentar Bolsa família, publicar fake news, abaixar a gasolina. NADA esta sendo punido ou proibido (para o Lula).

O preço de tudo está nas nuvens. Os gastos públicos estão em bilhões, bilhões. Nosso PIB está alto, claro, pois os gastos do governo entram na conta. 
E os anencéfalos dos petistas falam que isso é "vantagi", que o país está "voando".

Depois do primeiro turno, Lula colocou uma menina para gerenciar sua campanha digital. Ana Elisa, 21 anos, eleita deputada federal com 500 mil e tantos votos. O problema é que ela é extremamente racista (e é negra), preconceituosa e seus tuítes antigos foram resgatados e postados. Ela apagou a conta e disse que está recebendo ameaças de morte (aiaiai, quanto chororô) mas o print é eterno. 
Dentre as pérolas estão tuítes sobre o fechamento de igrejas, kit gay para a população, incitação de ódio à empresários, apostadora de bets, incitação ao ódio à bolsonaristas, incitação ao ódio à cristãos, super favorável ao aborto em qualquer idade do feto, enfim, uma pérola, essa menina.

Ela, e mais uma declaração do Vorcaro falando que pagou propina ao Lula, meio que desestabilizaram a campanha de reeleição do ladrão. Fora as fake news, que tá todo mundo de boca aberta com o exagero.


Outra fake, que Bolsonaro (e aí a gente não distingue mais se estão falando do Flávio ou do pai, pois "Bolsonaro" tornou-se uma entidade maléfica pra eles) queria tirar o título de padroeira do Brasil, sendo que foi o PT que tirou da página do GOV.BR o edital da consagração, que o presidente Jair B tinha feito. 

Inclusive aqui vai um fato curioso: Lula não consegue eleger mais ninguém. Haddad mostrou-se um fraco (falou cada bobagem nos debates pra governador de SP que ficou até feio, Tarcísio jantou o cara no primeiro turno, nem vão pro segundo). 
Tentou eleger Boulos, nada. Só conseguiu eleger a Dilma (com dificuldade) provavelmente pq matou um dos candidatos que estava muito bem cotado e burlou as urnas. 

Jair Messias Bolsonaro, por sua vez, elegeu no Senado, Michelle Bolsonaro, mais votada no Distrito Federal, com 29,1% dos votos válidos, e Carlos Bolsonaro com a segunda vaga de Santa Catarina, com 25,4%.

Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, se elegeu deputado federal por São Paulo com 379,3 mil votos e o filho do ex-presidente, Jair Renan, que concorreu com o nome de urna Jair Bolsonaro, foi eleito deputado federal por Santa Catarina com 131,6 mil votos.
Sem falar no Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, terminou em primeiro lugar na corrida presidencial, com 47,0% dos votos válidos e vai pra segundo turno. 
Eduardo continua foragido nos EUA, e Moraes deu ordem de prisão à ele, 4 anos e 2 meses, por causa do "golpe" do 8/1. 
Eduardo, que está nos EUA com passaporte italiano, mandou Moraes pra pqp.

Fora a família Bolsonaro, temos ainda Nikolas - nosso futuro presidente - Pavanato e Eduarda Campopiano, eleitos com grande número de votos (batendo records).

Após as Eleições de 2026, o Congresso Nacional do Brasil passará por uma reconfiguração a partir de fevereiro de 2027, marcada pelo fortalecimento expressivo do Partido Liberal (PL) e da direita.

Câmara dos Deputados (513 cadeiras)

As maiores bancadas na Câmara ficarão distribuídas da seguinte forma:
• PL: 121 deputados (crescimento expressivo em relação aos 99 de 2022)
• Federação PT/PCdoB/PV: 88 deputados
• União Brasil: 46 deputados (queda em relação ao mandato anterior)
• PSD: 43 deputados
• PP: 41 deputados
• Republicanos: 41 deputados
• Novo: 10 deputados (crescimento)

Senado Federal (81 cadeiras)

Considerando os senadores eleitos e os que continuam no cargo até 2031:
• PL: 28 senadores
• Federação PT/PCdoB/PV: 9 senadores
• Bloco de direita e centro-direita (PL e Novo): 31 senadores no total
• Bloco de centro (PSD, MDB, PP, Republicanos, União Brasil): 17 senadores
• Bloco de esquerda (PT, PSB, PDT, Rede): 16 senadores

Panorama Geral por Espectro

• Direita: Ampliou a maioria, reunindo cerca de 278 deputados e 50 senadores.
• Centro / Centrão: Perdeu espaço em algumas frentes, mas mantém papel decisivo na articulação das votações.
• Centro-esquerda / Esquerda: Ficou com o menor bloco proporcional na Câmara (cerca de 124 cadeiras).

Lindo né?

Isso tem grande repercussão nacional, pois poderemos, finalmente, impichar os ministros intocáveis do STF. 

