Na esteira das recordações, vou contar como era nos 4 anos que eu usei o sus com a minha mãe.
Ela NÃO TINHA CONDIÇÕES de ir de carro, precisava ir de ambulância, não precisava de oxigênio mas precisava ir deitada.
Não precisando do oxigênio, uma simples ambulância fiorino poderia leva-la, não era necessária uma UTI móvel.
Mas cansei de contar as vezes em que ela perdeu a consulta e teve que ser remarcada por "falta de ambulância" e "falta de combustível".
Um dia eu tive que IR BUSCAR A EQUIPE pra uma visita em casa, pq NÃO TINHA GASOLINA NOS CARROS DAS UBS.
As viagens de ambulância eram sempre marcadas com antecedência. Confirmados um dia antes e confirmados na data.
Uma das (ir)responsáveis pelo agendamento das ambulâncias era uma senhora arrogante e escrota que hoje deve ter se aposentado, espero...
Minha casa é construída sobre uma laje piso. A entrada fica no meio e o acesso se dá por um corredor de 1m de largura. Uma maca NÃO PASSA por ali, elas não viram, só passam reclinadas.
Minha mãe, quando teve o AVC, era pesada e precisava sair PELA JANELA do quarto dela, um procedimento arriscado, sim, mas necessário, que me obrigada a sempre pedir ambulâncias de MACA BAIXA.
Os meninos do resgate falaram que sempre que eu precisasse, que ligasse e pedisse pra eles, que eles viriam ajudar, afinal não era obrigação do motorista, certo?
Enfim, um dia eu perguntei pra essa mulher quando a ambulância viria, pq eu precisava ligar pros meninos do resgate (eles vinham num carro baixo, não na van de resgate) e ela literalmente COMEU MEU RABO, que era um absurdo eu deslocar tantas pessoas para transportar apenas uma.
Eu ainda fui educada, sério, humilde, apavorada de ter aquele serviço negado, "mas moça, na minha casa a maca não passa na porta, é o único jeito de tirar a minha mãe dali", e eu ouvi dela: MUDA DE CASA ENTÃO.
Aquilo me remoeu por muito, muito tempo. Então eu pagava meus impostos, meu IR, pra ouvir esse tipo de coisa?
Me peguei pensando no quanto eu me rebaixava, pedia, implorava, esperava, corria atrás...
Meu pensamento era "engole a humilhação pq sua mãe precisa dessa pessoa".
E mesmo assim, uma das consultas mais importantes no neurocirurgião da outra cidade, ela perdeu por birra dessa mulher. Eu demorei UM ANO pra conseguir remarcar de novo, e mesmo assim pq eu ia nos postinhos implorar pros chefes, e numa das trocas de liderança e prefeitura, eles conseguiram "encaixar" minha mãe.
Nesse meio tempo, minha mãe emagreceu, lógico. Passou a pesar 40Kg e era só carregar no colo até a maca, que parava na porta do lado de fora - eu não tive condições de mudar de casa, como sugeriu a mulher do agendamento das ambulâncias.
Só que, dessa vez, eu fui vacinada. Dessa vez eu liguei e perguntei que horas a ambulância vinha, e me falaram que "já já", não tinha "nenhuma no momento.
Bom... A hora limite pra gente sair de casa pra não perder a consulta chegando e nada da ambulância... Eu liguei lá... e falei naquele tom gentil que me é peculiar:
- SE ESSA AMBULÂNCIA CHEGAR ATRASADA, SE EU PERDER A CONSULTA DESSE MÉDICO, EU VOU AÍ COM A POLICIA, COM A TELEVISÃO, EU VOU DESTRUIR VOCÊS, EU QUEBRO TUDO, MOÇA, EU VOU PRESA MAS PODE TER CERTEZA QUE O NOME DE VOCÊS VAI APARECER EM REDE NACIONAL!!!
Infelizmente não era a chefe, era a subordinada (pra quem depois eu liguei e pedi mil desculpas), mas veio uma ambulância legalzinha e nos levou à consulta...
Acha que acabou aí? Naaaaahhhh...
Conversando à toa com o motorista, ele me disse que O PÁTIO ESTAVA CHEIO DE CARROS, e que a chefe tinha esperado ele chegar, mandado ele levar a gente e "largar lá, que eu que me virasse pra voltar, pq ambulância não é táxi, assim ela aprende".
Minha pressão foi no céu.
Brigar com o motorista, não ia adiantar. O que eu fiz? Liguei pra minha advogada, contei o ocorrido e ela disse que, se precisasse, que eu chamasse a TV e a PM e lavrasse um BO, pq estavam negando atendimento á minha mãe, maior de 60 anos, acamada, ou seja, uma pessoa com NECESSIDADE ESPECIAL DUPLA.
Enquanto eu passava pela consulta com o neuro, depois de 1 ano, ela fez umas ligações e, ao sair, me esperava uma semi UTI móvel (não era van, mas era quase), que O PRÓPRIO PREFEITO tinha mandado ir me buscar, e queria saber pq aquilo estava acontecendo...
