terça-feira, 16 de junho de 2026

Livros de ontem e de hoje - parte III


E chegamos agora aos clássicos populares, a famosa subliteratura, "lixo literário" como diziam na minha época. Os famosos "romances de banca", histórias românticas, curtas, com capa de fotos (e depois desenhos) duvidosos, que foram febre nos anos 80 e 90.  Fiz até meu TCC na faculdade sobre isso. E não importavam as críticas, esses romances eram lidos, relidos e trocados entre as leitoras até a exaustão. 
  
Os romances de banca foram de vários tipos, e existem há muitos anos. Incontáveis anos, que incentivaram milhões de pessoas ao saudável hábito da leitura. Afinal, "ninguém começa a ler por Macunaíma", como eu escrevi em meu TCC.

Eram romances atuais (para a época), chamados Júlia, Sabrina e Bianca, com capas de casais felizes fotografados, pela editora Nova Cultural.


Depois ilustradas, já nos anos 90, alguns na editora Harlequin. Tinha muito livro, edições que deixavam a gente louca para comprar e colecionar. Coleção signos, coleção cowboys, ou seja, homens de determinados signos - foram 12 livros essa coleção - ou cowboys envolvidos em romances quentes. Alguns só sugeriam cenas explícitas, outros descreviam melhor, mas nenhum deles chegava a ser impróprio.

Depois vieram os clássicos românticos e os clássicos históricos, histórias maiores e mais elaboradas, e no caso dos clássicos históricos, romances de época: escoceses das terras altas, americanos na época da colonização, Inglaterra Vitoriana, etc. 

No início, a maioria focava na protagonista, como uma forma de identificação feminina. No entanto, é nítida a diferença entre os períodos. Num desses romances dos anos 70/80, a protagonista é dependente, chorona e submissa a certas humilhações. Acende um cigarro após o outro para se acalmar, tudo gira em torno da aceitação familiar do par romântico e da virgindade, supervalorizada para a época.

Nos anos 80/90 essa postura dá uma guinada, e temos então mulheres saudáveis (que no máximo bebem uma taça de vinho), preocupadas com independência financeira e o homem surge como um parceiro. Nem todas mostram mais mulheres virginais, isso passa a segundo plano.

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, esses romances passam a mostrar tanto uma narrativa feminina quanto masculina. As personagens de ambos os sexos dividem a narrativa nos capítulos, embora o narrador onisciente ainda esteja presente.
Homens em seu segundo relacionamento, mulheres também, reencontrando o amor, superando dificuldades. Mulheres empresárias ou com uma carreira sólida, fortes, que contratam homens para serem seus funcionários. A preocupação com a virgindade foi esquecida, e temos homens fisicamente fortes, mas com insegurança sobre relacionamento. 
Obviamente esse é um apanhado geral, podemos encontrar de tudo nesses livrinhos.

Clássicos românticos eram mais longos e com histórias mais complexas. E os meus preferidos, clássicos históricos, tem coleções de uma mesma autora que são ícones, pois seus romances tem "continuação". Histórias de irmãos que se casam com mulheres ferozes, brigas, traições na corte real e um amor perfeito no final. 
As principais eram Ruth Langan, Miranda Jarrett e Deborah Simmons, tendo esta última escrito sobre os irmãos De Burgh, cuja saga costumava ser disputada à tapa. 
Ambientadas na época medieval, eram muito bem escritas, detalhadas, algumas misturavam fatos históricos em seus romances. A maioria delas mostra ficção entre fatos históricos. Num dos meus preferidos, a história gira em torno de protagonistas que frequentam a corte de Henrique VIII. Os detalhes de suas vidas em torno do famoso rei são muito bem narrados. 


Falando em época histórica, não posso deixar de mencionar Barbara Cartland, nascida em 1901 e falecida em 2000, aos 98 anos. Seus livretos até hoje têm romances realmente felizes.
A fórmula é quase sempre a mesma: menina pobre, de família aristocrática, conhece um duque/conde/marquês libertino e conquista seu afeto, modificando seu caráter, de pervertido para homem fiel. A virgindade era 100% obrigatória.

Essa coleção se chamava "as jóias da coroa de Barbara
Cartland", eram edições de luxo, capa dura, com a
reedição das melhores histórias.