Caso Lula vença as eleições na mão grande - o que nunca é de se duvidar - ele terá enormes obstáculos para governar, assim como Jair B teve em seus 4 anos de cadeira presidencial.

E é isso, senhoras e senhores, estamos aguardando o segundo turno ansiosamente enquanto assistimos nessa que está sendo a mais suja campanha política desde que o Brasil voltou a eleger seus presidentes. 

Ah, e como prometido, com vocês, as pérolas do Bolsonaro Hipotético (imagens retiradas da página https://bolsonarohipotetico.com/ e vídeos recebidos via watts)













sexta-feira, 2 de outubro de 2026

 Domingo, dia 4, tem eleições para Presidente.

Flávio Bolsonaro (o remédio amargo que ninguém gosta) e Lula (maldito) são os que vão para o segundo turno.

Se as eleições de 2022 foram sujas, dessa vez tá PIOR, se é que é possível.

Até a Rede Globo ficou frustrada e cancelou o debate, o último debate.

Lularápio disse que não ia, mas foi no Podcast Flow e queria, dali, ficar "participando" sem interferência externa, sem tempo de resposta, livre e leve.

Daí a Rede Globo cancelou o debate presidencial devido a uma situação de "insegurança jurídica" provocada por decisões judiciais de última hora que alteraram profundamente o formato, as regras e a dinâmica do evento que haviam sido previamente combinadas com as campanhas.

O cancelamento ocorreu em 1º de outubro de 2026, três dias antes do primeiro turno das eleições. Três fatores principais motivaram a decisão da emissora:

• Proibição do púlpito vazio de Lula: O presidente Lula (PT) já havia decidido não comparecer ao debate. A regra acordada inicialmente previa que um púlpito com o nome dele ficaria exposto e vazio na transmissão. No entanto, uma decisão liminar da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido do PT e proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio e de formular perguntas direcionadas a ele.

• Inclusão forçada de novos candidatos: O formato original do debate incluía quatro candidatos. Dias antes, uma decisão do presidente do TSE, Nunes Marques, garantiu a participação de Romeu Zema (Novo). Pouco antes do início do programa, uma nova decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou a inclusão de Renan Santos (Missão) no evento.

• Desistência de Flávio Bolsonaro: Na esteira das interferências judiciais, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) anunciou em cima da hora que não iria participar do debate, alegando "censura imposta ao evento pelo TSE".

Diante de decisões judiciais simultâneas e contraditórias que atropelaram o regulamento e mudaram o número de participantes minutos antes de ir ao ar, a TV Globo manifestou discordância pública com a interferência externa nas regras e optou por cancelar a transmissão por completo.

Vivi para ter que concordar com a Globo... 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

De todos os grandes filmes que Sam Neill fez, eu me recordo do eterno professor Grant de Jurassic Park e Richard Martin, "pai" do Andrew de O Homem Bicentenário. 

Claro que ele fez filmes incríveis como Caçada ao Outubro Vermelho, O Piano (trilha sonora fantástica) e recentemente uma ponta em Peaky Blinders, e muitos outros, mas eu me recordo principalmente desses. 

Ator incrível, faz parte do "trio" que eu adoro: ele, Bill Paxton (falecido em 2017) e Dennis Quaid. 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Os livros de ontem e de hoje - parte IV

Parte III 

Estamos em 2026.

Ontem eu reassisti “o Homem Bicentenário” de 1999. O Robô Andrew chega à casa dos Martin em 2005 e é desligado 200 anos depois. Ao longo do filme, vemos como o script imagina que estará o futuro: com androides, carros voadores e roupas feias. 

Nada poderia estar mais longe da verdade. Nosso futuro parece mais com as ruas escuras e sujas de Blade Runner (que teoricamente se passa em 2019), porém sem a tecnologia futurista. 

Aliás, nosso futuro está bem mais próximo de Interestelar, com governos negando fatos e criando narrativas fantasiosas para encobrir verdades desconfortáveis. 

A educação e a cultura ficaram em segundo – quiçá terceiro – plano na vida humana. Os problemas agora não são “saber ler, estudar, ter uma profissão, formar família”, são “direitos de minorias” com falácias cansativas sobre uma pseudo igualdade e representatividade em tudo: livros, filmes, séries, teatro. A mudança de etnia e sexualidade de personagens clássicos ou queridos fez com que tudo esteja extremamente cansativo de assistir – e esse problema chegou aos livros. 

A literatura de banca – que não é mais de banca – vem hoje em forma de aplicativos de smartphones, e ou você paga, ou assiste propagandas e vai liberando capítulos.

Como o modelo funciona por venda de capítulos (usando moedas virtuais), um livro longo de 500 capítulos pode acabar custando de R$100,00 a mais de R$300,00 para ser lido por completo. Isso acaba tornando a leitura em app muito mais cara do que comprar um livro físico ou assinar serviços como o Kindle Unlimited. Sabe aquela frase, "todo dia um esperto e um trouxa saem de casa..."? Pois é... 

