Existe uma escritora chamada Stella Florence que me ajudou a superar meus problemas mais do que ela ou qualquer pessoa imagina.
Cada livro que eu lia, parecia uma mensagem para mim, o conselho de uma amiga que eu não conhecia, mas que me conhecia muito bem.
Já à dias tenho pensado nas minhas coisas, e hoje eu lembrei de um conto dela que retrata exatamente o que eu fiz durante um período significativo da minha vida - um período que deixou mágoas profundas em mim.
Resolvi procurar o texto na internet e reler. Na busca, acabei saindo no blog da escritora.
Lá, tinha um texto. Perfeito. Como se me esperasse. Como se fosse escrito pra mim, me ajudando, mais uma vez.
Obrigada, Stella.
Há algum tempo, condoída pelo fora que uma amiga levara, escrevi um texto de presente para ela: uma carta de desamor.
Na época, fez bem a ela ter a experiência materializada em texto: texto que poderia ser entregue ao dito cujo (e foi), texto que poderia ser impresso e simbolicamente queimado (e foi), texto que poderia fazê-la erguer a cabeça e a autoestima (e fez).
Se ele ajudou uma mulher, pode ajudar duas, três… Acrescente o que você quiser ao miolo dessa carta e torne-a sua: o final (um dos meus mantras preferidos) é o que realmente importa.
***
Me desculpe por eu ter tomado a iniciativa. Me desculpe por ter almoçado com você tantas vezes. Me desculpe por ter ligado.
Me desculpe pela chuva que tomamos subindo a Augusta. Me desculpe por ter acreditado nas suas mensagens. Me desculpe por ter rido das suas piadas.
Me desculpe pelos machucados que sua ex deixou em você. Me desculpe por eu ter vindo logo depois dela. Me desculpe por tentar entender seu silêncio.
Me desculpe pelo que foi ruim. Me desculpe pelo que foi bom. Me desculpe por eu ter subestimado o que foi ruim e superestimado o que foi bom.
Me desculpe por eu não ter usado máscara. Me desculpe por querer mais. Me desculpe por supor que você também quisesse mais.
Me desculpe por ter dito “sim”. Me desculpe por eu confiado em você. Me desculpe pela cinta-liga que eu comprei para te agradar.
Me desculpe por, em algum momento, eu ter te amado. Me desculpe por, em algum momento, eu ter te achado bonito. Me desculpe por, em algum momento, eu ter acreditado que você era o homem da minha vida.
Me desculpe pelos seus erros de português. Me desculpe pelos erros de português da sua nova namorada. Me desculpe por a sua nova namorada achar que margaridas são flores menos nobres.
Me desculpe pelos 130 quilômetros de congestionamento que eu atravessei para te ver. Me desculpe pela barata que eu tive de matar na sua cozinha. Me desculpe por eu ter permitido que você deixasse a TV ligada no jogo do Palmeiras enquanto nós transávamos.
Me desculpe por eu ter acreditado que você compreendia meu olhar. Me desculpe por eu ter dito coisas lindas para você. Me desculpe por você não ter entendido um terço do que eu disse.
Mas, sobretudo, me desculpe por pedir essas ridículas, inúteis e dolorosas desculpas. Que, naturalmente, não são para você: são para mim.
Afinal, porcos não reconhecem pérolas.
Stella Florence - Uma carta de desamor
terça-feira, 25 de setembro de 2018
Existem momentos em que você para tudo para refletir sobre a sua vida.
Eu estou, nessa semana, fazendo isso: uma auto análise. Um auto conhecimento. Recordando o passado (hoje cheguei aos meus 11 anos).
Enfim, relembrando tudo que me aconteceu para que eu fosse quem eu sou hoje.
Haja coragem. Pois isso dói. Ninguém passa livre de farpas, pela vida.
Quando uma dessas farpas não é removida, ela continua ali, mesmo sem doer.
Quem faz esse tipo de exercício mental, precisa estar preparado pra relembrar dessas farpas, pois dói.
Eu estou, nessa semana, fazendo isso: uma auto análise. Um auto conhecimento. Recordando o passado (hoje cheguei aos meus 11 anos).
Enfim, relembrando tudo que me aconteceu para que eu fosse quem eu sou hoje.
Haja coragem. Pois isso dói. Ninguém passa livre de farpas, pela vida.
Quando uma dessas farpas não é removida, ela continua ali, mesmo sem doer.