Barbara foi aquela que complicou nossas vidas, pois quando líamos seus livros, imaginávamos o amor ideal, romântico. Nunca esperei um príncipe da Disney, pois passei anos procurando um Duque de Bárbara. 😂😂😂

Outro formato de capa antigo

E não pense que as histórias eram ruins! Ela era uma fonte inesgotável de sabedoria, por causa dela eu resolvi estudar sobre mitologia grega, celta, hindu, ler sobre os cavalos árabes egípcios, sobre a vida dos beduínos, sobre os haréns, sobre a qualidade dos cavalos e cavaleiros húngaros, sobre os ciganos do leste europeu; ela falava de personalidades, locais e rituais que existiram de fato, como estilistas famosos, reis e seus hábitos, pintores e compositores famosos, príncipes regentes e seus gastos, guerras em locais remotos onde a Inglaterra tinha colônias, espiões de organizações de 1800, agentes secretos e intrigas palacianas. Bárbara foi uma fonte inesgotável de cultura geral. Ela abria seus livros com algumas explicações básicas sobre o que iríamos encontrar na trama.

Alguns exemplares dessas edições tinha capas mais duras, de papelão

Com o passar dos anos, a querida Bárbara foi escrevendo cada vez menos e a decadência de sua escrita era nítida. Histórias que se repetiam, poucos dados históricos, heroínas e heróis fracos. Mas seu legado foi inestimável nos pequeninos romances de banca. Os melhores ainda são os de capa dura ou desenhados. Se tiver que adquirir um, nunca compre aqueles com fotos de mulheres na capa (a história deve ser a mesma, mas as capas são o primor mágico da história). 
deve ser reedição, mas o atrativo
das capas se perde nessas
edições. 

Pior que estou aqui pesquisando as capas e achei vários que eu li (e ainda tenho guardados) e vários que eu teria amado ler, quem sabe encontro em sebo? 😍😍😍😍😍

(Achei um pela capa, sobre um casal de irmãos gêmeos, filhos de um rei dos Balcãs, que são prometidos em casamento, e fogem para "uma semana de liberdade antes do compromisso", e a irmã vai de "amante" do irmão, mas conhece um duque e se apaixona, e precisa voltar correndo para casa, pois o "noivo" aparece de repente no palácio, e ela, que se apaixonou pelo Duque, toda cabisbaixa, descobre que ele é o tal príncipe que ela foi prometida, e que TAMBÉM resolveu tirar uma semana de folga antes do casamento, essa história é muuuito fofa). 

a história dos gêmeos dos Bálcãs

Enfim, deixa eu voltar pra Terra. 

Esses livros, todos eles, tem uma narrativa coesa, simples, alguns tem tramas mais envolventes, outros tem alívio cômico, fatos históricos da época, quando são atuais, falam de locais conhecidos, tem descrições precisas. As pessoas são normais, quando falam em riqueza, falam de ostentação, "valores astronômicos", nunca são citados valores reais (com exceção de Barbara que fala em valores da época em libras e os romances americanos que falam em dólares).
Estou aqui lembrando, se eu achar eu tiro uma foto da capa, uma coleção bem antiga, tinha o romance escrito por uma brasileira, a família morava em São Paulo, duas primas que foram passear na Bélgica e conhecem um príncipe, pensa numa história legal!
Essas edições também eram capa de papelão



As tramas tinham uma boa introdução, tudo era explicado, quem eram os personagens, de onde vinham, quais as famílias, onde se passa a história, o que faziam para viver, se eram donos de algum comércio, empresa, fazenda... Tinham também os misteriosos, aqueles caras que surgiam do nada e, depois, seu mistério era desvendado para poderem se encaixar na vida da protagonista.

Pessoas que se conheceram na infância ou foram vizinhos durante anos, se reencontrando depois de adultos. 
Como eu disse, histórias curtas, que davam empolgação ao ler. No final, ainda que os protagonistas não se casassem, você terminava a leitura satisfeita, sabendo que havia amor e a enorme probabilidade de todos ficarem juntos.

Inclusive, usavam temas polêmicos. Nos anos 90, li sobre as puppy mills num desses livros – o homem era um protetor animal cheio de filhos que atrai uma economista finíssima da bolsa de valores, que fugia de famílias numerosas por um trauma familiar do passado.
Outro livro interessantíssimo, sobre os abrigos exclusivos para greyhounds de corrida, os projetos para captura, doma e adoção de mustangs, os campeonatos de cozinha itinerantes... Tudo isso é abordado nos pequenos livretos de banca. 

Existiu ainda um segmento de romances, que quem gostava era minha mãe: ZZ7, livros de bolso sobre espionagem da década de 60 em plena guerra fria, onde a protagonista era Brigitte “Baby” Montford, uma agente da CIA letal, em missões dignas de James Bond. 
Foram editados dos anos 60 até os 90. Brigitte tinha uma história, era filha de Giselle Montford (criação de David Nasser, um grande sucesso literário de 1948, “Memórias secretas de Giselle, a espiã nua que abalou Paris”) com um estrategista nazista chamado Fritz Bierrenbach. As capas das edições brasileiras mostram uma linda jovem, inspirada na socialite carioca Maria de Fátima Priolli. 