O uso de bônus diários, roletas e missões para ganhar moedas de centavo em centavo é criticado por usar táticas de gamificação psicológica para viciar o leitor e induzi-lo a gastar por impulso. Quando fomos para o Paraguai ano passado eu estava começando a ler nesses apps e passava horas assistindo propagandas, a noite, para liberar capítulos. Não podia perder os bônus diários!
O problema é que são histórias escritas por essa geração Z insuportável, sem experiência de vida, sem noção de profissões, sem valores e sem saber escrever! Não tem sequer pesquisa, e se tem, é mínima. A protagonista começa fraca, rejeitada ou pisoteada e descobre um poder oculto avassalador, ou descobre-se que ela deixou de lado uma faculdade e sua genialidade pelo casamento; histórias onde a protagonista é forçada a ficar com algum homem por motivos financeiros ou negociações familiares. E tem ainda as que a protagonista salva o companheiro mas ninguém viu, e outra toma o mérito dela. 
Fora a repetição, eu comecei a ler pelo menos 2 romances idênticos, só mudaram os nomes e a espécie (um era de humanos, outro de lobisomens). O algoritmo pune a originalidade. Se histórias de "alfa que rejeita a luna grávida" estão dando dinheiro, o app força todas as autoras a escreverem exatamente a mesma fórmula, soterrando a diversidade literária.
Inclusive, um segmento muito lido e que faz muito sucesso são as histórias de lobisomens.

Abre parênteses:

Até meados dos anos 2000, lobisomens na cultura pop eram monstros de terror (como em Anjos da Noite ou O Lobisomem).
Crepúsculo (o livro em 2005 e os filmes a partir de 2008) mudou tudo ao focar no Jacob Black. O universo de Stephenie Meyer introduziu para o grande público infanto-juvenil a ideia de lobisomens que andavam sem camisa, tinham calor corporal extremo, viviam com alcatéias enormes que moravam em colônias, comunicando-se por telepatia e tinham o conceito de "imprinting" (o precursor direto do conceito de "fated mates" ou parceiros predestinados).

Logo em seguida, a série The Vampire Diaries (2009) e seu spin-off The Originals popularizaram ainda mais os lobisomens agressivos, os alfas e a política de matilhas no formato de drama jovem.

Se Crepúsculo plantou a semente, foi a comunidade de fanfics e histórias originais do Wattpad (entre 2011 e 2016) que transformou isso no subgênero exato que a gente lê hoje nos aplicativos.

Escritoras amadoras começaram a misturar os lobisomens de Crepúsculo com romances eróticos/bDSM (fortemente influenciados por Cinquenta Tons de Cinza, que ironicamente nasceu como uma fanfic de Crepúsculo). Foi nesse caldeirão que os clichês se consolidaram:

A Deusa da Lua (Moon Goddess) é a divindade máxima criada por essas autoras de internet. Como precisavam de uma justificativa mágica para unir casais improváveis (geralmente um alfa abusivo/poderoso e uma mocinha indefesa/rejeitada), criaram a figura da Deusa da Lua como a entidade espiritual que "escreve o destino" e escolhe a alma gêmea de cada lobo.

A hierarquia rígida (alfa, beta, ômega e luna) foram padronizadas no Wattpad: existe um líder, que é o alfa, sua esposa se torna a luna (a rainha da matilha), os betas são os segundo em comando, os membros mais fracos ou funcionários são os ômegas.

Um dos subterfúgios dessa mitologia é a rejeição dos parceiros destinados (rejected mates). São as histórias onde o alfa rejeita sua parceira predestinada por ela ser fraca, e depois passa o resto do livro rastejando pelo perdão dela. São uma fórmula de sucesso estrondoso na plataforma.

Fecha parênteses.

E até aí ok, tá tudo certo. Mitos criam-se todos os dias. Crepúsculo não fez com que vampiros bebam sangue de animais e brilhem ao sol? Pois então, por que lobisomens não podem viver entre a sociedade? Tá tudo certo. Eu sou aberta a aceitar esse tipo de mudança, embora prefira os velhos hábitos das criaturas místicas. E eu entendo o delírio coletivo adolescente pelos protagonistas dessas séries, eu mesma adorei The Originals. 

O problema é ter que adivinhar toda essa mitologia. Eu tive que ler vários livros (de todos que eu comecei, só terminei 1) para descobrir isso que eu escrevi aí em cima, que aliás eu pedi pro meu secretário (Gemini, a IA do google) pesquisar e entregar na minha mesa, pois na época que eu lia fanfics, eram outros temas (as melhores fanfics que eu li foram de Cassandra Clare, que infelizmente foram tiradas do ar quando ela iniciou sua carreira de escritora)...

