Eu tive muitos primos (ainda tenho, porém a vida nos afastou).
Os mais chegados a nós eram a Poliane e o Fernando, filhos de um dos irmãos mais velhos da minha mãe.
Quase todos os finais de semana eu ia pra casa deles, ou a Poli vinha pra casa, e a gente sempre "fazia alguma coisa".
Ela é mais velha que eu uns 4 ou 5 anos, e tinha uma turma "zoada", que eu adorava. E embora eu também tivesse a minha turma "zoada", era diferente. Com eles eu me sentia mais adulta.
Mas o assunto não é sobre turmas.
É sobre o poder das lembranças.
Sempre que eu ia à casa deles, naqueles sábados cheios de marasmo, estava tocando uma música. Alta, e boa, em algum vinil com uma super capa, como costumava ser nos anos 80.
Ali eu aprendi a ouvir Supertramp, Duran Duran, U2...
Mas a cada cinco vezes que eu chegava, em três estava tocando uma música chorada, triste... Que eu achava "brega", o cantor tinha uma voz chorosa... Eu realmente não gostava.
Bom, hoje é uma das minhas músicas favoritas... Pois o tempo se encarrega de afinar nossos ouvidos...
Essa música me lembra anos 80, tempo bom, época incrível que os anos não trarão de volta...
Com vocês, Peter Frampton - Baby, I love your away.
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Em 1986 a Rede Globo passou uma das mais belas novelas brasileiras. Chamava Sinhá Moça.
Tinha Lucélia Santos no papel de Sinhá Moça, Marcos Paulo como Rodolfo, Rubens de Falco, Patrícia Pillar, Raymundo de Souza e grande elenco.
Eu tinha quase 13 anos na época e assisti quase inteira.
E me marcou muito o poema que Rodolfo declama para Sinhá Moça. A versão de 2006 eu não assisti e não sei se repetiram a cena.
Enfim, Laço de Fita foi uma poesia que sempre me encantou.
Hoje lembrei dela.
Tinha Lucélia Santos no papel de Sinhá Moça, Marcos Paulo como Rodolfo, Rubens de Falco, Patrícia Pillar, Raymundo de Souza e grande elenco.
Eu tinha quase 13 anos na época e assisti quase inteira.
E me marcou muito o poema que Rodolfo declama para Sinhá Moça. A versão de 2006 eu não assisti e não sei se repetiram a cena.
Enfim, Laço de Fita foi uma poesia que sempre me encantou.
Hoje lembrei dela.
O LAÇO DE FITA
Castro Alves
Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.
Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.
Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.
E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!
Meu Deusl As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.
Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.
Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.
Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepital
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.
S. Paulo, Julho de 1868.
terça-feira, 25 de setembro de 2018
Existe uma escritora chamada Stella Florence que me ajudou a superar meus problemas mais do que ela ou qualquer pessoa imagina.
Cada livro que eu lia, parecia uma mensagem para mim, o conselho de uma amiga que eu não conhecia, mas que me conhecia muito bem.
Já à dias tenho pensado nas minhas coisas, e hoje eu lembrei de um conto dela que retrata exatamente o que eu fiz durante um período significativo da minha vida - um período que deixou mágoas profundas em mim.
Resolvi procurar o texto na internet e reler. Na busca, acabei saindo no blog da escritora.
Lá, tinha um texto. Perfeito. Como se me esperasse. Como se fosse escrito pra mim, me ajudando, mais uma vez.
Obrigada, Stella.
Há algum tempo, condoída pelo fora que uma amiga levara, escrevi um texto de presente para ela: uma carta de desamor.
Na época, fez bem a ela ter a experiência materializada em texto: texto que poderia ser entregue ao dito cujo (e foi), texto que poderia ser impresso e simbolicamente queimado (e foi), texto que poderia fazê-la erguer a cabeça e a autoestima (e fez).
Se ele ajudou uma mulher, pode ajudar duas, três… Acrescente o que você quiser ao miolo dessa carta e torne-a sua: o final (um dos meus mantras preferidos) é o que realmente importa.
***
Me desculpe por eu ter tomado a iniciativa. Me desculpe por ter almoçado com você tantas vezes. Me desculpe por ter ligado.
Me desculpe pela chuva que tomamos subindo a Augusta. Me desculpe por ter acreditado nas suas mensagens. Me desculpe por ter rido das suas piadas.