Eu lia avidamente suas aventuras, e me influenciaram tanto a ponto de meu primeiro dobermann ter o nome de um dos personagens que capturou, torturou e morreu nas mãos de Baby: Grigory Melchenko. 

Dito tudo isso, entenda, leitor, que a cultura dos livros de banca, a subliteratura, sempre existiu e sempre existirá. Dentro de cada geração existe aquela editora que vai publicar uma história rápida, dinâmica, envolvente, para atrair seus leitores. 

Para saber mais sobre as causas do declínio dos romances de banca, leia esse artigo.

Parte IV

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Livros de ontem e de hoje - parte II

 Parte I

Não é nenhum segredo que os títulos brasileiros são extremamente mal escolhidos e traduzidos. Tanto em livros quanto em filmes. 

Do clássico Spaceballs para "SOS, tem um louco solto no espaço"? Oi? Quem cria esses títulos? 

Por isso, na saga "Os Filhos da Terra", de Jean M. Auel, existe "The Clan of the cave bear", que literal e corretamente deveria ser "O clã do Urso da Caverna". Mas que foi porcamente traduzido como "Ayla, a filha das cavernas" (o livro) e "A tribo da caverna do urso" (o filme, e pra quem leu o livro, é simplesmente perfeito). 

Todos os outros livros estão corretamente traduzidos, mas o primeiro nos dá esse desgosto, 

                     

Enfim, esses livros são os meus de cabeceira. Uma vez a cada 2 anos eu leio. Todos. Nem preciso dizer que o primeiro está todo remendado, escrito nas bordas, um coisa de doido. E o fato de eu tê-los como livros preferidos me faz ser muito, muito chata em relação a eles. 

A saga tem 6 livros, que mostram a protagonista Ayla, desde sua adoção, seu amadurecimento, aprendizado (livro 1), solidão, domesticação de animais, busca por humanos da sua espécie (livro 2), conexão com eles e as dificuldades de lidar com novos conceitos (livro 3), a enorme viagem pela Europa do paleolítico superior, margeando o Danúbio, atravessando glaciais e chegando, finalmente, na casa de seu companheiro (livro 4 - ela sai da Ucrânia e chega na França). Termina com Ayla treinando para ser a líder espiritual dos Zelandoni, em paz com sua família, filha, cavalos e Lobo (livros 5 e 6).  

Ganhei o primeiro e o segundo, me apaixonei, adquiri o terceiro (meu preferido), esperei ansiosamente pelo lançamento dos outros. Quando, finalmente, saiu o último – A Terra das Cavernas Pintadas – em 2011, a editora Record disse “não ter previsão para o lançamento deste livro no Brasil”, e eu me apavorei e comprei um exemplar em espanhol que demorou pra chegar, mas finalmente, FINALMENTE recebi e li. Li avidamente, com dicionário na mão, mas li. Fiquei anestesiada, pensando se Auel conseguiria lançar mais um, mas aparentemente nunca foi a intenção dela. 

E eu estava lá, feliz, quando descubro que o "não temos data de lançamento" virou 2014. OBVIAMENTE eu fui atrás e comprei o livro. E aí começou o meu problema pessoal com a editora.

Começou nas capas, vejam vocês!
A editora Record lançou os primeiros livros com lindas capas desenhadas. Os 4 primeiros livros foram lançados com belas capas cheias de cores, mostrando Ayla sempre de lado ou de costas em belas paisagens. A partir do quinto livro (O abrigo de Pedra) as capas viraram uma arte abstrata que não combina com as outras, pois a Record resolveu REEDITAR a saga com capas diferentes, mostrando pinturas rupestres. São bonitas, mas esteticamente, ficou incoerente, pois eu tinha 4 livros com uma capa e agora outro volume com uma capa completamente diferente (quem tem Harry Potter e Senhor dos Anéis sabe do que eu estou falando)! 

Ainda assim, o livro era de uma qualidade inegável. E o livro em espanhol (La Tierra de las cuevas pintadas), que nessa altura eu nem considerava um dos livros da minha coleção, tinha uma capa legal, bonita, mas nada que se aproximasse da minha primeira coleção. 

A Terra das Cavernas Pintadas foi lançado "nas coxas": a capa inexpressiva de desenhos rupestres sem qualidade e sem orelhas, o desenho (provavelmente uma reprodução de Lascaux, é sabido que Auel se inspirou em Lascaux e algumas outras cavernas com desenhos para escrever suas histórias, assim como inspirou-se em Shanidar 1 para criar o personagem Creb e Shanidar 4 para criar a personagem Iza) seguiu o penúltimo livro. 