E também são histórias sem pé nem cabeça... Pois no vínculo de casal, quando um dos parceiros trai, o outro sente uma dor excruciante, e quando rejeita também. E eu entendo que faz parte dessa mitologia criada. 
Mas você tá lá, vendo a protagonista sofrendo e NADA dela tomar a vida dela nas próprias mãos, rejeitar o cara e sumir.

A esmagadora maioria dos enredos de lobisomem ou máfia envolve CEOs ou alfas que sequestram, humilham, agridem verbalmente ou trancam a protagonista. A narrativa quase sempre justifica esse comportamento como "instinto possessivo" ou "amor profundo", ensinando um público frequentemente jovem que a toxicidade é um sinal de romance. E os exageros, Meu Deus, tem coisa ali que ser humano nenhum faz, eu vou dedicar uma postagem só pra narrar alguns desses romances!
Diferente do conteúdo dos kindles, onde você compra um e-book ou assina e acessa o conteúdo gratuito, os apps de leitura tem histórias próprias de escritores desconhecidos, que usam nicks ao invés de nomes, ou então traduzem contos de outro idioma, sem uma adaptação correta (a maioria traduz de histórias chinesas). 
A falta de revisão é um problema enorme. Textos com erros graves de gramática, furos de roteiro gritantes e inconsistências de personagens são comuns, já que não passam por um editor antes da publicação. Uma das histórias dá uma primeira descrição da protagonista sendo loira e depois, fala dos cabelos pretos dela. Num primeiro momento eu achei que tinha entendido errado, mas esses apps permitem comentários nos capítulos e ao entrar para ler, as leitoras estavam reclamando da mesma coisa. 
Por volta de 2018 e 2019, empresas de tecnologia (muitas delas baseadas na Ásia, como a STARY, dona do Dreame) perceberam que o público do Wattpad consumia obsessivamente essas histórias, mas o Wattpad era majoritariamente gratuito.

Essas empresas criaram aplicativos com o modelo de micro-transações (pagamento por capítulo através de moedas virtuais). Elas começaram a minerar o Wattpad atrás de autoras de sucesso e a criar algoritmos focados especificamente em impulsionar livros com as palavras-chave que fizessem sucesso: alfa, luna, CEO, máfia, etc.

Como o modelo de negócios desses apps exige que os livros sejam gigantescos (às vezes com 500 ou 1000 capítulos curtos) para fazer o leitor gastar mais moedas, as autoras passaram a usar subterfúgios, como uma estrutura infinita de novelas mexicanas: cheia de reviravoltas, sequestros, traições e reconciliações, inclusive com repetições de cenas, de coincidências absurdas (uma moça sequestrada 2 vezes pelos mesmos bandidos e salva 2 vezes pelo mesmo cara; uma criança precisando de um transplante de rim no mesmo hospital da filha da amante do marido, que também precisa do mesmo transplante). 
Para que o algoritmo desses aplicativos continue recomendando uma obra, a autora precisa publicar novos capítulos diariamente. Essa pressão destrói o processo tradicional de edição. O algoritmo exige atualizações diárias (geralmente de 2.000 a 4.000 palavras por dia).
Sendo uma tradução de outros idiomas – depois eu falo dos brasileiros - a encheção de linguiça (padding) desses romances é notório. As histórias são deliberadamente esticadas. Tramas que poderiam ser resolvidas em 200 páginas ganham reviravoltas absurdas, sequestros repetitivos e amnésias temporárias apenas para gerar mais capítulos cobráveis.

Os títulos são muito estranhos! Como a maioria dessas plataformas é internacional (muitas baseadas na Ásia ou nos EUA), mesmo quando os livros são traduzidos para o português, os títulos costumam manter uma estrutura bem literal e americanizada para ajudar o algoritmo de busca interna do aplicativo.
Não são títulos como os romances de banca antigos eram – pequenos, que levem ao entendimento do público. Mesmo com a tradução, ficava algo simples, que remete a uma história de amor. Para exemplificar, “águas profundas”, “amantes por uma semana”, “para sempre na lembrança” ou “desafio do desejo”; como eu disse, pequenos, remetem à uma história de desejo e romance.
Citando alguns dos títulos de livros dos apps: “A vingança doce quando você é uma zilionária”, “A babá é a mais nova obsessão do CEO”, “Apaixone-se pela garota sem lobo à primeira vista”, “Contratei uma babá e ela era minha noiva fugitiva”. 

Quando a gente navega na internet pelo celular, aparece propaganda desses apps e uma parte do romance; a gente acaba lendo e se envolve – pois o chamariz está justamente nos primeiros capítulos - baixa o app aí cai na armadilha: vê-se que, ou aquela parte não existe ou a narrativa acaba tomando outro rumo.