Me desculpe pelos machucados que sua ex deixou em você. Me desculpe por eu ter vindo logo depois dela. Me desculpe por tentar entender seu silêncio.
Me desculpe pelo que foi ruim. Me desculpe pelo que foi bom. Me desculpe por eu ter subestimado o que foi ruim e superestimado o que foi bom.
Me desculpe por eu não ter usado máscara. Me desculpe por querer mais. Me desculpe por supor que você também quisesse mais.
Me desculpe por ter dito “sim”. Me desculpe por eu confiado em você. Me desculpe pela cinta-liga que eu comprei para te agradar.
Me desculpe por, em algum momento, eu ter te amado. Me desculpe por, em algum momento, eu ter te achado bonito. Me desculpe por, em algum momento, eu ter acreditado que você era o homem da minha vida.
Me desculpe pelos seus erros de português. Me desculpe pelos erros de português da sua nova namorada. Me desculpe por a sua nova namorada achar que margaridas são flores menos nobres.
Me desculpe pelos 130 quilômetros de congestionamento que eu atravessei para te ver. Me desculpe pela barata que eu tive de matar na sua cozinha. Me desculpe por eu ter permitido que você deixasse a TV ligada no jogo do Palmeiras enquanto nós transávamos.
Me desculpe por eu ter acreditado que você compreendia meu olhar. Me desculpe por eu ter dito coisas lindas para você. Me desculpe por você não ter entendido um terço do que eu disse.
Mas, sobretudo, me desculpe por pedir essas ridículas, inúteis e dolorosas desculpas. Que, naturalmente, não são para você: são para mim.
Afinal, porcos não reconhecem pérolas.
Stella Florence - Uma carta de desamor
Cada livro que eu lia, parecia uma mensagem para mim, o conselho de uma amiga que eu não conhecia, mas que me conhecia muito bem.
Já à dias tenho pensado nas minhas coisas, e hoje eu lembrei de um conto dela que retrata exatamente o que eu fiz durante um período significativo da minha vida - um período que deixou mágoas profundas em mim.
Resolvi procurar o texto na internet e reler. Na busca, acabei saindo no blog da escritora.
Lá, tinha um texto. Perfeito. Como se me esperasse. Como se fosse escrito pra mim, me ajudando, mais uma vez.
Obrigada, Stella.
Há algum tempo, condoída pelo fora que uma amiga levara, escrevi um texto de presente para ela: uma carta de desamor.
Na época, fez bem a ela ter a experiência materializada em texto: texto que poderia ser entregue ao dito cujo (e foi), texto que poderia ser impresso e simbolicamente queimado (e foi), texto que poderia fazê-la erguer a cabeça e a autoestima (e fez).
Se ele ajudou uma mulher, pode ajudar duas, três… Acrescente o que você quiser ao miolo dessa carta e torne-a sua: o final (um dos meus mantras preferidos) é o que realmente importa.
***
Me desculpe por eu ter tomado a iniciativa. Me desculpe por ter almoçado com você tantas vezes. Me desculpe por ter ligado.
Me desculpe pela chuva que tomamos subindo a Augusta. Me desculpe por ter acreditado nas suas mensagens. Me desculpe por ter rido das suas piadas.
Me desculpe pelos machucados que sua ex deixou em você. Me desculpe por eu ter vindo logo depois dela. Me desculpe por tentar entender seu silêncio.
Me desculpe pelo que foi ruim. Me desculpe pelo que foi bom. Me desculpe por eu ter subestimado o que foi ruim e superestimado o que foi bom.
Me desculpe por eu não ter usado máscara. Me desculpe por querer mais. Me desculpe por supor que você também quisesse mais.
Me desculpe por ter dito “sim”. Me desculpe por eu confiado em você. Me desculpe pela cinta-liga que eu comprei para te agradar.
Me desculpe por, em algum momento, eu ter te amado. Me desculpe por, em algum momento, eu ter te achado bonito. Me desculpe por, em algum momento, eu ter acreditado que você era o homem da minha vida.
Me desculpe pelos seus erros de português. Me desculpe pelos erros de português da sua nova namorada. Me desculpe por a sua nova namorada achar que margaridas são flores menos nobres.
Me desculpe pelos 130 quilômetros de congestionamento que eu atravessei para te ver. Me desculpe pela barata que eu tive de matar na sua cozinha. Me desculpe por eu ter permitido que você deixasse a TV ligada no jogo do Palmeiras enquanto nós transávamos.