Eu já tinha aceitado ter um livro com a capa diferenciada (não gostei mas aceitei), mas o que realmente me deixou chateada foi a falta de qualidade da edição que a editora lançou. Um livro sem orelhas, onde todos os outros as tinham, a gramatura pobre, os mapas do exemplar com defeitos de impressão e partes do livro mal traduzidos ou com parágrafos faltando – lembrem-se que eu tinha a edição em espanhol para comparar. Sinceramente, um lixo. 

         

Eu falo que teve início o grande desastre da literatura – seja ela traduzida ou escrita própria. 
Falta de respeito com o leitor, sucateamento da literatura.


domingo, 14 de junho de 2026

Nota mental para o resto do ano:





Livros de ontem e de hoje - parte I

Gostaria de deixar registrada aqui, minha profunda indignação com as porcarias literárias que estão sendo publicadas nos dias de hoje. 
E por "dias de hoje" eu quero dizer que desde o início dos anos 2000 a qualidade da escrita caiu bastante.

Desde as traduções, mal feitas, passando pelas adaptações de livros clássicos, que tiraram toda a graça das histórias, até a criação de novas narrativas.

A maioria dos livros das décadas de 60 e 70 foi reeditada nos anos 80. Li alguns livros dos anos 60, algumas edições da Coleção Saraiva, minha tia Nenê tinha vários livros e sempre que eu ia em sua casa, pegava para ler. Tinha também atlas antigos e enciclopédias sobre determinados assuntos - animais, plantas, etc. 

Dois que eu li muito lá foram Beleza Negra e Os meninos da Rua Paulo. Na verdade, eu gostei tanto que pedi emprestado e nunca devolvi Beleza Negra – e ela nunca sentiu falta.
Um dia, tia Nenê reformou a sala, vendeu a enorme estante e os livros foram embora - guardou alguns, mas nenhum dos que eu lia - e fiquei triste, pois ela poderia ter me dado os livros. Disse que nem sonhava que eu poderia querer "aqueles livros velhos". 😭 
  

Ela havia guardado poucos, e me deu um, Shardik, de Richard Adams, que, no entanto, não consegui terminar. Não era ruim, mas não me adaptei ao estilo: o livro se passa num tempo-espaço sem definição e eu não gosto de livros assim. Falei dele com a Carol e ela foi na biblioteca, leu em 3 dias, amou. 

Anos depois, comprei uma edição recente de Beleza Negra, que veio numa capa mais simples, com nome diferente, mas ainda assim, uma boa adaptação: Diamante Negro, da coleção Terramarear, cuja tradução original fora feita por Monteiro Lobato e reeditada nos anos 80. 


Tive ainda "Caninos Brancos", de Jack London, da mesma coleção. Lendo uma análise sobre esse livro, descobri que London escreveu mais livros e fui atrás de "Chamado Selvagem", uma edição traduzida pela genial Clarice Lispector. Nesse mesmo estilo, adquiri "Nômades do Norte", de J. O. Curwood, cuja escrita lembra muito Jack London, com tradução de Manuel Bandeira. Um deleite para os olhos.     
  


Ganhei de meu avô dois livros que guardo ainda hoje (embora eu não tenha me desfeito de nenhum desses citados), "Os Três Mosqueteiros", cuja capa é um pedaço do quadro de Rembrandt, "Ronda Noturna", da editora Scipione. Impossível achar para comprar essas duas edições, que perfazem o romance inteiro. Ganhei com 13 anos, li, e tive que reler anos depois para entender determinados trechos, de tão rebuscada era a linguagem. Dumas levou um parágrafo inteiro introduzindo o cavalo de D'artagnan, o qual inclusive é motivo da briga entre ele e Richelieu na taverna. 

Ronda Noturna - Rembrandt

Tendo em mãos este livro, que se encontra todo remendado, o pobre, decidi adquirir outro, e não encontrei nada que me agradasse. Meu exemplar é em dois volumes, lindamente adaptados em dois filmes de 1973 e 1974 (com um primoroso elenco, fielmente caracterizado, em uma das melhores filmagens deste romance), porém atualmente só encontrei um volume e, pelo final (sim, eu olho o início e o fim do livro) conseguiram espremer esses dois volumes em um só. Me dá náuseas.


