terça-feira, 19 de maio de 2026

Um dia eu me peguei pensando que, muitas das coisas que eu consegui na vida, vieram tarde demais.

Meu pai não estava aqui para acompanhar meus passos na faculdade, nem conhecer minha família.

Não tive tempo de apresentar o Fabio e a Carol para Mafalda e Chico e, no meu mundo imaginário, eu penso que eles teriam se dado muito bem (todos teriam adorado conhece-lo).

Minha mãe não teve tempo de conviver com a Carol.

Finalmente, depois de tantos anos, ter contato com um esporte equestre que realmente é divertido e relativamente fácil (ranch sorting) mas a idade e o peso não me permitem mais montar. 

Esses são os mais recentes, mas eu tive muitos outros instantes que me mostraram quão tarde as coisas chegam para mim. 

E eu, como sempre acontece nesses casos, faço a "brincadeira do E SE...".

Inclusive Carol me perguntou dias atrás, "será que o avô Márcio ia gostar de mim?" - com a típica insegurança dela de sempre.
E aí entramos no "e se...". 

E se ele não tivesse morrido, talvez nunca nos mudássemos para o interior (embora essa ideia tivesse vindo dele, quando ainda estava no Tribunal de Contas).
Ainda assim, se ele não tivesse morrido, talvez eu nunca tivesse conhecido o Fabio e Carol não seria Carol.
Porém, num futuro improvável, em que ela e Fabio existissem, eu adoraria que ele estivesse aqui - ele e Meyre (e Chico, Mafalda, enfim...).

Jogando truco e bilhar com o Fabio, ensinando sobre música clássica para a Carol, tentando ensiná-la a jogar xadrez - e falhando miseravelmente, será? como falhou comigo? 
Se aposentando do emprego público e tendo, finalmente, sua pizzaria/rotisserie?
Indo pescar? Com um forno de pão e pizza no quintal e fazendo comida para os amigos?

Impossível saber. 

Ainda no "E se...", e se minha mãe não tivesse morrido, ela estaria mimando muito a neta? Tentaria fazer bolos - um de seus maiores fracassos culinários, seus bolos nunca cresciam.
Ou será que aquela degeneração que vimos acontecer - os esquecimentos, a agressividade - teriam tomado conta dela?

o "e se..." sempre me pega. Desde cedo.

E se Márcio não tivesse morrido, ainda hoje seria petista?
Estaríamos morando todos juntos? Eu teria vivido de forma diferente?

Nada disso é possível saber, então continua tudo na bruma do pensamento.

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 Acho que nem postei aqui, e se postei, foi por puro esquecimento - afinal, aos 52 anos, a gente percebe que a cabeça já não é mais a mesma....