Dizem que a chefe das ambulâncias tomou uma comida de rabo... Me senti vingada...
Esse foi o resumo de apenas UMA das coisas que a gente passa quando depende de serviço público...
segunda-feira, 28 de maio de 2018
Quando minha mãe teve o AVC e depois de 10 dias, conseguiu vaga no SUS, o que eu mais ouvia era: "precisa fazer tal procedimento, mas tá em falta".
O neuro me explicou, depois, que as sequelas que ficaram nela não foram (só) por causa do AVC, mas principalmente pela demora em colocar uma válvula e drenar a água do cérebro, uma hidrocefalia que ela teve depois. Por causa disso ela passou os próximos 4 anos acamada em estado vegetativo.
"Precisa fazer um exame, mas não temos como fazer nesse hospital e não dá pra levar de ambulância pq ela não aguenta a viagem", "temos que fazer tal medicamento, mas não temos no momento, esperando chegar, já fizemos o pedido", "estamos esperando a visita do infectologista pq a infecção da sua mãe está muito resistente", "precisamos colocar uma sonda na sua mãe mas o responsável precisa assinar o pedido, tem que ver se vai ser aprovado pq é uma sonda Tal e custa caro".
A tal sonda custava menos de 50 reais, e eu me ofereci pra comprar, PELO AMOR DE DEUS, e eles disseram que o SUS não aceita esse tipo de conduta.
E eu esperava, vendo minha mãe piorar ou melhorar conforme as coisas iam chegando. E eu rezava.
Nunca rezei tanto na minha vida.
Na época, não teve greve de caminhão... Teve, sim, e eu não estou falando especificamente da minha cidade, superfaturamento de remédios, de material, desvio de verbas que deveriam ser pro SUS, isso sim, sempre teve e vai continuar tendo.
Então, o próximo que vier me falar "e se fosse um parente seu no hospital esperando chegar um medicamento", eu vou perguntar se essa pessoa já ficou dependente do SUS muito tempo ou se ela tem convênio médico.
Fiz esse texto para comentar sobre a greve dos caminhoneiros que já dura 7 dias.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Paulo me convidou para participar do blog dele, o "precisamos falar sobre...".
Para quem curte textos reflexivos, é uma boa pedida, pois não estaremos sozinhos, mais gente vai participar.
Meu primeiro texto é uma adaptação do que eu escrevi a alguns anos atrás sobre "comprar ou adotar um cão", no blog do Canil. Adaptei "cão" para "animais em geral".
A hospedagem está no Wordpress mas em breve talvez mude para um domínio próprio.
Enjoy it!
Para quem curte textos reflexivos, é uma boa pedida, pois não estaremos sozinhos, mais gente vai participar.
Meu primeiro texto é uma adaptação do que eu escrevi a alguns anos atrás sobre "comprar ou adotar um cão", no blog do Canil. Adaptei "cão" para "animais em geral".
A hospedagem está no Wordpress mas em breve talvez mude para um domínio próprio.
Enjoy it!
sábado, 14 de abril de 2018
FILOSOFANDO...
Quando alguém é contra alguma coisa (qualquer coisa) eu sempre me pergunto até ONDE ela conhece à fundo a causa ao qual ela está se posicionando.
A maioria das pessoas que é CONTRA a criação de cães coloca TODOS os criadores no mesmo balaio, desde aqueles que tem 200 cães empilhados, magros e judiados, até aquela pessoa que tem 2 ou 3 fêmeas e tira 1 ou 2 ninhadas por ano. Não existe um oito ou oitenta.
O mesmo acontece com tudo, simplesmente TUDO nessa vida... A gente se posiciona CONTRA ou À FAVOR de algo simplesmente baseados em achismos e opiniões pessoais, sem uma pesquisa à fundo no problema.
Eu vejo pessoas sendo contra adestramento por N motivos: são contra o enforcador de garras, sem saber que ele existe e é usado em alguns propósitos e situações, não todas. E aí vê UM caso em que detonaram o pescoço do cachorro e usa aquilo O RESTO DA VIDA como bandeira negativa.
Pessoas que não podem nem ouvir falar em COLAR DE CHOQUE, achando que deve ser uma coleira ligada no 220, que o adestrador fica ligando e desligando no interruptor.
A maioria nem sabe quais os modelos, qual a intensidade e, mais importante, PARA QUÊ esse tipo de coleira é utilizada e sua importância em eliminar determinados comportamentos.
Eu vi pessoas se posicionando CONTRA técnicas de correção de cães mal educados com N argumentos, mas que não conseguem controlar seus cães e estes fazem tudo o que querem dentro de casa.
Nosso país é tão escroto que não se pode praticar esportes de tração canina. Em algumas cidades do país, campeonatos de adestramento e agility são proibidos.
Vi pessoas que criticam criadores de cães, por seus cães morarem em canis, mas não criticam instituições como a SUIPA e SOAMA, nem acumuladores travestidos de "protetores".