Me desculpe por eu ter acreditado que você compreendia meu olhar. Me desculpe por eu ter dito coisas lindas para você. Me desculpe por você não ter entendido um terço do que eu disse.
Mas, sobretudo, me desculpe por pedir essas ridículas, inúteis e dolorosas desculpas. Que, naturalmente, não são para você: são para mim.
Afinal, porcos não reconhecem pérolas.
Stella Florence - Uma carta de desamor
Existem momentos em que você para tudo para refletir sobre a sua vida.
Eu estou, nessa semana, fazendo isso: uma auto análise. Um auto conhecimento. Recordando o passado (hoje cheguei aos meus 11 anos).
Enfim, relembrando tudo que me aconteceu para que eu fosse quem eu sou hoje.
Haja coragem. Pois isso dói. Ninguém passa livre de farpas, pela vida.
Quando uma dessas farpas não é removida, ela continua ali, mesmo sem doer.
Quem faz esse tipo de exercício mental, precisa estar preparado pra relembrar dessas farpas, pois dói.
Eu estou, nessa semana, fazendo isso: uma auto análise. Um auto conhecimento. Recordando o passado (hoje cheguei aos meus 11 anos).
Enfim, relembrando tudo que me aconteceu para que eu fosse quem eu sou hoje.
Haja coragem. Pois isso dói. Ninguém passa livre de farpas, pela vida.
Quando uma dessas farpas não é removida, ela continua ali, mesmo sem doer.
Quem faz esse tipo de exercício mental, precisa estar preparado pra relembrar dessas farpas, pois dói.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Depois que se adquire uma certa idade, ao olhar para trás, verificamos que tudo na vida foi aprendizado.
Se e como sobrevivemos às experiências, se foram boas ou más, fortuitas ou duradouras, se deixaram "rastro", tudo isso nos ajuda a sermos mais fortes e aprendermos a lidar com a nossa vida. Tudo nos dá maturidade para o futuro.
Por mais que algo na nossa vida doa, acaba sendo proveitoso.
Pela minha experiência, especificamente, três coisas me fizeram mais forte:
Experiências passadas por terceiros são as mais difíceis de internalizar, pois não é conosco que aconteceu o problema. Você está ouvindo um relato e pensa que "comigo teria sido diferente", ou "eu teria feito tal coisa".
Na verdade, talvez sim, talvez não, e você só saberá quando confrontado por uma experiência semelhante. A verdade, é que enquanto não passarmos pela mesma situação, não saberemos como reagir. Mas sempre, sempre aproveite para saber como outros lidaram com determinada situação, para tentar não cometer os mesmos erros.
As perdas financeiras e as sociedades desfeitas deixam um rastro profundo, mas são muito úteis para que, no futuro, deixemos de acreditar em falsos planos, promessas mirabolantes, etc. Uma perda financeira demora anos para ser quitada, perdemos amigos no caminho, mas nos fortalece de forma incrível. Nada mais glorioso do que ressurgir depois de "quebrar".
Talvez o mesmo valha para as perdas de amizade. Diz um ditado que, se perdeu, não era seu amigo, e pode até ser verdade, mas nunca sabemos até onde a nossa culpa acaba e onde começa a do outro, pois nossa tendência é vermos apenas o nosso lado. Apenas depois de muita reflexão e autocritica, podemos estabelecer os porquês de uma amizade terem acabado.
A mais dolorosa é a perda amorosa, sem dúvida.
Eu perdi amores e perdi familiares (que também são amores).
Os primeiros para a vida, os segundos, para a morte.
E... é engraçado... Eu achava que a pior dor do mundo era perder minha família, e num certo sentido foi. Perder meu pais, meus avós e, recentemente, minha mãe, foi uma dor que me traz tristeza profunda, saudade, nostalgia.
Perder meu pai cedo - 16 anos - perder minha mãe como perdi, e mais algumas circunstâncias da minha vida me fizeram ter depressão. Hoje diria que ou era leve, ou tratei dela cedo. Tomei meus remédios, fiz minha terapia, e hoje a depressão é só uma sombra que ronda por perto, voltando quando acontecem determinados episódios.