Até as adaptações de antigamente eram melhores. Os clássicos Sem Família (Hector Malot) e Jane Eyre (Charlotte Brönte) que li, eram de uma coleção de livros pequenos, quase de bolso. Percebi que eram adaptações, pois um dia comprei Jane Eyre original e tinha trechos lá que eu não me recordava da minha primeira leitura. Mas que em nada comprometeram a história (ou de repente eu realmente não lembrava mesmo). Sem família eu achei tão, mas tão triste que não consegui reler.

   

Os meninos da Rua Paulo, de Ferenc Molnár, o primeiro que li era muito antigo, e consegui uma edição dos anos 90 ótima, fiel.

Sobre os clássicos estrangeiros (Senhor dos Anéis que, pelo que me consta, nunca foi modificado) ou os brasileiros (Jorge Amado e Érico Veríssimo levantariam do túmulo se mexessem em seus textos), Clarice Lispector; dos recentes (Harry Potter, por exemplo), pois tem uma forma de comunicação atual; permanecem atemporais e sem modificações desnecessárias. Podemos pegar os livros da "Coleção Vagalume", que até hoje são lembrados com amor; "Para gostar de ler", crônicas nacionais. Todos esses passaram pelos anos inalterados, se soubermos procurar em bons sebos. 

  

Alguns livrinhos do meu ensino médio eu guardei: A oitava série C, de Odete de Barros Mott (coleção jovens do mundo todo), Tão perto do céu (Teresa Noronha, mesma coleção), Pantanal, amor-baguá (José Hamilton Ribeiro), Saudade (Tales de Andrade) todos livros que eu fui obrigada a ler, e aprendi a amar. Confissões de um vira lata (Orígenes Lessa), por exemplo, eu adoro. Clássicos da coleção vagalume, como O Mistério do Cinco Estrelas, o Rapto do Garoto de Ouro, Um cadáver ouve rádio, Éramos seis, A Ilha Perdida – todos guardados em casa. 

   

Carol leu alguns desses livros e gostou muito. São ótimos para se iniciar uma leitura. 



sexta-feira, 12 de junho de 2026

 Acho que nem postei aqui, e se postei, foi por puro esquecimento - afinal, aos 52 anos, a gente percebe que a cabeça já não é mais a mesma. 

Os olhos da Carol sararam. Levamos no neuro oftalmologista, ele fez mais exames, detectou o problema, deu um remédio e VUPT.

Não posso dar todo o crédito para ele, entretanto. Santa Luzia, Nossa Senhora Aparecida e Deus acima de todos, foram muito requisitados e fizeram a sua parte.

Preciso pagar minhas promessas. 🙏

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Achei uma postagem aqui muito interessante, na verdade interessante por causa do tempo passado e de tudo que houve até então.
Em 1999 eu escrevi algumas regras para a vida. Para mim. E ao reler, notei que não evoluí NADA em alguns pontos ali.
  • Seja cordial sempre que possível (Eu tento, mas a idade me mostrou que ser grosseiro e deselegante é necessário em alguns casos).
  • Seja educado com as pessoas mais velhas, mesmo que seja difícil. Procure se lembrar que aquela pessoa viveu mais que você, e merece seu respeito, pois já teve seu quinhão de sofrimento, mesmo que você tenha mais experiência de vida que ela (Pois é, só que eu também tive meu quinhão, então a pessoa tem que ser muito, muito idosa pra eu calar a boca).
  • Respeite a opinião do próximo, mesmo que você não concorde com ela (nem a pau, foda-se sua opinião, é ridícula).
  • Se você não gosta de se envolver em discussões polêmicas, evite alguns assuntos que são tabu em qualquer roda: futebol, religião e política (mesmo que todos sejam da mesma torcida, crença ou partido). (Naaahhhh, política tem que ser debatida e quem vota na esquerda NECESSITA ser esculhambado).
  • Não discuta assuntos do qual você não entende. Procure ouvir e compreender o assunto em discussão. (foda-se, todo mundo faz isso, a IA tá aí justamente pra sermos "mestres" em qualquer assunto. Zoeira, óbvio, mas é assim que a humanidade está, todos sabem de tudo).
  • Respeite a vida, seja ela como for: humana, animal, ou vegetal... cada quinhão de vida é importante, mesmo que seja de uma simples mosca. Isso não quer dizer que você deva suportar as baratas de sua casa, entretanto (meu Deus que papo merda de vegano é esse??? Eu era assim?? Tudo bem que eu não saio matando bicho por aí mas...).
  • Família é uma parte sagrada de você. Ame sua família acima de qualquer coisa (texto escrito em 99, todos ainda se amavam. Minha família hoje é eu, Fabio e Carol e esses eu amo, todos os outros são PARENTES, pessoas que tem meu sangue, por isso foda-se, melhor longe).
  • Aceite os defeitos de seus amigos, mesmo os piores, desde que ele aceite os seus. Amigos são pessoas que sabem tudo a seu respeito e, mesmo assim, gostam de você, mas saiba retribuir a amizade recebida. Saiba ver também, quando a pessoa é realmente sua amiga, quando realmente merece a sua amizade. Analise as atitudes da pessoa. Ao ver que esta pessoa não pode ser sua amiga, simplesmente afaste-se dela (ainda faço isso, afastei amigos antigos e simplesmente os exclui da minha vida, mas não foi simplesmente, antes eles tomaram um baita chega pra lá. Gente chata da porra, sem paciência).
  • Não deixe que uma pequena divergência arruíne uma grande amizade (Votar no Lula e foder a vida do país - e consequentemente a minha - não é uma pequena divergência, é enorme e eu to "sem paciência"). 
  • Não seja fofoqueiro, e não dê ouvidos à intrigas (aahhh minha nossa, quem eu achava que era? Madre Teresa?? Fofoca é vida! Intriga não muito, mas fofoca? Temos até um grupo de watts pra fofocar!).
  • Não leve seus problemas a opinião pública, procure resolvê-los envolvendo apenas as pessoas que podem realmente ajudá-lo (Nisso eu não mudei muito, mas notei que houve um aumento enorme na divulgação de problemas em redes sociais. Já levei pequenos problemas, mas a maioria da população tá expondo demais sua vida privada, e quem não faz isso é julgado).
  • Não deixe de perdoar aquela pessoa que errou e se arrependeu, pois amanhã você pode estar na mesma posição que ela. Quando perceber que cometeu um erro, faça o possível para corrigi-lo imediatamente, não deixe passar a oportunidade (Perdoo e mando à merda, vai cagar longe de mim).
Relendo essas coisas (a lista original tem mais ítens) eu percebo que, quando se é jovem, sua visão de mundo tem toda uma ilusão, e conforme a gente vai ficando mais velho - principalmente depois dos 40 - meio que liga o foda-se. 