Algumas iniciam super bem, mas a narrativa cai e fica confusa, fraca e cheia de repetições, situações impossíveis e ridículas. Cansativas. Sem continuidade coerente. Sem dar passos rumo a um desfecho. Um casamento que era maravilhoso, de repente se torna um pesadelo, sem sequer uma explicação. Do nada surge um elemento que não estava na narrativa, para dar ênfase em algum ponto, e ele some como surgiu.
É como se várias pessoas escrevessem uma parte da história. 

E tem romance brasileiro? Tem sim, claro que tem! O puro luxo do lixo, nem a Globosta consegue criar uma narrativa tão merda quanto essas autoras. 

A estrutura narrativa desses livros é praticamente uma cópia carbono dos livros de lobisomem ou de máfia italiana, mas com uma roupagem local:

O protagonista dominante, em vez do "alfa" ou o "CEO bilionário", passa a ser o "dono do morro" ou o "chefe da facção". Ele mantém exatamente os mesmos traços psicológicos: é possessivo, perigoso, temido por todos, mas "completamente rendido" pela protagonista.

A mocinha indefesa geralmente é a "garota inocente" da comunidade, a estudante trabalhadora ou a jovem que se vê obrigada a pedir ajuda ao chefe do local por conta de uma dívida da família (uma versão realista do clichê da "parceira rejeitada" ou "comprada").
Autora brasileira

Em vez de guerras entre bandos de lobos, disputas do mercado financeiro, ou da máfia de Nova York, o enredo se alimenta de operações policiais, invasões de facções rivais e traições dentro do próprio grupo.

E aparentemente fazem sucesso (confesso que nunca li nenhum, estou me baseando em pura pesquisa), pois diferente dos livros traduzidos da Ásia ou dos EUA, que soam mecânicos, esses romances usam gírias brasileiras reais, referências a músicas atuais (como o funk e o trap) e cenários cotidianos. O leitor se identifica imediatamente com o ambiente. 

Abre aspas:

Quem se identifica com o ambiente é favelado, por favor né? 
Eu já li livro brasileiro e me identifiquei sim, com as citações de livros, as músicas, os locais, mas era um livro que se passava numa sociedade normal, não no morro. Oras!

Fecha aspas.

O arquétipo do protetor perigoso funciona no mesmo nível psicológico dos romances de época com piratas ou dos livros de motoqueiros americanos. É a fantasia de estar romanticamente ligada ao homem mais poderoso e perigoso daquele microssistema, que usará toda a sua violência para proteger a mocinha e mais ninguém.
E sim, caramba, era uma fórmula genial, li vários assim, mas ainda assim, um dono de morro? Um mafioso? Onde essas meninas estão com a cabeça? Nossos velhos romances mostravam motoqueiros mal encarados envolvidos com mocinhas da cidade local, ex bad boys, arrependidos, prontos para uma redenção.

A romantização da criminalidade e da violência faz parte desses romances e é fato que esses livros transformam a dura realidade da violência urbana, do tráfico de drogas e do sofrimento das periferias em um pano de fundo "glamoroso" e excitante para o sexo e o romance.

Tem também um enredo que costuma exaltar a figura da "fiel" (a mulher oficial do traficante, que aceita tudo e sofre em silêncio) em oposição às "marias-fuzil" ou rivais, que são tratadas de forma extremamente degradante e violenta pelo texto. Da mesma forma que as histórias americanas, asiáticas... No fundo a fórmula é a mesma, só muda o cenário. 

Para além da favela, autoras brasileiras também dominam o nicho de romances de época (regência) e os romances de CEO. Livros que envolvem casamentos por contrato com herdeiros de empresas em São Paulo ou Rio de Janeiro, romances de comédia romântica no estilo "inimigos que se amam", têm um público gigantesco e ajudam a descentralizar um pouco o peso dos temas mais violentos nas plataformas.

O conteúdo dessas histórias é alvo de pesadas críticas sociais e psicológicas.
Por trás dos panos, o mercado para quem escreve é descrito por muitas comunidades de escritores como uma "fábrica de texto exaustiva". Muitas plataformas compram os direitos autorais universais da obra por valores baixos, impedindo a autora de publicar seu próprio livro em outros lugares ou adaptá-lo no futuro.

Enfim, a nova literatura popular parece ser mais um desserviço ao consumidor do que uma forma de cultura, e eu digo isso com desgosto. Não enriquece vocabulário, não acrescenta em literalmente nada na bagagem cultural do leitor, o que é uma pena sob muitos aspectos, pois essa geração é a pior em termos evolutivos. 


terça-feira, 16 de junho de 2026

Livros de ontem e de hoje - parte III


E chegamos agora aos clássicos populares, a famosa subliteratura, "lixo literário" como diziam na minha época. Os famosos "romances de banca", histórias românticas, curtas, com capa de fotos (e depois desenhos) duvidosos, que foram febre nos anos 80 e 90.  Fiz até meu TCC na faculdade sobre isso. E não importavam as críticas, esses romances eram lidos, relidos e trocados entre as leitoras até a exaustão. 
  