Quando minha mãe ficou doente e eu cuidava dela, a depressão voltou. Ninguém conhece você como você mesmo, então eu percebi que "algo estava errado"; notei que estava tendo atitudes estranhas, como querer dormir cobrindo a cabeça e em posição fetal (coisas que eu definitivamente não faço), não querer sair de casa, não querer pegar estradas de carro, "ver" acidentes acontecendo na minha imaginação no momento em que o carro pega a estrada... Atitudes totalmente contrárias à minha pessoa; fui para minha terapeuta, ela me indicou um neuro que me passou alguns remédios, e tudo passou.
Mas perder um amor pode ser mais doloroso que perder um parente. Ou, ao menos, para mim, foi. A pior dor que eu já senti na vida? Perder fulano.
Meus pais, talvez eu estivesse preparada, pois ambos ficaram doentes, e doeu, sim.
Numa sincera análise autocrítica, depois de muitos anos, posso fazer algumas ressalvas, e talvez a dor maior seja justamente pela maior parte da "culpa" ser minha. Pois, como eu disse, aprendemos com a experiência, e essa me levou a entender que:
Depois de anos de terapia tentando entender a perda de fulano para outra e tudo que aconteceu na sequência, entendi que eu amei muito e ele... se deixou amar. Era fácil, era cômodo, era útil. Mas a rapidez e facilidade com que eu fui trocada - por alguém pior, ao meu ver - doeu tanto, tanto, que anos e anos de terapia foram jogados pela janela.
Doía no peito, fisicamente. Eu acordava de manhã e pensava que ainda estava viva, mas que seria melhor estar morta, de tanta dor.
Nesse período, chorosa, magoada, triste, a melhor frase que ouvi foi "dor de amor não mata; você não vai morrer, vai doer, mas vai passar". Incrível como ouvir o óbvio ajuda. Não, eu não morri e a dor foi diminuindo com os anos.
Me afoguei em bebida, em loucuras, em outras pessoas. Algumas eu nem lembro o nome, outras eu nem lembro o que fiz, se fiz. Queria apenas a benção do esquecimento momentâneo. O tempo passou, a dor atenuou, nunca sarou completamente, mas atenuou. E, durante as terapias e as horas de reflexão, percebi que eu precisava de respostas que só ele poderia me dar.
O tempo separou aquele casal e eu fui atrás das minhas respostas. Mas, na ânsia da saudade, obtive respostas incompletas. Ou talvez não tenha insistido... O fato é que eu me decepcionei novamente.
Só que, dessa vez, eu me dei uma chance de ser feliz, comecei um relacionamento com alguém que me valorizava, casei, montei minha família, tenho um marido e uma filha... Fulano, o passado, casou logo depois com uma boa pessoa - uma das armadilhas do amor é que quando amamos, queremos ver a pessoa bem. Eu achei que estava em paz.
Leia lá em cima de novo. "Nunca deixe uma história incompleta, feche seus círculos".
Pois o passado volta, sempre.
Depois de quase 12 anos, meu passado voltou com uma força impressionante para me assombrar.
Na verdade não foi "o passado" que voltou, foram as lembranças, e elas vieram à tona na forma de 2 fotos antigas que um amigo jogou em um grupo de whatts. Duas pequenas fotos, onde fulano aparecia. Dois momentos da vida dele. Eu olhei as fotos e tudo veio à tona, as lembranças, os sentimentos de dor, perda, tristeza. Porque eu lembro exatamente de cada momento em que as fotos foram tiradas. Lembro dele contando do local de uma das fotos, e a outra foto, quando ele já não estava mais convivendo comigo, mas eu lembro da foto, e lembro da dor de quando eu a vi pela primeira vez. Tudo isso veio de uma vez, como um soco.
E... novamente, é engraçado... Eu tenho a esposa dele adicionada no Face (nós nos conhecíamos antes dos nossos respectivos casamentos). Ela sempre posta fotos deles, atuais, com o filho, com ele, em momentos de família. Fotos recentes que não me abalam nem um pingo, até acho graça, "é, todos envelhecem"...
Mas ver aquelas duas fotos de momentos passados, dolorosos, foi algo para o qual eu não estava preparada. Doeu. Muito.
Quando isso me acontece, eu sempre faço minhas auto análises, e fico dias e dias pensando, e nesse caso, eu achei que o círculo havia fechado. E vi que não. Mas agora, não são mais de respostas que eu preciso, preciso desabafar. Talvez eu precise dizer, cara a cara, sobre essa dor, e qual a parcela de culpa dele nisso tudo.