quarta-feira, 27 de maio de 2026

Michael

 

Michael (2026) é uma cinebiografia musical estadunidense de 2026 dirigida por Antoine Fuqua e escrita por John Logan. O filme acompanha a vida do cantor estadunidense Michael Jackson, desde sua participação no The Jackson 5 na década de 1960 até a turnê Bad Tour no final da década de 1980. Jackson é interpretado por seu sobrinho Jaafar Jackson e, quando criança, por Juliano Krue Valdi, ambos em suas estreias no cinema. O elenco de apoio inclui Nia Long, KeiLyn Durrell Jones, Laura Harrier, Jessica Sula, Mike Myers, Miles Teller e Colman Domingo. (fonte: wikipédia).

O filme é bom, sim. Mostra fatos importantes da vida do astro. Mas deixa muuuita coisa de fora, talvez por falta de tempo na adaptação de roteiro, talvez por direitos autorais (Janet Jackson não se deixou ser representada no filme, então ela simplesmente não existe). 

O início com os Jacksons 5 mostra seu primeiro sucesso "I want you back", porém deixaram de fora o primeiro sucesso de MJ, que foi Ben, inclusive usada numa trilha sonora de um filme de terror homônimo (Ben: o rato assassino de 1972) e indicada ao Oscar de melhor canção original, com ele cantando a música ao vivo durante a cerimônia naquele ano. Venceu um Globo de Ouro. Ben alcançou o primeiro lugar na parada Billboard Hot 100. A música "Got to Be There" também já era um sucesso - ambas com MJ cantando de forma solo. 

Uma coisa que foi mostrada de forma talvez suave foi a pressão psicológica ao qual os Jacksons eram submetidos pelo pai. De todos, Michael foi o que mais sentiu essa pressão, ou talvez o pai pegasse mais pesado com ele, o fato é que o efeito dessa pressão foi bem explorada no filme: MJ se recusa a crescer e vive num eterno mundo à parte, criando músicas e comprando animais e colecionando brinquedos. 

O filme deixa de fora uma das melhores criações de MJ (junto com Lionel Richie), "We Are The World", de 1985 para o projeto USA for Africa. Quincy Jones fez o arranjo e a regência, e a música é um dos maiores projetos mundiais (junto com o Live Aid). Um filme biográfico JAMAIS poderia ter deixado esse marco de fora. Deveriam ter diminuído as mil aparições de Jaafar Jackson (excelente no papel do tio) cantando em palcos e colocar pelo menos uma menção (sei lá, Quincy chamando o MJ: ei, tenho um projeto aqui, topa fazer uma música pelos famintos da Africa?) mas novamente, acho que foi por causa de direitos autorais. 
Que aliás deveriam ser pagos, o filme tá levando multidões ao cinema, que que custava? Enfim...