Os romances de banca foram de vários tipos, e existem há muitos anos. Incontáveis anos, que incentivaram milhões de pessoas ao saudável hábito da leitura. Afinal, "ninguém começa a ler por Macunaíma", como eu escrevi em meu TCC.

Eram romances atuais (para a época), chamados Júlia, Sabrina e Bianca, com capas de casais felizes fotografados, pela editora Nova Cultural.


Depois ilustradas, já nos anos 90, alguns na editora Harlequin. Tinha muito livro, edições que deixavam a gente louca para comprar e colecionar. Coleção signos, coleção cowboys, ou seja, homens de determinados signos - foram 12 livros essa coleção - ou cowboys envolvidos em romances quentes. Alguns só sugeriam cenas explícitas, outros descreviam melhor, mas nenhum deles chegava a ser impróprio.

Depois vieram os clássicos românticos e os clássicos históricos, histórias maiores e mais elaboradas, e no caso dos clássicos históricos, romances de época: escoceses das terras altas, americanos na época da colonização, Inglaterra Vitoriana, etc. 

No início, a maioria focava na protagonista, como uma forma de identificação feminina. No entanto, é nítida a diferença entre os períodos. Num desses romances dos anos 70/80, a protagonista é dependente, chorona e submissa a certas humilhações. Acende um cigarro após o outro para se acalmar, tudo gira em torno da aceitação familiar do par romântico e da virgindade, supervalorizada para a época.

Nos anos 80/90 essa postura dá uma guinada, e temos então mulheres saudáveis (que no máximo bebem uma taça de vinho), preocupadas com independência financeira e o homem surge como um parceiro. Nem todas mostram mais mulheres virginais, isso passa a segundo plano.

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, esses romances passam a mostrar tanto uma narrativa feminina quanto masculina. As personagens de ambos os sexos dividem a narrativa nos capítulos, embora o narrador onisciente ainda esteja presente.
Homens em seu segundo relacionamento, mulheres também, reencontrando o amor, superando dificuldades. Mulheres empresárias ou com uma carreira sólida, fortes, que contratam homens para serem seus funcionários. A preocupação com a virgindade foi esquecida, e temos homens fisicamente fortes, mas com insegurança sobre relacionamento. 
Obviamente esse é um apanhado geral, podemos encontrar de tudo nesses livrinhos.

Clássicos românticos eram mais longos e com histórias mais complexas. E os meus preferidos, clássicos históricos, tem coleções de uma mesma autora que são ícones, pois seus romances tem "continuação". Histórias de irmãos que se casam com mulheres ferozes, brigas, traições na corte real e um amor perfeito no final. 
As principais eram Ruth Langan, Miranda Jarrett e Deborah Simmons, tendo esta última escrito sobre os irmãos De Burgh, cuja saga costumava ser disputada à tapa. 
Ambientadas na época medieval, eram muito bem escritas, detalhadas, algumas misturavam fatos históricos em seus romances. A maioria delas mostra ficção entre fatos históricos. Num dos meus preferidos, a história gira em torno de protagonistas que frequentam a corte de Henrique VIII. Os detalhes de suas vidas em torno do famoso rei são muito bem narrados. 


Falando em época histórica, não posso deixar de mencionar Barbara Cartland, nascida em 1901 e falecida em 2000, aos 98 anos. Seus livretos até hoje têm romances realmente felizes.
A fórmula é quase sempre a mesma: menina pobre, de família aristocrática, conhece um duque/conde/marquês libertino e conquista seu afeto, modificando seu caráter, de pervertido para homem fiel. A virgindade era 100% obrigatória.

Essa coleção se chamava "as jóias da coroa de Barbara
Cartland", eram edições de luxo, capa dura, com a
reedição das melhores histórias.

Barbara foi aquela que complicou nossas vidas, pois quando líamos seus livros, imaginávamos o amor ideal, romântico. Nunca esperei um príncipe da Disney, pois passei anos procurando um Duque de Bárbara. 😂😂😂

Outro formato de capa antigo

E não pense que as histórias eram ruins! Ela era uma fonte inesgotável de sabedoria, por causa dela eu resolvi estudar sobre mitologia grega, celta, hindu, ler sobre os cavalos árabes egípcios, sobre a vida dos beduínos, sobre os haréns, sobre a qualidade dos cavalos e cavaleiros húngaros, sobre os ciganos do leste europeu; ela falava de personalidades, locais e rituais que existiram de fato, como estilistas famosos, reis e seus hábitos, pintores e compositores famosos, príncipes regentes e seus gastos, guerras em locais remotos onde a Inglaterra tinha colônias, espiões de organizações de 1800, agentes secretos e intrigas palacianas. Bárbara foi uma fonte inesgotável de cultura geral. Ela abria seus livros com algumas explicações básicas sobre o que iríamos encontrar na trama.