Algo que, nessa vida, é impraticável. O cara vai achar que eu bebi. Ou que sou louca.
Portanto, lembre-se: feche seus círculos.
Se e como sobrevivemos às experiências, se foram boas ou más, fortuitas ou duradouras, se deixaram "rastro", tudo isso nos ajuda a sermos mais fortes e aprendermos a lidar com a nossa vida. Tudo nos dá maturidade para o futuro.
Por mais que algo na nossa vida doa, acaba sendo proveitoso.
Pela minha experiência, especificamente, três coisas me fizeram mais forte:
- perdas no amor/amizade
- perdas financeiras
- exemplo dado por terceiros
Experiências passadas por terceiros são as mais difíceis de internalizar, pois não é conosco que aconteceu o problema. Você está ouvindo um relato e pensa que "comigo teria sido diferente", ou "eu teria feito tal coisa".
Na verdade, talvez sim, talvez não, e você só saberá quando confrontado por uma experiência semelhante. A verdade, é que enquanto não passarmos pela mesma situação, não saberemos como reagir. Mas sempre, sempre aproveite para saber como outros lidaram com determinada situação, para tentar não cometer os mesmos erros.
As perdas financeiras e as sociedades desfeitas deixam um rastro profundo, mas são muito úteis para que, no futuro, deixemos de acreditar em falsos planos, promessas mirabolantes, etc. Uma perda financeira demora anos para ser quitada, perdemos amigos no caminho, mas nos fortalece de forma incrível. Nada mais glorioso do que ressurgir depois de "quebrar".
Talvez o mesmo valha para as perdas de amizade. Diz um ditado que, se perdeu, não era seu amigo, e pode até ser verdade, mas nunca sabemos até onde a nossa culpa acaba e onde começa a do outro, pois nossa tendência é vermos apenas o nosso lado. Apenas depois de muita reflexão e autocritica, podemos estabelecer os porquês de uma amizade terem acabado.
A mais dolorosa é a perda amorosa, sem dúvida.
Eu perdi amores e perdi familiares (que também são amores).
Os primeiros para a vida, os segundos, para a morte.
E... é engraçado... Eu achava que a pior dor do mundo era perder minha família, e num certo sentido foi. Perder meu pais, meus avós e, recentemente, minha mãe, foi uma dor que me traz tristeza profunda, saudade, nostalgia.
Perder meu pai cedo - 16 anos - perder minha mãe como perdi, e mais algumas circunstâncias da minha vida me fizeram ter depressão. Hoje diria que ou era leve, ou tratei dela cedo. Tomei meus remédios, fiz minha terapia, e hoje a depressão é só uma sombra que ronda por perto, voltando quando acontecem determinados episódios.
Quando minha mãe ficou doente e eu cuidava dela, a depressão voltou. Ninguém conhece você como você mesmo, então eu percebi que "algo estava errado"; notei que estava tendo atitudes estranhas, como querer dormir cobrindo a cabeça e em posição fetal (coisas que eu definitivamente não faço), não querer sair de casa, não querer pegar estradas de carro, "ver" acidentes acontecendo na minha imaginação no momento em que o carro pega a estrada... Atitudes totalmente contrárias à minha pessoa; fui para minha terapeuta, ela me indicou um neuro que me passou alguns remédios, e tudo passou.
Mas perder um amor pode ser mais doloroso que perder um parente. Ou, ao menos, para mim, foi. A pior dor que eu já senti na vida? Perder fulano.
Meus pais, talvez eu estivesse preparada, pois ambos ficaram doentes, e doeu, sim.
Numa sincera análise autocrítica, depois de muitos anos, posso fazer algumas ressalvas, e talvez a dor maior seja justamente pela maior parte da "culpa" ser minha. Pois, como eu disse, aprendemos com a experiência, e essa me levou a entender que:
- Não se perde o que não se tem;
- Ninguém ama com a mesma intensidade;
- Nunca deixe uma história incompleta, feche seus círculos.
Depois de anos de terapia tentando entender a perda de fulano para outra e tudo que aconteceu na sequência, entendi que eu amei muito e ele... se deixou amar. Era fácil, era cômodo, era útil. Mas a rapidez e facilidade com que eu fui trocada - por alguém pior, ao meu ver - doeu tanto, tanto, que anos e anos de terapia foram jogados pela janela.