Vale ressaltar que várias músicas foram realmente cantadas por Jaafar inicialmente e, na mudança de quadro, colocavam a voz de Michael. Em algumas é perceptível a mudança, em outras, quase não se nota. Nota 10 para o menino, ótima escolha. 

O acidente nos bastidores e suas consequências foi bem retratado. A amizade com Diana Ross foi filmada - e deixada de fora por "questões legais". 

A "turnê da Vitória" (que é como dublaram no filme) foi, na verdade, a turnê do Album Victory, de 1984, última participação de MJ nos Jacksons. O álbum é excelente, e conta com a participação de MJ em várias faixas, inclusive fazendo um dueto com Mick Jagger em State of Shock (música essa que ele gravou em dueto, depois, com Fred Mercury). 
A turnê, no entanto, não contou com nenhuma música do álbum, pois MJ não estava mais no clima de ensaiar com os irmãos - havia acabado de lançar Thriller e preferiu focar em seus atuais sucessos da época, e nas músicas antigas do grupo. Foi realmente uma despedida. Os irmãos sequer foram fotografados juntos para a capa do LP, pois devido à tensões familiares, a harmonia entre eles havia sido quebrada. 
Michael viajava separado, gravava separado e não esteve diretamente envolvido na parte criativa das músicas, preocupado em alavancar sua carreira solo. A turnê contou com musicas do álbum Thriller e alguns dos maiores sucessos dos Jacksons, e MJ ofuscou os irmãos, pois o público foi para vê-lo cantar. Isso criou uma rivalidade entre eles e fez com que Michael doasse seus lucros com a turnê para a caridade. 

Nada disso é mostrado no filme - talvez novamente por falta de tempo, mas acho que o rei do Pop merecia umas 3H de tela. 

Uma das partes que poderia ser mais longa foi a gravação (e as negociações) do clip Beat it, que contou com a participação de duas gangues de rua americanas - os Crips e os Bloods de Los Angeles (gangues que ainda existem, diga-se de passagem). 

O filme termina com a turnê de BAD, deixando claro que haverá uma parte 2. A crítica disse - e eu concordo - que contaram uma história "higienizada" de MJ, opinião essa compartilhada pela filha Paris Jackson, que achou a versão Hollywoodiana "açucarada" demais. 

Porém para quem é fã, é um filme obrigatório, embora a gente saia do cinema com gostinho de quero mais... 

terça-feira, 19 de maio de 2026

Um dia eu me peguei pensando que, muitas das coisas que eu consegui na vida, vieram tarde demais.

Meu pai não estava aqui para acompanhar meus passos na faculdade, nem conhecer minha família.

Não tive tempo de apresentar o Fabio e a Carol para Mafalda e Chico e, no meu mundo imaginário, eu penso que eles teriam se dado muito bem (todos teriam adorado conhece-lo).

Minha mãe não teve tempo de conviver com a Carol.

Finalmente, depois de tantos anos, ter contato com um esporte equestre que realmente é divertido e relativamente fácil (ranch sorting) mas a idade e o peso não me permitem mais montar. 

Esses são os mais recentes, mas eu tive muitos outros instantes que me mostraram quão tarde as coisas chegam para mim. 

E eu, como sempre acontece nesses casos, faço a "brincadeira do E SE...".

Inclusive Carol me perguntou dias atrás, "será que o avô Márcio ia gostar de mim?" - com a típica insegurança dela de sempre.
E aí entramos no "e se...". 

E se ele não tivesse morrido, talvez nunca nos mudássemos para o interior (embora essa ideia tivesse vindo dele, quando ainda estava no Tribunal de Contas).
Ainda assim, se ele não tivesse morrido, talvez eu nunca tivesse conhecido o Fabio e Carol não seria Carol.
Porém, num futuro improvável, em que ela e Fabio existissem, eu adoraria que ele estivesse aqui - ele e Meyre (e Chico, Mafalda, enfim...).

Jogando truco e bilhar com o Fabio, ensinando sobre música clássica para a Carol, tentando ensiná-la a jogar xadrez - e falhando miseravelmente, será? como falhou comigo? 
Se aposentando do emprego público e tendo, finalmente, sua pizzaria/rotisserie?
Indo pescar? Com um forno de pão e pizza no quintal e fazendo comida para os amigos?

Impossível saber. 