Quem faz esse tipo de exercício mental, precisa estar preparado pra relembrar dessas farpas, pois dói.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Depois que se adquire uma certa idade, ao olhar para trás, verificamos que tudo na vida foi aprendizado.
Se e como sobrevivemos às experiências, se foram boas ou más, fortuitas ou duradouras, se deixaram "rastro", tudo isso nos ajuda a sermos mais fortes e aprendermos a lidar com a nossa vida. Tudo nos dá maturidade para o futuro.
Por mais que algo na nossa vida doa, acaba sendo proveitoso.
Pela minha experiência, especificamente, três coisas me fizeram mais forte:
Experiências passadas por terceiros são as mais difíceis de internalizar, pois não é conosco que aconteceu o problema. Você está ouvindo um relato e pensa que "comigo teria sido diferente", ou "eu teria feito tal coisa".
Na verdade, talvez sim, talvez não, e você só saberá quando confrontado por uma experiência semelhante. A verdade, é que enquanto não passarmos pela mesma situação, não saberemos como reagir. Mas sempre, sempre aproveite para saber como outros lidaram com determinada situação, para tentar não cometer os mesmos erros.
As perdas financeiras e as sociedades desfeitas deixam um rastro profundo, mas são muito úteis para que, no futuro, deixemos de acreditar em falsos planos, promessas mirabolantes, etc. Uma perda financeira demora anos para ser quitada, perdemos amigos no caminho, mas nos fortalece de forma incrível. Nada mais glorioso do que ressurgir depois de "quebrar".
Talvez o mesmo valha para as perdas de amizade. Diz um ditado que, se perdeu, não era seu amigo, e pode até ser verdade, mas nunca sabemos até onde a nossa culpa acaba e onde começa a do outro, pois nossa tendência é vermos apenas o nosso lado. Apenas depois de muita reflexão e autocritica, podemos estabelecer os porquês de uma amizade terem acabado.
A mais dolorosa é a perda amorosa, sem dúvida.
Eu perdi amores e perdi familiares (que também são amores).
Os primeiros para a vida, os segundos, para a morte.
E... é engraçado... Eu achava que a pior dor do mundo era perder minha família, e num certo sentido foi. Perder meu pais, meus avós e, recentemente, minha mãe, foi uma dor que me traz tristeza profunda, saudade, nostalgia.
Perder meu pai cedo - 16 anos - perder minha mãe como perdi, e mais algumas circunstâncias da minha vida me fizeram ter depressão. Hoje diria que ou era leve, ou tratei dela cedo. Tomei meus remédios, fiz minha terapia, e hoje a depressão é só uma sombra que ronda por perto, voltando quando acontecem determinados episódios.
Quando minha mãe ficou doente e eu cuidava dela, a depressão voltou. Ninguém conhece você como você mesmo, então eu percebi que "algo estava errado"; notei que estava tendo atitudes estranhas, como querer dormir cobrindo a cabeça e em posição fetal (coisas que eu definitivamente não faço), não querer sair de casa, não querer pegar estradas de carro, "ver" acidentes acontecendo na minha imaginação no momento em que o carro pega a estrada... Atitudes totalmente contrárias à minha pessoa; fui para minha terapeuta, ela me indicou um neuro que me passou alguns remédios, e tudo passou.
Mas perder um amor pode ser mais doloroso que perder um parente. Ou, ao menos, para mim, foi. A pior dor que eu já senti na vida? Perder fulano.
Meus pais, talvez eu estivesse preparada, pois ambos ficaram doentes, e doeu, sim.
Numa sincera análise autocrítica, depois de muitos anos, posso fazer algumas ressalvas, e talvez a dor maior seja justamente pela maior parte da "culpa" ser minha. Pois, como eu disse, aprendemos com a experiência, e essa me levou a entender que:
Depois de anos de terapia tentando entender a perda de fulano para outra e tudo que aconteceu na sequência, entendi que eu amei muito e ele... se deixou amar. Era fácil, era cômodo, era útil. Mas a rapidez e facilidade com que eu fui trocada - por alguém pior, ao meu ver - doeu tanto, tanto, que anos e anos de terapia foram jogados pela janela.
Doía no peito, fisicamente. Eu acordava de manhã e pensava que ainda estava viva, mas que seria melhor estar morta, de tanta dor.
Nesse período, chorosa, magoada, triste, a melhor frase que ouvi foi "dor de amor não mata; você não vai morrer, vai doer, mas vai passar". Incrível como ouvir o óbvio ajuda. Não, eu não morri e a dor foi diminuindo com os anos.