Vejo pessoas se posicionando CONTRA carroceiros, pegando 1 caso de maus tratos para dar como exemplo, esquecendo dos outros 10 que não maltratam seus animais. E aí já aproveita e quer que criem uma lei proibindo todo o tipo de veículos de tração animal, sem lembrar que existem muitas pessoas que moram em zona rural e PRECISAM de charretes e carroças. Essa pessoa NÃO ESTÁ preocupada com animais ou pessoas, e sim em tranquilizar sua própria consciência, independente do que sua resolução/opinião vai acarretar na vida de outras pessoas.
Esquecem também que existem esportes de atrelagem e corrida de trote.
Tenho visto pessoas contra rodeio e vaquejada, "sou contra e acabou", preferindo não ver que é um esporte que movimenta milhões, gera renda, sustenta famílias e dá emprego.
Colocam tudo "no mesmo saco", como se fosse tudo igual. Tem gente que inclusive diz que é "contra rodeio porque não gosta de musica sertaneja". É como se alguém que não gosta de música clássica quisesse proibir orquestras e óperas.
Os argumentos são sempre os mesmos:
"Na vaquejada pegam o boi pelo rabo" (mentira, é por uma cauda artificial), "o cavalo é maltratado" (mentira, além de ser obrigatório ter um juiz de bem estar animal em cada evento, fiscalizando abusos, os cavalos não podem mais sangrar na cortadeira e nem na espora. Existem punições sérias caso isso aconteça, e assim como no rodeio, os animais tem tratamento especial nas fazendas),
"No rodeio amarram/espetam o saco do boi pra ele pular daquele jeito" (mentira, os touros de rodeio são as estrelas do show, escolhidos à dedo por olheiros nos rodeios de cidade pequena. 60% dos bois que são colocados pra pular não servem pro ofício). Boi pula porque não gosta que montem no seu lombo. Tem boi que vai pra arena e não pula, esses são descartados, mas os que se destacam são comprados por companhias de rodeio e são tratados com ração medida e pesada, capim de boa qualidade. São animais acostumados ao trato no dia a dia, eles TRABALHAM pra viver, entram na arena, pulam e saem.
Aquela corda de crina amarrada na virilha é pra causar um DESCONFORTO, apenas isso, o touro pula sem aquilo se precisar.
As esporas NÃO TEM PONTAS. São apenas parte da indumentária.
"As provas de laço são cruéis", e aí eu te falo "quais?", porque prova de laço tem muitas modalidades.
Se formos ver o calf roping, eu concordo. Bezerros muito novos e tranco muito agressivo no pescoço.
Mas o laço em dupla não tortura. Um laça a cabeça e outro laça o pé, imobilizam o animal, pronto.
O laço comprido, ou tiro de laço, modalidade que tem ganhado espaço pelo resto do Brasil, vinda do Sul, consiste em um vaqueiro laçar uma rês a 100m de distância, com um "laço comprido". Não tem tranco, não tem violência nenhuma.
Sobre as modalidades de rodeio do Sul eu vou me abster de comentar, são diferentes dos rodeios do sudeste, regras e provas próprias, vindas da lida campeira deles.
Pois é, amigo "sou contra", porque agora vem a parte divertida da coisa... Você, sentado na sua poltrona de couro, comendo seu bife, tomando sua gelatina, talvez não saiba que todas essas modalidades de rodeio tem uma MESMA ORIGEM: a lida campeira com o gado.
Se um boi sai correndo na frente da boiada, na estrada ou no pasto, o vaqueiro tem que trazer ele de volta, senão ele pode pular uma cerca, se machucar, ou entrar numa mata ou em outro pasto e aí dá o dobro de trabalho pra tirar o bicho de lá. Então ele corre com o cavalo, pega o boi pelo rabo e vira o boi na direção certa de novo.
Se um boi precisa ser imobilizado pra se curar uma ferida, um vaqueiro laça a cabeça, o outro o pé, derrubam o boi, fazem o curativo e solta o bicho de novo.
Um bezerro recém nascido precisa ter seu umbigo curado quase que imediatamente após o seu nascimento, senão dá bicheira e ele morre de tétano. O vaqueiro PRECISA laçar o bezerrinho enquanto o outro vaqueiro aparta a mãe.
Se um boi PRECISA ser parado, o vaqueiro pula em cima dele, na cabeça, enquanto o outro vem pra ajudar a segurar (modalidade em rodeio chamada bulldog).
Sinto muito se algumas coisas ferem a sua sensibilidade gentil, mas a realidade não é um conto de fadas.
Quer protestar contra algo: busque, pesquise, corra atrás. Não pague mico.
Não seja um babaca caviar criado à leite com pera e ovomaltine no apartamento acarpetado da vovó, com seus gatinhos de raça que comem sachê de salmão.
Saiba que existe um mundo lá fora onde pessoas precisam trabalhar ou morrem de fome e dependem muito dessas modalidades de esporte para dar dignidade ás suas famílias, já que o governo só pensa em roubar zilhões para seus pro´rios bolsos.
Quando alguém é contra alguma coisa (qualquer coisa) eu sempre me pergunto até ONDE ela conhece à fundo a causa ao qual ela está se posicionando.