Alguns exemplares dessas edições tinha capas mais duras, de papelão

Com o passar dos anos, a querida Bárbara foi escrevendo cada vez menos e a decadência de sua escrita era nítida. Histórias que se repetiam, poucos dados históricos, heroínas e heróis fracos. Mas seu legado foi inestimável nos pequeninos romances de banca. Os melhores ainda são os de capa dura ou desenhados. Se tiver que adquirir um, nunca compre aqueles com fotos de mulheres na capa (a história deve ser a mesma, mas as capas são o primor mágico da história). 
deve ser reedição, mas o atrativo
das capas se perde nessas
edições. 

Pior que estou aqui pesquisando as capas e achei vários que eu li (e ainda tenho guardados) e vários que eu teria amado ler, quem sabe encontro em sebo? 😍😍😍😍😍

(Achei um pela capa, sobre um casal de irmãos gêmeos, filhos de um rei dos Balcãs, que são prometidos em casamento, e fogem para "uma semana de liberdade antes do compromisso", e a irmã vai de "amante" do irmão, mas conhece um duque e se apaixona, e precisa voltar correndo para casa, pois o "noivo" aparece de repente no palácio, e ela, que se apaixonou pelo Duque, toda cabisbaixa, descobre que ele é o tal príncipe que ela foi prometida, e que TAMBÉM resolveu tirar uma semana de folga antes do casamento, essa história é muuuito fofa). 

a história dos gêmeos dos Bálcãs

Enfim, deixa eu voltar pra Terra. 

Esses livros, todos eles, tem uma narrativa coesa, simples, alguns tem tramas mais envolventes, outros tem alívio cômico, fatos históricos da época, quando são atuais, falam de locais conhecidos, tem descrições precisas. As pessoas são normais, quando falam em riqueza, falam de ostentação, "valores astronômicos", nunca são citados valores reais (com exceção de Barbara que fala em valores da época em libras e os romances americanos que falam em dólares).
Estou aqui lembrando, se eu achar eu tiro uma foto da capa, uma coleção bem antiga, tinha o romance escrito por uma brasileira, a família morava em São Paulo, duas primas que foram passear na Bélgica e conhecem um príncipe, pensa numa história legal!
Essas edições também eram capa de papelão



As tramas tinham uma boa introdução, tudo era explicado, quem eram os personagens, de onde vinham, quais as famílias, onde se passa a história, o que faziam para viver, se eram donos de algum comércio, empresa, fazenda... Tinham também os misteriosos, aqueles caras que surgiam do nada e, depois, seu mistério era desvendado para poderem se encaixar na vida da protagonista.

Pessoas que se conheceram na infância ou foram vizinhos durante anos, se reencontrando depois de adultos. 
Como eu disse, histórias curtas, que davam empolgação ao ler. No final, ainda que os protagonistas não se casassem, você terminava a leitura satisfeita, sabendo que havia amor e a enorme probabilidade de todos ficarem juntos.

Inclusive, usavam temas polêmicos. Nos anos 90, li sobre as puppy mills num desses livros – o homem era um protetor animal cheio de filhos que atrai uma economista finíssima da bolsa de valores, que fugia de famílias numerosas por um trauma familiar do passado.
Outro livro interessantíssimo, sobre os abrigos exclusivos para greyhounds de corrida, os projetos para captura, doma e adoção de mustangs, os campeonatos de cozinha itinerantes... Tudo isso é abordado nos pequenos livretos de banca. 

Existiu ainda um segmento de romances, que quem gostava era minha mãe: ZZ7, livros de bolso sobre espionagem da década de 60 em plena guerra fria, onde a protagonista era Brigitte “Baby” Montford, uma agente da CIA letal, em missões dignas de James Bond. 
Foram editados dos anos 60 até os 90. Brigitte tinha uma história, era filha de Giselle Montford (criação de David Nasser, um grande sucesso literário de 1948, “Memórias secretas de Giselle, a espiã nua que abalou Paris”) com um estrategista nazista chamado Fritz Bierrenbach. As capas das edições brasileiras mostram uma linda jovem, inspirada na socialite carioca Maria de Fátima Priolli. 


Eu lia avidamente suas aventuras, e me influenciaram tanto a ponto de meu primeiro dobermann ter o nome de um dos personagens que capturou, torturou e morreu nas mãos de Baby: Grigory Melchenko. 

Dito tudo isso, entenda, leitor, que a cultura dos livros de banca, a subliteratura, sempre existiu e sempre existirá. Dentro de cada geração existe aquela editora que vai publicar uma história rápida, dinâmica, envolvente, para atrair seus leitores. 