Me afoguei em bebida, em loucuras, em outras pessoas. Algumas eu nem lembro o nome, outras eu nem lembro o que fiz, se fiz. Queria apenas a benção do esquecimento momentâneo. O tempo passou, a dor atenuou, nunca sarou completamente, mas atenuou. E, durante as terapias e as horas de reflexão, percebi que eu precisava de respostas que só ele poderia me dar.
O tempo separou aquele casal e eu fui atrás das minhas respostas. Mas, na ânsia da saudade, obtive respostas incompletas. Ou talvez não tenha insistido... O fato é que eu me decepcionei novamente.
Só que, dessa vez, eu me dei uma chance de ser feliz, comecei um relacionamento com alguém que me valorizava, casei, montei minha família, tenho um marido e uma filha... Fulano, o passado, casou logo depois com uma boa pessoa - uma das armadilhas do amor é que quando amamos, queremos ver a pessoa bem. Eu achei que estava em paz.
Leia lá em cima de novo. "Nunca deixe uma história incompleta, feche seus círculos".
Pois o passado volta, sempre.
Depois de quase 12 anos, meu passado voltou com uma força impressionante para me assombrar.
Na verdade não foi "o passado" que voltou, foram as lembranças, e elas vieram à tona na forma de 2 fotos antigas que um amigo jogou em um grupo de whatts. Duas pequenas fotos, onde fulano aparecia. Dois momentos da vida dele. Eu olhei as fotos e tudo veio à tona, as lembranças, os sentimentos de dor, perda, tristeza. Porque eu lembro exatamente de cada momento em que as fotos foram tiradas. Lembro dele contando do local de uma das fotos, e a outra foto, quando ele já não estava mais convivendo comigo, mas eu lembro da foto, e lembro da dor de quando eu a vi pela primeira vez. Tudo isso veio de uma vez, como um soco.
E... novamente, é engraçado... Eu tenho a esposa dele adicionada no Face (nós nos conhecíamos antes dos nossos respectivos casamentos). Ela sempre posta fotos deles, atuais, com o filho, com ele, em momentos de família. Fotos recentes que não me abalam nem um pingo, até acho graça, "é, todos envelhecem"...
Mas ver aquelas duas fotos de momentos passados, dolorosos, foi algo para o qual eu não estava preparada. Doeu. Muito.
Quando isso me acontece, eu sempre faço minhas auto análises, e fico dias e dias pensando, e nesse caso, eu achei que o círculo havia fechado. E vi que não. Mas agora, não são mais de respostas que eu preciso, preciso desabafar. Talvez eu precise dizer, cara a cara, sobre essa dor, e qual a parcela de culpa dele nisso tudo.
Algo que, nessa vida, é impraticável. O cara vai achar que eu bebi. Ou que sou louca.
Portanto, lembre-se: feche seus círculos.
Se e como sobrevivemos às experiências, se foram boas ou más, fortuitas ou duradouras, se deixaram "rastro", tudo isso nos ajuda a sermos mais fortes e aprendermos a lidar com a nossa vida. Tudo nos dá maturidade para o futuro.
Por mais que algo na nossa vida doa, acaba sendo proveitoso.
Pela minha experiência, especificamente, três coisas me fizeram mais forte:
- perdas no amor/amizade
- perdas financeiras
- exemplo dado por terceiros
Experiências passadas por terceiros são as mais difíceis de internalizar, pois não é conosco que aconteceu o problema. Você está ouvindo um relato e pensa que "comigo teria sido diferente", ou "eu teria feito tal coisa".
Na verdade, talvez sim, talvez não, e você só saberá quando confrontado por uma experiência semelhante. A verdade, é que enquanto não passarmos pela mesma situação, não saberemos como reagir. Mas sempre, sempre aproveite para saber como outros lidaram com determinada situação, para tentar não cometer os mesmos erros.
As perdas financeiras e as sociedades desfeitas deixam um rastro profundo, mas são muito úteis para que, no futuro, deixemos de acreditar em falsos planos, promessas mirabolantes, etc. Uma perda financeira demora anos para ser quitada, perdemos amigos no caminho, mas nos fortalece de forma incrível. Nada mais glorioso do que ressurgir depois de "quebrar".