A maioria das pessoas que é CONTRA a criação de cães coloca TODOS os criadores no mesmo balaio, desde aqueles que tem 200 cães empilhados, magros e judiados, até aquela pessoa que tem 2 ou 3 fêmeas e tira 1 ou 2 ninhadas por ano. Não existe um oito ou oitenta.
O mesmo acontece com tudo, simplesmente TUDO nessa vida... A gente se posiciona CONTRA ou À FAVOR de algo simplesmente baseados em achismos e opiniões pessoais, sem uma pesquisa à fundo no problema.
Eu vejo pessoas sendo contra adestramento por N motivos: são contra o enforcador de garras, sem saber que ele existe e é usado em alguns propósitos e situações, não todas. E aí vê UM caso em que detonaram o pescoço do cachorro e usa aquilo O RESTO DA VIDA como bandeira negativa.
Pessoas que não podem nem ouvir falar em COLAR DE CHOQUE, achando que deve ser uma coleira ligada no 220, que o adestrador fica ligando e desligando no interruptor.
A maioria nem sabe quais os modelos, qual a intensidade e, mais importante, PARA QUÊ esse tipo de coleira é utilizada e sua importância em eliminar determinados comportamentos.
Eu vi pessoas se posicionando CONTRA técnicas de correção de cães mal educados com N argumentos, mas que não conseguem controlar seus cães e estes fazem tudo o que querem dentro de casa.
Nosso país é tão escroto que não se pode praticar esportes de tração canina. Em algumas cidades do país, campeonatos de adestramento e agility são proibidos.
Vi pessoas que criticam criadores de cães, por seus cães morarem em canis, mas não criticam instituições como a SUIPA e SOAMA, nem acumuladores travestidos de "protetores".
Vejo pessoas se posicionando CONTRA carroceiros, pegando 1 caso de maus tratos para dar como exemplo, esquecendo dos outros 10 que não maltratam seus animais. E aí já aproveita e quer que criem uma lei proibindo todo o tipo de veículos de tração animal, sem lembrar que existem muitas pessoas que moram em zona rural e PRECISAM de charretes e carroças. Essa pessoa NÃO ESTÁ preocupada com animais ou pessoas, e sim em tranquilizar sua própria consciência, independente do que sua resolução/opinião vai acarretar na vida de outras pessoas.
Esquecem também que existem esportes de atrelagem e corrida de trote.
Tenho visto pessoas contra rodeio e vaquejada, "sou contra e acabou", preferindo não ver que é um esporte que movimenta milhões, gera renda, sustenta famílias e dá emprego.
Colocam tudo "no mesmo saco", como se fosse tudo igual. Tem gente que inclusive diz que é "contra rodeio porque não gosta de musica sertaneja". É como se alguém que não gosta de música clássica quisesse proibir orquestras e óperas.
Os argumentos são sempre os mesmos:
"Na vaquejada pegam o boi pelo rabo" (mentira, é por uma cauda artificial), "o cavalo é maltratado" (mentira, além de ser obrigatório ter um juiz de bem estar animal em cada evento, fiscalizando abusos, os cavalos não podem mais sangrar na cortadeira e nem na espora. Existem punições sérias caso isso aconteça, e assim como no rodeio, os animais tem tratamento especial nas fazendas),
"No rodeio amarram/espetam o saco do boi pra ele pular daquele jeito" (mentira, os touros de rodeio são as estrelas do show, escolhidos à dedo por olheiros nos rodeios de cidade pequena. 60% dos bois que são colocados pra pular não servem pro ofício). Boi pula porque não gosta que montem no seu lombo. Tem boi que vai pra arena e não pula, esses são descartados, mas os que se destacam são comprados por companhias de rodeio e são tratados com ração medida e pesada, capim de boa qualidade. São animais acostumados ao trato no dia a dia, eles TRABALHAM pra viver, entram na arena, pulam e saem.
Aquela corda de crina amarrada na virilha é pra causar um DESCONFORTO, apenas isso, o touro pula sem aquilo se precisar.
As esporas NÃO TEM PONTAS. São apenas parte da indumentária.
"As provas de laço são cruéis", e aí eu te falo "quais?", porque prova de laço tem muitas modalidades.
Se formos ver o calf roping, eu concordo. Bezerros muito novos e tranco muito agressivo no pescoço.
Mas o laço em dupla não tortura. Um laça a cabeça e outro laça o pé, imobilizam o animal, pronto.
O laço comprido, ou tiro de laço, modalidade que tem ganhado espaço pelo resto do Brasil, vinda do Sul, consiste em um vaqueiro laçar uma rês a 100m de distância, com um "laço comprido". Não tem tranco, não tem violência nenhuma.
Sobre as modalidades de rodeio do Sul eu vou me abster de comentar, são diferentes dos rodeios do sudeste, regras e provas próprias, vindas da lida campeira deles.