Doía no peito, fisicamente. Eu acordava de manhã e pensava que ainda estava viva, mas que seria melhor estar morta, de tanta dor.
Nesse período, chorosa, magoada, triste, a melhor frase que ouvi foi "dor de amor não mata; você não vai morrer, vai doer, mas vai passar". Incrível como ouvir o óbvio ajuda. Não, eu não morri e a dor foi diminuindo com os anos.
Me afoguei em bebida, em loucuras, em outras pessoas. Algumas eu nem lembro o nome, outras eu nem lembro o que fiz, se fiz. Queria apenas a benção do esquecimento momentâneo. O tempo passou, a dor atenuou, nunca sarou completamente, mas atenuou. E, durante as terapias e as horas de reflexão, percebi que eu precisava de respostas que só ele poderia me dar.
O tempo separou aquele casal e eu fui atrás das minhas respostas. Mas, na ânsia da saudade, obtive respostas incompletas. Ou talvez não tenha insistido... O fato é que eu me decepcionei novamente.
Só que, dessa vez, eu me dei uma chance de ser feliz, comecei um relacionamento com alguém que me valorizava, casei, montei minha família, tenho um marido e uma filha... Fulano, o passado, casou logo depois com uma boa pessoa - uma das armadilhas do amor é que quando amamos, queremos ver a pessoa bem. Eu achei que estava em paz.
Leia lá em cima de novo. "Nunca deixe uma história incompleta, feche seus círculos".
Pois o passado volta, sempre.
Depois de quase 12 anos, meu passado voltou com uma força impressionante para me assombrar.
Na verdade não foi "o passado" que voltou, foram as lembranças, e elas vieram à tona na forma de 2 fotos antigas que um amigo jogou em um grupo de whatts. Duas pequenas fotos, onde fulano aparecia. Dois momentos da vida dele. Eu olhei as fotos e tudo veio à tona, as lembranças, os sentimentos de dor, perda, tristeza. Porque eu lembro exatamente de cada momento em que as fotos foram tiradas. Lembro dele contando do local de uma das fotos, e a outra foto, quando ele já não estava mais convivendo comigo, mas eu lembro da foto, e lembro da dor de quando eu a vi pela primeira vez. Tudo isso veio de uma vez, como um soco.
E... novamente, é engraçado... Eu tenho a esposa dele adicionada no Face (nós nos conhecíamos antes dos nossos respectivos casamentos). Ela sempre posta fotos deles, atuais, com o filho, com ele, em momentos de família. Fotos recentes que não me abalam nem um pingo, até acho graça, "é, todos envelhecem"...
Mas ver aquelas duas fotos de momentos passados, dolorosos, foi algo para o qual eu não estava preparada. Doeu. Muito.
Quando isso me acontece, eu sempre faço minhas auto análises, e fico dias e dias pensando, e nesse caso, eu achei que o círculo havia fechado. E vi que não. Mas agora, não são mais de respostas que eu preciso, preciso desabafar. Talvez eu precise dizer, cara a cara, sobre essa dor, e qual a parcela de culpa dele nisso tudo.
Algo que, nessa vida, é impraticável. O cara vai achar que eu bebi. Ou que sou louca.
Portanto, lembre-se: feche seus círculos.
terça-feira, 18 de setembro de 2018
A idade traz a sabedoria
Conversando com um amigo sobre "grupos de putaria do facebook", através de áudios de watts, o mesmo estava reclamando que teve seu perfil bloqueado algumas horas; eu respondi que provavelmente por alguma denuncia, alguma foto de nude que ele enviou e a mulher se sentiu ofendida e denunciou, enfim, esse tipo de coisa comum que costuma ocorrer em grupos dessa temática.
Meu marido, deitado no sofá, ouviu a conversa e perguntou por que ele não podia fazer parte desses grupos de putaria.
Eu respondi: mas eu nunca proibi, entra se você quiser.
Posso?
Claro, amor. Só tenho umas regras a esse respeito: se por acaso rolar contato carnal, não quero encheção de saco, ligações de madrugada, etc. Nada de "caso sério", é trepada de uma saída e só; nada de deixar compromissos familiares de lado; nada de doenças venéreas, use camisinha e, por fim, aceite a reciprocidade.
Reciprocidade, como?