Talvez o mesmo valha para as perdas de amizade. Diz um ditado que, se perdeu, não era seu amigo, e pode até ser verdade, mas nunca sabemos até onde a nossa culpa acaba e onde começa a do outro, pois nossa tendência é vermos apenas o nosso lado. Apenas depois de muita reflexão e autocritica, podemos estabelecer os porquês de uma amizade terem acabado.
A mais dolorosa é a perda amorosa, sem dúvida.
Eu perdi amores e perdi familiares (que também são amores).
Os primeiros para a vida, os segundos, para a morte.
E... é engraçado... Eu achava que a pior dor do mundo era perder minha família, e num certo sentido foi. Perder meu pais, meus avós e, recentemente, minha mãe, foi uma dor que me traz tristeza profunda, saudade, nostalgia.
Perder meu pai cedo - 16 anos - perder minha mãe como perdi, e mais algumas circunstâncias da minha vida me fizeram ter depressão. Hoje diria que ou era leve, ou tratei dela cedo. Tomei meus remédios, fiz minha terapia, e hoje a depressão é só uma sombra que ronda por perto, voltando quando acontecem determinados episódios.
Quando minha mãe ficou doente e eu cuidava dela, a depressão voltou. Ninguém conhece você como você mesmo, então eu percebi que "algo estava errado"; notei que estava tendo atitudes estranhas, como querer dormir cobrindo a cabeça e em posição fetal (coisas que eu definitivamente não faço), não querer sair de casa, não querer pegar estradas de carro, "ver" acidentes acontecendo na minha imaginação no momento em que o carro pega a estrada... Atitudes totalmente contrárias à minha pessoa; fui para minha terapeuta, ela me indicou um neuro que me passou alguns remédios, e tudo passou.
Mas perder um amor pode ser mais doloroso que perder um parente. Ou, ao menos, para mim, foi. A pior dor que eu já senti na vida? Perder fulano.
Meus pais, talvez eu estivesse preparada, pois ambos ficaram doentes, e doeu, sim.
Numa sincera análise autocrítica, depois de muitos anos, posso fazer algumas ressalvas, e talvez a dor maior seja justamente pela maior parte da "culpa" ser minha. Pois, como eu disse, aprendemos com a experiência, e essa me levou a entender que:
- Não se perde o que não se tem;
- Ninguém ama com a mesma intensidade;
- Nunca deixe uma história incompleta, feche seus círculos.
Depois de anos de terapia tentando entender a perda de fulano para outra e tudo que aconteceu na sequência, entendi que eu amei muito e ele... se deixou amar. Era fácil, era cômodo, era útil. Mas a rapidez e facilidade com que eu fui trocada - por alguém pior, ao meu ver - doeu tanto, tanto, que anos e anos de terapia foram jogados pela janela.
Doía no peito, fisicamente. Eu acordava de manhã e pensava que ainda estava viva, mas que seria melhor estar morta, de tanta dor.
Nesse período, chorosa, magoada, triste, a melhor frase que ouvi foi "dor de amor não mata; você não vai morrer, vai doer, mas vai passar". Incrível como ouvir o óbvio ajuda. Não, eu não morri e a dor foi diminuindo com os anos.
Me afoguei em bebida, em loucuras, em outras pessoas. Algumas eu nem lembro o nome, outras eu nem lembro o que fiz, se fiz. Queria apenas a benção do esquecimento momentâneo. O tempo passou, a dor atenuou, nunca sarou completamente, mas atenuou. E, durante as terapias e as horas de reflexão, percebi que eu precisava de respostas que só ele poderia me dar.
O tempo separou aquele casal e eu fui atrás das minhas respostas. Mas, na ânsia da saudade, obtive respostas incompletas. Ou talvez não tenha insistido... O fato é que eu me decepcionei novamente.
Só que, dessa vez, eu me dei uma chance de ser feliz, comecei um relacionamento com alguém que me valorizava, casei, montei minha família, tenho um marido e uma filha... Fulano, o passado, casou logo depois com uma boa pessoa - uma das armadilhas do amor é que quando amamos, queremos ver a pessoa bem. Eu achei que estava em paz.
Leia lá em cima de novo. "Nunca deixe uma história incompleta, feche seus círculos".
Pois o passado volta, sempre.
Depois de quase 12 anos, meu passado voltou com uma força impressionante para me assombrar.