Para saber mais sobre as causas do declínio dos romances de banca, leia esse artigo.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Livros de ontem e de hoje - parte II

 Parte I

Não é nenhum segredo que os títulos brasileiros são extremamente mal escolhidos e traduzidos. Tanto em livros quanto em filmes. 

Do clássico Spaceballs para "SOS, tem um louco solto no espaço"? Oi? Quem cria esses títulos? 

Por isso, na saga "Os Filhos da Terra", de Jean M. Auel, existe "The Clan of the cave bear", que literal e corretamente deveria ser "O clã do Urso da Caverna". Mas que foi porcamente traduzido como "Ayla, a filha das cavernas" (o livro) e "A tribo da caverna do urso" (o filme, e pra quem leu o livro, é simplesmente perfeito). 

Todos os outros livros estão corretamente traduzidos, mas o primeiro nos dá esse desgosto, 

                     

Enfim, esses livros são os meus de cabeceira. Uma vez a cada 2 anos eu leio. Todos. Nem preciso dizer que o primeiro está todo remendado, escrito nas bordas, um coisa de doido. E o fato de eu tê-los como livros preferidos me faz ser muito, muito chata em relação a eles. 

A saga tem 6 livros, que mostram a protagonista Ayla, desde sua adoção, seu amadurecimento, aprendizado (livro 1), solidão, domesticação de animais, busca por humanos da sua espécie (livro 2), conexão com eles e as dificuldades de lidar com novos conceitos (livro 3), a enorme viagem pela Europa do paleolítico superior, margeando o Danúbio, atravessando glaciais e chegando, finalmente, na casa de seu companheiro (livro 4 - ela sai da Ucrânia e chega na França). Termina com Ayla treinando para ser a líder espiritual dos Zelandoni, em paz com sua família, filha, cavalos e Lobo (livros 5 e 6).  

Ganhei o primeiro e o segundo, me apaixonei, adquiri o terceiro (meu preferido), esperei ansiosamente pelo lançamento dos outros. Quando, finalmente, saiu o último – A Terra das Cavernas Pintadas – em 2011, a editora Record disse “não ter previsão para o lançamento deste livro no Brasil”, e eu me apavorei e comprei um exemplar em espanhol que demorou pra chegar, mas finalmente, FINALMENTE recebi e li. Li avidamente, com dicionário na mão, mas li. Fiquei anestesiada, pensando se Auel conseguiria lançar mais um, mas aparentemente nunca foi a intenção dela. 

E eu estava lá, feliz, quando descubro que o "não temos data de lançamento" virou 2014. OBVIAMENTE eu fui atrás e comprei o livro. E aí começou o meu problema pessoal com a editora.

Começou nas capas, vejam vocês!
A editora Record lançou os primeiros livros com lindas capas desenhadas. Os 4 primeiros livros foram lançados com belas capas cheias de cores, mostrando Ayla sempre de lado ou de costas em belas paisagens. A partir do quinto livro (O abrigo de Pedra) as capas viraram uma arte abstrata que não combina com as outras, pois a Record resolveu REEDITAR a saga com capas diferentes, mostrando pinturas rupestres. São bonitas, mas esteticamente, ficou incoerente, pois eu tinha 4 livros com uma capa e agora outro volume com uma capa completamente diferente (quem tem Harry Potter e Senhor dos Anéis sabe do que eu estou falando)! 

Ainda assim, o livro era de uma qualidade inegável. E o livro em espanhol (La Tierra de las cuevas pintadas), que nessa altura eu nem considerava um dos livros da minha coleção, tinha uma capa legal, bonita, mas nada que se aproximasse da minha primeira coleção. 

A Terra das Cavernas Pintadas foi lançado "nas coxas": a capa inexpressiva de desenhos rupestres sem qualidade e sem orelhas, o desenho (provavelmente uma reprodução de Lascaux, é sabido que Auel se inspirou em Lascaux e algumas outras cavernas com desenhos para escrever suas histórias, assim como inspirou-se em Shanidar 1 para criar o personagem Creb e Shanidar 4 para criar a personagem Iza) seguiu o penúltimo livro. 

Eu já tinha aceitado ter um livro com a capa diferenciada (não gostei mas aceitei), mas o que realmente me deixou chateada foi a falta de qualidade da edição que a editora lançou. Um livro sem orelhas, onde todos os outros as tinham, a gramatura pobre, os mapas do exemplar com defeitos de impressão e partes do livro mal traduzidos ou com parágrafos faltando – lembrem-se que eu tinha a edição em espanhol para comparar. Sinceramente, um lixo. 

         

Eu falo que teve início o grande desastre da literatura – seja ela traduzida ou escrita própria. 
Falta de respeito com o leitor, sucateamento da literatura.


 Lula venceu as eleições de forma misteriosa novamente. Urnas em que só aparece seu nome em 100% dos votos.  Mortos, ausentes e acamados vot...