Pois é, amigo "sou contra", porque agora vem a parte divertida da coisa... Você, sentado na sua poltrona de couro, comendo seu bife, tomando sua gelatina, talvez não saiba que todas essas modalidades de rodeio tem uma MESMA ORIGEM: a lida campeira com o gado.
Se um boi sai correndo na frente da boiada, na estrada ou no pasto, o vaqueiro tem que trazer ele de volta, senão ele pode pular uma cerca, se machucar, ou entrar numa mata ou em outro pasto e aí dá o dobro de trabalho pra tirar o bicho de lá. Então ele corre com o cavalo, pega o boi pelo rabo e vira o boi na direção certa de novo.
Se um boi precisa ser imobilizado pra se curar uma ferida, um vaqueiro laça a cabeça, o outro o pé, derrubam o boi, fazem o curativo e solta o bicho de novo.
Um bezerro recém nascido precisa ter seu umbigo curado quase que imediatamente após o seu nascimento, senão dá bicheira e ele morre de tétano. O vaqueiro PRECISA laçar o bezerrinho enquanto o outro vaqueiro aparta a mãe.
Se um boi PRECISA ser parado, o vaqueiro pula em cima dele, na cabeça, enquanto o outro vem pra ajudar a segurar (modalidade em rodeio chamada bulldog).
Sinto muito se algumas coisas ferem a sua sensibilidade gentil, mas a realidade não é um conto de fadas.
Quer protestar contra algo: busque, pesquise, corra atrás. Não pague mico.
Não seja um babaca caviar criado à leite com pera e ovomaltine no apartamento acarpetado da vovó, com seus gatinhos de raça que comem sachê de salmão.
Saiba que existe um mundo lá fora onde pessoas precisam trabalhar ou morrem de fome e dependem muito dessas modalidades de esporte para dar dignidade ás suas famílias, já que o governo só pensa em roubar zilhões para seus pro´rios bolsos.
domingo, 8 de abril de 2018
Depois de alguns anos de investigações, processos, delações, etc etc etc, FINALMENTE LULA FOI PRESO.
Fez o costumeiro circo, deu seus discursos de sempre, bêbado, diga-se de passagem, a velha desculpa "sou pobre, sou nordestino, sou isso, sou aquilo", mesmo com uns 200 milhões apreendidos pela PF, mesmo com todas as provas, continua se bradando inocente... e incrivelmente muitos acreditam.
Aliás o DATAFOLHA diz que ele continua na frente na corrida eleitoral. Minha nossa... Quanta mentira.
Enfim, hoje é um dia FELIZ e eu só NÃO SOLTEI FOGOS em respeito aos cães.
Que apodreça na cadeia - algo que sabemos que não vai acontecer - e que muitos o sigam.
Fez o costumeiro circo, deu seus discursos de sempre, bêbado, diga-se de passagem, a velha desculpa "sou pobre, sou nordestino, sou isso, sou aquilo", mesmo com uns 200 milhões apreendidos pela PF, mesmo com todas as provas, continua se bradando inocente... e incrivelmente muitos acreditam.
Aliás o DATAFOLHA diz que ele continua na frente na corrida eleitoral. Minha nossa... Quanta mentira.
Enfim, hoje é um dia FELIZ e eu só NÃO SOLTEI FOGOS em respeito aos cães.
Que apodreça na cadeia - algo que sabemos que não vai acontecer - e que muitos o sigam.
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Carolina e eu discutindo hoje sobre cães e seus rabos e orelhas.
Carol é aquele tipo de ser humano que tem resposta pra tudo.
Inconformada com o fato de dobermanns terem rabo e orelhas operadas, ela perguntou o porque isso acontecia, e eu expliquei que era para que eles ficassem mais bonitos.
"Mas eles ficam mais feios, e não são felizes. Um cachorro precisa do rabo pra ser feliz."
A cada argumento que eu dava ela rebatia com mais 2.
Até que eu encerrei a discussão falando que ela ia ser deserdada. Ela perguntou o que significava "ser deserdado".
- Significa que eu vou colocar você pra fora de casa se você continuar com essa conversa.
Estávamos lavando a garagem. Ela encostou o rodinho e começou a subir as escadas.
- Onde você vai?
- Se você vai me colocar pra fora de casa, eu não vou mais ajudar você a lavar nada.
Ela só tem 6 anos.
Eu tô rindo, mas tô preocupada.
Carol é aquele tipo de ser humano que tem resposta pra tudo.
Inconformada com o fato de dobermanns terem rabo e orelhas operadas, ela perguntou o porque isso acontecia, e eu expliquei que era para que eles ficassem mais bonitos.
"Mas eles ficam mais feios, e não são felizes. Um cachorro precisa do rabo pra ser feliz."
A cada argumento que eu dava ela rebatia com mais 2.
Até que eu encerrei a discussão falando que ela ia ser deserdada. Ela perguntou o que significava "ser deserdado".
- Significa que eu vou colocar você pra fora de casa se você continuar com essa conversa.
Estávamos lavando a garagem. Ela encostou o rodinho e começou a subir as escadas.
- Onde você vai?