Na verdade não foi "o passado" que voltou, foram as lembranças, e elas vieram à tona na forma de 2 fotos antigas que um amigo jogou em um grupo de whatts. Duas pequenas fotos, onde fulano aparecia. Dois momentos da vida dele. Eu olhei as fotos e tudo veio à tona, as lembranças, os sentimentos de dor, perda, tristeza. Porque eu lembro exatamente de cada momento em que as fotos foram tiradas. Lembro dele contando do local de uma das fotos, e a outra foto, quando ele já não estava mais convivendo comigo, mas eu lembro da foto, e lembro da dor de quando eu a vi pela primeira vez. Tudo isso veio de uma vez, como um soco.
E... novamente, é engraçado... Eu tenho a esposa dele adicionada no Face (nós nos conhecíamos antes dos nossos respectivos casamentos). Ela sempre posta fotos deles, atuais, com o filho, com ele, em momentos de família. Fotos recentes que não me abalam nem um pingo, até acho graça, "é, todos envelhecem"...
Mas ver aquelas duas fotos de momentos passados, dolorosos, foi algo para o qual eu não estava preparada. Doeu. Muito.
Quando isso me acontece, eu sempre faço minhas auto análises, e fico dias e dias pensando, e nesse caso, eu achei que o círculo havia fechado. E vi que não. Mas agora, não são mais de respostas que eu preciso, preciso desabafar. Talvez eu precise dizer, cara a cara, sobre essa dor, e qual a parcela de culpa dele nisso tudo.
Algo que, nessa vida, é impraticável. O cara vai achar que eu bebi. Ou que sou louca.
Portanto, lembre-se: feche seus círculos.
terça-feira, 18 de setembro de 2018
A idade traz a sabedoria
Conversando com um amigo sobre "grupos de putaria do facebook", através de áudios de watts, o mesmo estava reclamando que teve seu perfil bloqueado algumas horas; eu respondi que provavelmente por alguma denuncia, alguma foto de nude que ele enviou e a mulher se sentiu ofendida e denunciou, enfim, esse tipo de coisa comum que costuma ocorrer em grupos dessa temática.
Meu marido, deitado no sofá, ouviu a conversa e perguntou por que ele não podia fazer parte desses grupos de putaria.
Eu respondi: mas eu nunca proibi, entra se você quiser.
Posso?
Claro, amor. Só tenho umas regras a esse respeito: se por acaso rolar contato carnal, não quero encheção de saco, ligações de madrugada, etc. Nada de "caso sério", é trepada de uma saída e só; nada de deixar compromissos familiares de lado; nada de doenças venéreas, use camisinha e, por fim, aceite a reciprocidade.
Reciprocidade, como?
Ué, se você pode, eu também posso...
Marido resmungou aqui e desistiu de grupos de putaria... disse que estava só brincando.
Conversando com um amigo sobre "grupos de putaria do facebook", através de áudios de watts, o mesmo estava reclamando que teve seu perfil bloqueado algumas horas; eu respondi que provavelmente por alguma denuncia, alguma foto de nude que ele enviou e a mulher se sentiu ofendida e denunciou, enfim, esse tipo de coisa comum que costuma ocorrer em grupos dessa temática.
Meu marido, deitado no sofá, ouviu a conversa e perguntou por que ele não podia fazer parte desses grupos de putaria.
Eu respondi: mas eu nunca proibi, entra se você quiser.
Posso?
Claro, amor. Só tenho umas regras a esse respeito: se por acaso rolar contato carnal, não quero encheção de saco, ligações de madrugada, etc. Nada de "caso sério", é trepada de uma saída e só; nada de deixar compromissos familiares de lado; nada de doenças venéreas, use camisinha e, por fim, aceite a reciprocidade.
Reciprocidade, como?
Ué, se você pode, eu também posso...
Marido resmungou aqui e desistiu de grupos de putaria... disse que estava só brincando.
sábado, 15 de setembro de 2018
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Sempre fui cinéfila.
Quando, um dia, conseguimos comprar um videocassete e aprendi a gravar filmes da TV, em qualidade baixa pra caberem 3 filmes em uma fita, sem os créditos, etc... Eu tinha Muitos filmes gravados da Tela Quente e Sessão da Tarde, sem comerciais.
Com o tempo aprendi o valor dos filmes em boa qualidade e gravava um por fita.
E depois de uns anos, pedia pra fazerem cópias dos filmes pra mim.
Depois que eu mudei pra Birigui, descobri que locadoras vendiam fitas excedentes, e que tinha também como encomendar filmes, e comecei a comprar as fitas originais.
