segunda-feira, 15 de junho de 2026

Livros de ontem e de hoje - parte II

 Parte 1

Não é nenhum segredo que os títulos brasileiros são extremamente mal escolhidos e traduzidos. Tanto em livros quanto em filmes. 

Do clássico Spaceballs para "SOS, tem um louco solto no espaço"? Oi? Quem cria esses títulos? 

Por isso, na saga "Os Filhos da Terra", de Jean M. Auel, existe "The Clan of the cave bear", que literal e corretamente deveria ser "O clã do Urso da Caverna". Mas que foi porcamente traduzido como "Ayla, a filha das cavernas" (o livro) e "A tribo da caverna do urso" (o filme, que aliás, pra quem leu o livro, é simplesmente perfeito). 

Todos os outros livros estão corretamente traduzidos, mas o primeiro nos dá esse desgosto, 

                     

Enfim, esses livros são os meus de cabeceira. Uma vez a cada 2 anos eu leio. Todos. Nem preciso dizer que o primeiro está todo remendado, escrito nas bordas, um coisa de doido. E o fato de eu tê-los como livros preferidos me faz ser muito, muito chata em relação a eles. 

A saga tem 6 livros, que mostram a protagonista Ayla, desde sua adoção, seu amadurecimento, aprendizado (livro 1), solidão, domesticação de animais, busca por humanos da sua espécie (livro 2), conexão com eles e as dificuldades de lidar com novos conceitos (livro 3), a enorme viagem pela Europa do paleolítico superior, margeando o Danúbio, atravessando glaciais e chegando, finalmente, na casa de seu companheiro (livro 4 - ela sai da Ucrânia e chega na França). Termina com Ayla treinando para ser a líder espiritual dos Zelandoni, em paz com sua família, filha, cavalos e Lobo (livros 5 e 6).  

Ganhei o primeiro e o segundo, me apaixonei, adquiri o terceiro (meu preferido), esperei ansiosamente pelo lançamento dos outros. Quando, finalmente, saiu o último – A Terra das Cavernas Pintadas – em 2011, a editora Record disse “não ter previsão para o lançamento deste livro no Brasil”, e eu me apavorei e comprei um exemplar em espanhol que demorou pra chegar, mas finalmente, FINALMENTE recebi e li. Li avidamente, com dicionário na mão, mas li. Fiquei anestesiada, pensando se Auel conseguiria lançar mais um, mas aparentemente nunca foi a intenção dela. 

E eu estava lá, feliz, quando descubro que o "não temos data de lançamento" virou 2014. OBVIAMENTE eu fui atrás e comprei o livro. E aí começou o meu problema pessoal com a editora.

Começou nas capas, vejam vocês!
A editora Record lançou os primeiros livros com lindas capas desenhadas. Os 4 primeiros livros foram lançados com belas capas cheias de cores, mostrando Ayla sempre de lado ou de costas em belas paisagens. A partir do quinto livro (O abrigo de Pedra) as capas viraram uma arte abstrata que não combina com as outras, pois a Record resolveu REEDITAR a saga com capas diferentes, mostrando pinturas rupestres. São bonitas, mas esteticamente, ficou incoerente, pois eu tinha 4 livros com uma capa e agora outro volume com uma capa completamente diferente (quem tem Harry Potter e Senhor dos Anéis sabe do que eu estou falando)! 

Ainda assim, o livro era de uma qualidade inegável. E o livro em espanhol (La Tierra de las cuevas pintadas), que nessa altura eu nem considerava um dos livros da minha coleção, tinha uma capa legal, bonita, mas nada que se aproximasse da minha primeira coleção. 

A Terra das Cavernas Pintadas foi lançado "nas coxas": a capa inexpressiva de desenhos rupestres sem qualidade e sem orelhas, o desenho (provavelmente uma reprodução de Lascaux, é sabido que Auel se inspirou em Lascaux e algumas outras cavernas com desenhos para escrever suas histórias, assim como inspirou-se em Shanidar 1 para criar o personagem Creb e Shanidar 4 para criar a personagem Iza) seguiu o penúltimo livro. 

Eu já tinha aceitado ter um livro com a capa diferenciada (não gostei mas aceitei), mas o que realmente me deixou chateada foi a falta de qualidade da edição que a editora lançou. Um livro sem orelhas, onde todos os outros as tinham, a gramatura pobre, os mapas do exemplar com defeitos de impressão e partes do livro mal traduzidos ou com parágrafos faltando – lembrem-se que eu tinha a edição em espanhol para comparar. Sinceramente, um lixo. 

         

Eu falo que teve início o grande desastre da literatura – seja ela traduzida ou escrita própria. 
Falta de respeito com o leitor, sucateamento da literatura.

Parte III

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