Ainda no "E se...", e se minha mãe não tivesse morrido, ela estaria mimando muito a neta? Tentaria fazer bolos - um de seus maiores fracassos culinários, seus bolos nunca cresciam.
Ou será que aquela degeneração que vimos acontecer - os esquecimentos, a agressividade - teriam tomado conta dela?

o "e se..." sempre me pega. Desde cedo.

E se Márcio não tivesse morrido, ainda hoje seria petista?
Estaríamos morando todos juntos? Eu teria vivido de forma diferente?

Nada disso é possível saber, então continua tudo na bruma do pensamento.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Friends


 Nunca vou entender o por que da geração Z não gostar de Friends. 

A ponto de tirarem do contexto da época e trazerem para a atualidade, algo simplesmente impossível de fazer. Porém Friends é quase atemporal. 
Você pode não gostar do formato - melhores amigos reunidos sempre - ou de determinados personagens - Ross machista ganha disparado - mas não pode negar que a série não tem diversidade e representatividade.

Friends tem:

  • Casamento homossexual - a ex do Ross chega inclusive a se casar com sua namorada e é ele quem a leva ao altar.
  • Personagens transgênero - o pai do Chandler, vivido pela fantástica Kathleen Turner. 
  • Empoderamento feminino - Rachel evoluiu durante a série, de uma filha de papai mimada e dependente, para uma bem sucedida profissional da moda. 
  • Inclusão de personagens com condições neuropsiquiátricas - embora não seja dito, Phoebe é nitidamente uma pessoa com traços de TDHA. Se você não concorda, reveja a série prestando atenção exclusivamente na personagem. Mônica, que foi obesa na juventude - revelando ser comedora compulsiva - transfere sua ansiedade para a limpeza e organização, um claro sinal de TOC. Tem ainda a namorada do Ross que raspa o cabelo e a fã louca do Joey (vivida por Brook Shields). 
  • Amadurecimento - o machista, ciumento e possessivo Ross amadurece muito durante a série, chegando a se tornar um homem muito melhor ao final das 10 temporadas. O pai da namorada novinha do Ross (vivido por Bruce Willis) que apesar de se mostrar durão, não passa de um homem inseguro e chorão. 
  • Inclusão de outras etnias - a personagem Charlie, que namora com Joey e Ross na série, uma paleontóloga lindíssima; uma das namoradas do Ross que ele conhece na China. 

Tem muita diversidade sim, em Friends. 

"Ahhh mas no elenco principal não tinha diversidade", pois é, em "Um maluco no pedaço", "eu, a patroa e as crianças" e "todo mundo odeia o Chris" também não tem e ninguém reclama...



terça-feira, 12 de maio de 2026

Depois da festa de 15 anos da criança, nada mais justo que visitar as primas de Catanduva.

Eu não pisava lá a anos, desde o enterro da Meyre. Nunca fui visitar o túmulo - e não sinto nada a esse respeito, pois ali é só a última morada do corpo, sua alma não está lá. Só que descobri que não tem a plaquinha dela, nem da Tia Aracy, nem do vô Costa nem da Tia Ana (roubaram essas duas últimas e um mal entendido deixou as outras de fora), e agora estou cotando plaquinhas de cemitério. 

Lembrei que em setembro de 2025, fez 10 anos de falecimento da minha mãe e eu nem acendi uma vela, só pedi uma missa - e nem foi no dia certo. Isso me torna uma filha relapsa?
É que eu não sou ligada em aniversários de morte. Enfim... Aproveitei a viagem para ir ao cemitério e acender uma vela. 

Então, marcamos e fomos, eu e Carol - Fabio tinha frete. Fomos sábado de manhã e voltamos domingo à noite, pois não tinha ninguém para alimentar os cachorros. No sábado fiz questão de visitar o Zéti. Quanto tempo que eu não o via. Que saudade!

Poli chegou de ônibus depois e ficou até terça. 


Me diverti horrores, como sempre me diverti em todas as viagens para Catanduva. A cidade parece que tem um ar diferente. 

Fomos comemorar o aniversário da Ana Clara. Foi muito, muito especial ter de novo uma família. 

Vale a pena colocar aqui uma visita à Miriam, a amiga da Tia Missina. Acho que ela nem lembrava que eu existi um dia - embora ela sempre estivesse falando mal de nós (meu pai, eu e minha mãe) pelas costas. 

A desquerida focou toda a atenção na sobrinha legítima de Dona Missina, Poliane. Dissecou a vida dela. 
Tá tudo certo, assim caminha a humanidade. 

Livros de ontem e de hoje - parte III

Parte II E chegamos agora aos clássicos populares, a famosa subliteratura, "lixo literário" como diziam na minha época. Os famosos...