- Se você vai me colocar pra fora de casa, eu não vou mais ajudar você a lavar nada.
Ela só tem 6 anos.
Eu tô rindo, mas tô preocupada.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Hoje eu sonhei com você, meu amigo.
Um sonho tão estranho. Eu tinha voltado pro passado, e você foi a primeira pessoa que eu encontrei. De camiseta azul clara, com aquele jeito de sempre...
Demos um abraço e eu comecei a chorar, e você perguntou:
- O que aconteceu?
- É que eu estou feliz em ver você.
E eu queria falar pra ele que em 2001 ele ia sofrer um acidente fatal, mas como explicar que eu sabia? Como contar que eu tinha vindo do futuro? Ele ia achar que era brincadeira.
E aí eu acordei.
Um sonho tão estranho. Eu tinha voltado pro passado, e você foi a primeira pessoa que eu encontrei. De camiseta azul clara, com aquele jeito de sempre...
Demos um abraço e eu comecei a chorar, e você perguntou:
- O que aconteceu?
- É que eu estou feliz em ver você.
E eu queria falar pra ele que em 2001 ele ia sofrer um acidente fatal, mas como explicar que eu sabia? Como contar que eu tinha vindo do futuro? Ele ia achar que era brincadeira.
E aí eu acordei.
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Funeral Blues for Moxito

W. H. Auden
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.
domingo, 17 de setembro de 2017
Depois da Internet ficou muito fácil descobrir diversas coisas que antes, eram praticamente impossíveis.
Quando eu escrevi este post, ainda não havia descoberto a imensa SACANAGEM que a CBKC e a FCI haviam feito...
Um dia, resolvi jogar o nome do meu canil no google, como ele aparece no registro: Navarras, sem o 's.
Eis que surge um canil na Finlãndia, acho, com o nome Navarras, registrado desde 1992. Aquilo me deixou com uma pulga atrás da orelha, e eu joguei no site da FCI todos os afixos que tivessem Navarr no nome. Minha surpresa foi enorme ao ver que aquele papo de "nomes similares".
Tinha tanto, mas tanto afixo chamado Navarra que eu senti um desgosto enorme. Inclusive, descobri que meu canil não chamava Navarra's, nem Navarras, e sim BrasilNavarras.
Por isso, dei baixa no afixo e resolvi escolher outro.
Após dias e dias de buscas infrutíferas - descobri que criadores de cães são nerds ao extremo - achei um que me deixou satisfeita: Donderstorm.
Meu novo afixo se chama Donderstorm, e eu tirei de um livro do Sidney Sheldon.
"Kate levantou-se e principiou a mover-se para a porta, no momento em que explodia um trovão violento e a tormenta irrompia espetacularmente, a chuva incidindo nas janelas com a impetuosidade de rajadas de metralhadora. A família observava, enquanto a anciã alcançava o topo da escada com o aprumo habitual. Um relâmpago rasgou a atmosfera e soou novo trovão. Kate Blackwell voltou-se para os contemplar e, quando falou, empregou o sotaque dos antepassados:
- Na África do Sul, chamávamos a isto uma donderstorm."
(O reverso da Medalha - Sidney Sheldon)
Quando eu escrevi este post, ainda não havia descoberto a imensa SACANAGEM que a CBKC e a FCI haviam feito...
Um dia, resolvi jogar o nome do meu canil no google, como ele aparece no registro: Navarras, sem o 's.
Eis que surge um canil na Finlãndia, acho, com o nome Navarras, registrado desde 1992. Aquilo me deixou com uma pulga atrás da orelha, e eu joguei no site da FCI todos os afixos que tivessem Navarr no nome. Minha surpresa foi enorme ao ver que aquele papo de "nomes similares".
Tinha tanto, mas tanto afixo chamado Navarra que eu senti um desgosto enorme. Inclusive, descobri que meu canil não chamava Navarra's, nem Navarras, e sim BrasilNavarras.
Por isso, dei baixa no afixo e resolvi escolher outro.
Após dias e dias de buscas infrutíferas - descobri que criadores de cães são nerds ao extremo - achei um que me deixou satisfeita: Donderstorm.
Meu novo afixo se chama Donderstorm, e eu tirei de um livro do Sidney Sheldon.
"Kate levantou-se e principiou a mover-se para a porta, no momento em que explodia um trovão violento e a tormenta irrompia espetacularmente, a chuva incidindo nas janelas com a impetuosidade de rajadas de metralhadora. A família observava, enquanto a anciã alcançava o topo da escada com o aprumo habitual. Um relâmpago rasgou a atmosfera e soou novo trovão. Kate Blackwell voltou-se para os contemplar e, quando falou, empregou o sotaque dos antepassados:
- Na África do Sul, chamávamos a isto uma donderstorm."
(O reverso da Medalha - Sidney Sheldon)
De mãe para mãe
Primeiramente Fora Temer mostrarei a postagem que deu início a essa reflexão:
Taís Araújo e a filha que brinca de boneca.
Não entrarei aqui em detalhes sobre desconstrução de gênero e outras teorias sobre esse assunto. O texto abaixo é para, justamente, parabenizar a atriz.