Ué, se você pode, eu também posso...
Marido resmungou aqui e desistiu de grupos de putaria... disse que estava só brincando.
Conversando com um amigo sobre "grupos de putaria do facebook", através de áudios de watts, o mesmo estava reclamando que teve seu perfil bloqueado algumas horas; eu respondi que provavelmente por alguma denuncia, alguma foto de nude que ele enviou e a mulher se sentiu ofendida e denunciou, enfim, esse tipo de coisa comum que costuma ocorrer em grupos dessa temática.
Meu marido, deitado no sofá, ouviu a conversa e perguntou por que ele não podia fazer parte desses grupos de putaria.
Eu respondi: mas eu nunca proibi, entra se você quiser.
Posso?
Claro, amor. Só tenho umas regras a esse respeito: se por acaso rolar contato carnal, não quero encheção de saco, ligações de madrugada, etc. Nada de "caso sério", é trepada de uma saída e só; nada de deixar compromissos familiares de lado; nada de doenças venéreas, use camisinha e, por fim, aceite a reciprocidade.
Reciprocidade, como?
Ué, se você pode, eu também posso...
Marido resmungou aqui e desistiu de grupos de putaria... disse que estava só brincando.
sábado, 15 de setembro de 2018
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Sempre fui cinéfila.
Quando, um dia, conseguimos comprar um videocassete e aprendi a gravar filmes da TV, em qualidade baixa pra caberem 3 filmes em uma fita, sem os créditos, etc... Eu tinha Muitos filmes gravados da Tela Quente e Sessão da Tarde, sem comerciais.
Com o tempo aprendi o valor dos filmes em boa qualidade e gravava um por fita.
E depois de uns anos, pedia pra fazerem cópias dos filmes pra mim.
Depois que eu mudei pra Birigui, descobri que locadoras vendiam fitas excedentes, e que tinha também como encomendar filmes, e comecei a comprar as fitas originais.
Rei Leão, legendado, Jumanji, legendado, com a caixa decorada, Jurassic Park com a caixa imitando pedra.
Na era dos DVD's, eu pedia pra gravarem filmes pra mim - nunca consegui gravar um filme bem gravado. Daí, no mesmo esquema, mas locadoras vendiam excedentes, então dava pra comprar filmes legais por um preço razoável, e com as vendas pela internet, algumas lojas também vendiam os filmes... Uns mais caros, outros mais baratos... O fato é que era possível colecionar filmes.
Meu armário de filmes em DVD está lotado, não cabe mais nada.
E agora eu instalei o torrent. Madre mia... rssss
Quando, um dia, conseguimos comprar um videocassete e aprendi a gravar filmes da TV, em qualidade baixa pra caberem 3 filmes em uma fita, sem os créditos, etc... Eu tinha Muitos filmes gravados da Tela Quente e Sessão da Tarde, sem comerciais.
Com o tempo aprendi o valor dos filmes em boa qualidade e gravava um por fita.
E depois de uns anos, pedia pra fazerem cópias dos filmes pra mim.
Depois que eu mudei pra Birigui, descobri que locadoras vendiam fitas excedentes, e que tinha também como encomendar filmes, e comecei a comprar as fitas originais.
Rei Leão, legendado, Jumanji, legendado, com a caixa decorada, Jurassic Park com a caixa imitando pedra.
Na era dos DVD's, eu pedia pra gravarem filmes pra mim - nunca consegui gravar um filme bem gravado. Daí, no mesmo esquema, mas locadoras vendiam excedentes, então dava pra comprar filmes legais por um preço razoável, e com as vendas pela internet, algumas lojas também vendiam os filmes... Uns mais caros, outros mais baratos... O fato é que era possível colecionar filmes.
Meu armário de filmes em DVD está lotado, não cabe mais nada.
E agora eu instalei o torrent. Madre mia... rssss
Carol ralou o joelho na escola hoje.
Rasgou a calça jeans, se estivesse de short ou tecido mais fino, o estrago teria sido maior.
Não notei nela o devido RESPEITO que um ralado no joelho deveria inspirar: ela não chorou ao lavar, não suou frio, não tremeu.
Provavelmente, por ser seu primeiro ralado SÉRIO e no cimento liso. Ralado de joelho no asfalto inspira medo, terror, tremores e choro, arrependimento e promessas de nunca mais correr.