Cara e bela Taís, parabéns por enfrentar essa crise de cabeça erguida!
Então, sua filha gosta de bonecas, princesas e vestidos rodados? Uau! Que surpresa!
Mas não é nada para que você se preocupe, são as surpresas da biologia.
A minha também, e, se você me conhecesse, saberia o quão estranho isso é.
Eu cresci brincando de fazendinha Gulliver e similares. Minha mãe já não aguentava mais me dar aqueles kits de bichos de plástico. Meu sonho de consumo era uma caixa grande de playmobil safári, ou circo, ou fazenda... Nada que NÃO tivesse bichos me interessava. Até as minhas roupas.
Minha mãe era vaidosa, gostava de maquiagens, cintos, bolsas, sapatos, chapéus, vestidos... Eu adorava bermudas, calças jeans, mochila, tênis, camiseta. Odiava sapatos, bolsas, batons. Meu único interesse nos shoppings era a loja Bayard (preferencialmente a do Shopping Ibirapuera), que na época, vendia enforcadores e guias de adestramento profissional. Isso nos anos 80.
No dia a dia, depois da escola, eu brincava com os muitos amigos na rua. Só meninos, as meninas ficavam dentro de casa, não podiam sair e brincar conosco. O que elas faziam dentro de casa? Eu nunca soube. Isso, porque eu nunca fiz amizade com elas na infância, só com os meninos. Brincávamos de pega-pega, esconde esconde, pai da rua, bolinha de gude, pipa, pião, rodávamos o bairro como exploradores, dentro de enormes terrenos baldios que hoje são condomínios. A única coisa que eu não fazia era jogar futebol, eu era muito descoordenada.
Se eu tive bonecas? Algumas. A Gui-Gui, a Emília do sítio do Pica Pau Amarelo, algumas Susies herdadas, uma coleção imensa de fofoletes e uma Barbie, quando eu já era maior.
Minha vida eram sacolas e sacolas de animais de plástico.
Na escola, minha vida foi difícil, pois eu era "peculiar". Queria brincar com os meninos, mas eles não me aceitavam, afinal no recreio o jogo principal era... Futebol. E eu era péssima.
Aí eu tentava me enturmar com as meninas, mas era ainda pior! Eu não sabia brincar de boneca, fogãozinho, comidinha; não usava saias ou brincos, nem gostava de pintar as unhas; e, por ser descoordenada, nunca consegui aprender a pular corda. Mal conseguia pular amarelinha!!
As aulas de educação física, que eram divididas por sexo, eram um pesadelo, pois eu era ruim de vôlei, de corda e, sendo ruim dessas duas atividades, provavelmente era ruim de tudo. Ok, eu era razoavelmente normal em basquete e handball, e muito boa em queimada, mas isso não importava mais.
Eu era aquela que fica sempre por último na hora dos líderes "escolherem os times".
Eu, Taís, era aquela que se veste de menino pra dançar quadrilha na festa junina.
Não uma, nem duas vezes, eu quis ser menino na minha infância. Desesperadamente. Nenhuma menina que eu brincava entendia porque eu gostava tanto de um aviãozinho de plástico ou de um caminhãozinho cheio de bois.
Contrariando todas as expectativas, eu cresci hétero, consegui fazer as pazes com o meu cabelo, coloquei brincos e comprei uns batons. Nunca aprendi a cozinhar, a cuidar de uma casa ou ninar uma criança.
Arrumei alguém, tive uma filha. Lembra quando eu disse que não aprendi a ninar uma criança? Pois é. Eu passava horas sentada no sofá com a minha filha no colo, muda, parada.
- tem que balançar a criança! - me diziam. Sério?
Se dependesse de mim, Taís, minha filha nem teria bonecas, só bichos. Mas ela tem, muitas. Adora. Adora sapatos, roupas, maquiagem. Adora brincar de cozinhar. Adora bolsas, óculos de sol, chapéus. Ama se vestir de saias rodadas, ama as vitrines do shopping. Adora Rosa, lilás e vermelho.
E, ao invés de me perguntar "onde foi que eu errei", eu entendo - e aceito - que ela é um ser humano diferente de mim. Pessoalmente, eu acho que ela "vai sofrer menos" que eu.
Carol tem tantos bichinhos de pelúcia quanto bonecas ou panelinhas.
Isso não significa que ela não goste de Wolverine, Hulk e Tartarugas Ninja, tanto quanto gosta da Princesinha Sofia e Clube das Winks.
Aqui ninguém estressa com isso. Ela é o que ela é. Tem fases. Galinha Pintadinha, Peppa Pig, Princesinha Sofia, Kung Fu Panda.
Deixe sua filha ser o que ela quiser. Isso muda.
Só não entendi o porquê de não ter bonecas em sua casa, uma vez que você tem um menino mais velho e acredita que gênero é uma construção social... Nunca deu bonecas pro garoto brincar?
Abraço
Taís Araújo e a filha que brinca de boneca.
Não entrarei aqui em detalhes sobre desconstrução de gênero e outras teorias sobre esse assunto. O texto abaixo é para, justamente, parabenizar a atriz.
Cara e bela Taís, parabéns por enfrentar essa crise de cabeça erguida!
Então, sua filha gosta de bonecas, princesas e vestidos rodados? Uau! Que surpresa!
Mas não é nada para que você se preocupe, são as surpresas da biologia.
A minha também, e, se você me conhecesse, saberia o quão estranho isso é.
Eu cresci brincando de fazendinha Gulliver e similares. Minha mãe já não aguentava mais me dar aqueles kits de bichos de plástico. Meu sonho de consumo era uma caixa grande de playmobil safári, ou circo, ou fazenda... Nada que NÃO tivesse bichos me interessava. Até as minhas roupas.
Minha mãe era vaidosa, gostava de maquiagens, cintos, bolsas, sapatos, chapéus, vestidos... Eu adorava bermudas, calças jeans, mochila, tênis, camiseta. Odiava sapatos, bolsas, batons. Meu único interesse nos shoppings era a loja Bayard (preferencialmente a do Shopping Ibirapuera), que na época, vendia enforcadores e guias de adestramento profissional. Isso nos anos 80.
No dia a dia, depois da escola, eu brincava com os muitos amigos na rua. Só meninos, as meninas ficavam dentro de casa, não podiam sair e brincar conosco. O que elas faziam dentro de casa? Eu nunca soube. Isso, porque eu nunca fiz amizade com elas na infância, só com os meninos. Brincávamos de pega-pega, esconde esconde, pai da rua, bolinha de gude, pipa, pião, rodávamos o bairro como exploradores, dentro de enormes terrenos baldios que hoje são condomínios. A única coisa que eu não fazia era jogar futebol, eu era muito descoordenada.
Se eu tive bonecas? Algumas. A Gui-Gui, a Emília do sítio do Pica Pau Amarelo, algumas Susies herdadas, uma coleção imensa de fofoletes e uma Barbie, quando eu já era maior.
Minha vida eram sacolas e sacolas de animais de plástico.
Na escola, minha vida foi difícil, pois eu era "peculiar". Queria brincar com os meninos, mas eles não me aceitavam, afinal no recreio o jogo principal era... Futebol. E eu era péssima.
Aí eu tentava me enturmar com as meninas, mas era ainda pior! Eu não sabia brincar de boneca, fogãozinho, comidinha; não usava saias ou brincos, nem gostava de pintar as unhas; e, por ser descoordenada, nunca consegui aprender a pular corda. Mal conseguia pular amarelinha!!
As aulas de educação física, que eram divididas por sexo, eram um pesadelo, pois eu era ruim de vôlei, de corda e, sendo ruim dessas duas atividades, provavelmente era ruim de tudo. Ok, eu era razoavelmente normal em basquete e handball, e muito boa em queimada, mas isso não importava mais.
Eu era aquela que fica sempre por último na hora dos líderes "escolherem os times".
Eu, Taís, era aquela que se veste de menino pra dançar quadrilha na festa junina.
Não uma, nem duas vezes, eu quis ser menino na minha infância. Desesperadamente. Nenhuma menina que eu brincava entendia porque eu gostava tanto de um aviãozinho de plástico ou de um caminhãozinho cheio de bois.
Contrariando todas as expectativas, eu cresci hétero, consegui fazer as pazes com o meu cabelo, coloquei brincos e comprei uns batons. Nunca aprendi a cozinhar, a cuidar de uma casa ou ninar uma criança.
Arrumei alguém, tive uma filha. Lembra quando eu disse que não aprendi a ninar uma criança? Pois é. Eu passava horas sentada no sofá com a minha filha no colo, muda, parada.
- tem que balançar a criança! - me diziam. Sério?
Se dependesse de mim, Taís, minha filha nem teria bonecas, só bichos. Mas ela tem, muitas. Adora. Adora sapatos, roupas, maquiagem. Adora brincar de cozinhar. Adora bolsas, óculos de sol, chapéus. Ama se vestir de saias rodadas, ama as vitrines do shopping. Adora Rosa, lilás e vermelho.
E, ao invés de me perguntar "onde foi que eu errei", eu entendo - e aceito - que ela é um ser humano diferente de mim. Pessoalmente, eu acho que ela "vai sofrer menos" que eu.
Carol tem tantos bichinhos de pelúcia quanto bonecas ou panelinhas.
Isso não significa que ela não goste de Wolverine, Hulk e Tartarugas Ninja, tanto quanto gosta da Princesinha Sofia e Clube das Winks.
Aqui ninguém estressa com isso. Ela é o que ela é. Tem fases. Galinha Pintadinha, Peppa Pig, Princesinha Sofia, Kung Fu Panda.
Deixe sua filha ser o que ela quiser. Isso muda.
Só não entendi o porquê de não ter bonecas em sua casa, uma vez que você tem um menino mais velho e acredita que gênero é uma construção social... Nunca deu bonecas pro garoto brincar?
Abraço
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