Isso provavelmente também, foi pela falta do merthiolate e da pazinha do capiroto que vinha junto. Ele ardia só de olhar e a pazinha ardia pra passar o remédio. Hoje em dia não tem mais isso, pode-se "borrifar" um remedinho que não arde, com cheirinho de flor.
Absurdo. Essa geração ta crescendo sem respeito.
Rasgou a calça jeans, se estivesse de short ou tecido mais fino, o estrago teria sido maior.
Não notei nela o devido RESPEITO que um ralado no joelho deveria inspirar: ela não chorou ao lavar, não suou frio, não tremeu.
Provavelmente, por ser seu primeiro ralado SÉRIO e no cimento liso. Ralado de joelho no asfalto inspira medo, terror, tremores e choro, arrependimento e promessas de nunca mais correr.
Isso provavelmente também, foi pela falta do merthiolate e da pazinha do capiroto que vinha junto. Ele ardia só de olhar e a pazinha ardia pra passar o remédio. Hoje em dia não tem mais isso, pode-se "borrifar" um remedinho que não arde, com cheirinho de flor.
Absurdo. Essa geração ta crescendo sem respeito.
quarta-feira, 4 de julho de 2018
Quando eu era criança, NUCITA era a NUTELLA de hoje.
Um achocolatado caro, pequeno, e que toda criança AMAVA.
Eu, chocólatra, pedia sempre, e minha vó, pra economizar, um dia misturou leite moça com Nescau numa xícara e me deu, falando que era "quase igual".
Vão-se quase 40 anos desse pequeno truque gastronômico da doce italiana, e eu AINDA MISTURO leite condensado com achocolatado numa xícara. Notem que eu disse "leite condensado com achocolatado", e não "leite moça com nescau", pq o "moça" ficou caro demais e o nescau, doce demais, então temos Itambé ou Mococa com Toddy, ocasionalmente um "moça" faz aparição em casa, nas épocas de promoção.
Enfim, continuemos. Minha filha, como não podia deixar de ser, TAMBÉM É CHOCÓLATRA e se deixar, vive à base de batom de chocolate e Kinder ovo.
E eu tenho total consciência dos estragos nutricionais que esse tipo de vício traz ao longo da vida, então sou meio "linha dura" com a minha filha. Evito ao máximo que ela beba refrigerante, coma bala, não coloco açúcar no leite, essas coisas... O que dá, eu corto.
Pois outro dia ela me pegou "no pulo" comendo minha misturinha de colher...
- Mãe, o que é isso?
-... feijão... quer???
- Ela olhou, viu aquele creme marrom e disse: não, eca!
E desde então, sempre que ela me vê comendo algo marrom em uma xícara, torce o nariz e fala "não sei como você consegue gostar tanto de feijão assim".
Eu PROMETO que um dia eu conto a verdade.
Um achocolatado caro, pequeno, e que toda criança AMAVA.
Eu, chocólatra, pedia sempre, e minha vó, pra economizar, um dia misturou leite moça com Nescau numa xícara e me deu, falando que era "quase igual".
Vão-se quase 40 anos desse pequeno truque gastronômico da doce italiana, e eu AINDA MISTURO leite condensado com achocolatado numa xícara. Notem que eu disse "leite condensado com achocolatado", e não "leite moça com nescau", pq o "moça" ficou caro demais e o nescau, doce demais, então temos Itambé ou Mococa com Toddy, ocasionalmente um "moça" faz aparição em casa, nas épocas de promoção.
Enfim, continuemos. Minha filha, como não podia deixar de ser, TAMBÉM É CHOCÓLATRA e se deixar, vive à base de batom de chocolate e Kinder ovo.
E eu tenho total consciência dos estragos nutricionais que esse tipo de vício traz ao longo da vida, então sou meio "linha dura" com a minha filha. Evito ao máximo que ela beba refrigerante, coma bala, não coloco açúcar no leite, essas coisas... O que dá, eu corto.
Pois outro dia ela me pegou "no pulo" comendo minha misturinha de colher...
- Mãe, o que é isso?
-... feijão... quer???
- Ela olhou, viu aquele creme marrom e disse: não, eca!
E desde então, sempre que ela me vê comendo algo marrom em uma xícara, torce o nariz e fala "não sei como você consegue gostar tanto de feijão assim".
Eu PROMETO que um dia eu conto a verdade.
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