Rei Leão, legendado, Jumanji, legendado, com a caixa decorada, Jurassic Park com a caixa imitando pedra.
Na era dos DVD's, eu pedia pra gravarem filmes pra mim - nunca consegui gravar um filme bem gravado. Daí, no mesmo esquema, mas locadoras vendiam excedentes, então dava pra comprar filmes legais por um preço razoável, e com as vendas pela internet, algumas lojas também vendiam os filmes... Uns mais caros, outros mais baratos... O fato é que era possível colecionar filmes.
Meu armário de filmes em DVD está lotado, não cabe mais nada.
E agora eu instalei o torrent. Madre mia... rssss
Quando, um dia, conseguimos comprar um videocassete e aprendi a gravar filmes da TV, em qualidade baixa pra caberem 3 filmes em uma fita, sem os créditos, etc... Eu tinha Muitos filmes gravados da Tela Quente e Sessão da Tarde, sem comerciais.
Com o tempo aprendi o valor dos filmes em boa qualidade e gravava um por fita.
E depois de uns anos, pedia pra fazerem cópias dos filmes pra mim.
Depois que eu mudei pra Birigui, descobri que locadoras vendiam fitas excedentes, e que tinha também como encomendar filmes, e comecei a comprar as fitas originais.
Rei Leão, legendado, Jumanji, legendado, com a caixa decorada, Jurassic Park com a caixa imitando pedra.
Na era dos DVD's, eu pedia pra gravarem filmes pra mim - nunca consegui gravar um filme bem gravado. Daí, no mesmo esquema, mas locadoras vendiam excedentes, então dava pra comprar filmes legais por um preço razoável, e com as vendas pela internet, algumas lojas também vendiam os filmes... Uns mais caros, outros mais baratos... O fato é que era possível colecionar filmes.
Meu armário de filmes em DVD está lotado, não cabe mais nada.
E agora eu instalei o torrent. Madre mia... rssss
Carol ralou o joelho na escola hoje.
Rasgou a calça jeans, se estivesse de short ou tecido mais fino, o estrago teria sido maior.
Não notei nela o devido RESPEITO que um ralado no joelho deveria inspirar: ela não chorou ao lavar, não suou frio, não tremeu.
Provavelmente, por ser seu primeiro ralado SÉRIO e no cimento liso. Ralado de joelho no asfalto inspira medo, terror, tremores e choro, arrependimento e promessas de nunca mais correr.
Isso provavelmente também, foi pela falta do merthiolate e da pazinha do capiroto que vinha junto. Ele ardia só de olhar e a pazinha ardia pra passar o remédio. Hoje em dia não tem mais isso, pode-se "borrifar" um remedinho que não arde, com cheirinho de flor.
Absurdo. Essa geração ta crescendo sem respeito.
Rasgou a calça jeans, se estivesse de short ou tecido mais fino, o estrago teria sido maior.
Não notei nela o devido RESPEITO que um ralado no joelho deveria inspirar: ela não chorou ao lavar, não suou frio, não tremeu.
Provavelmente, por ser seu primeiro ralado SÉRIO e no cimento liso. Ralado de joelho no asfalto inspira medo, terror, tremores e choro, arrependimento e promessas de nunca mais correr.
Isso provavelmente também, foi pela falta do merthiolate e da pazinha do capiroto que vinha junto. Ele ardia só de olhar e a pazinha ardia pra passar o remédio. Hoje em dia não tem mais isso, pode-se "borrifar" um remedinho que não arde, com cheirinho de flor.
Absurdo. Essa geração ta crescendo sem respeito.
quarta-feira, 4 de julho de 2018
Quando eu era criança, NUCITA era a NUTELLA de hoje.
Um achocolatado caro, pequeno, e que toda criança AMAVA.
Eu, chocólatra, pedia sempre, e minha vó, pra economizar, um dia misturou leite moça com Nescau numa xícara e me deu, falando que era "quase igual".
Vão-se quase 40 anos desse pequeno truque gastronômico da doce italiana, e eu AINDA MISTURO leite condensado com achocolatado numa xícara. Notem que eu disse "leite condensado com achocolatado", e não "leite moça com nescau", pq o "moça" ficou caro demais e o nescau, doce demais, então temos Itambé ou Mococa com Toddy, ocasionalmente um "moça" faz aparição em casa, nas épocas de promoção.
Enfim, continuemos. Minha filha, como não podia deixar de ser, TAMBÉM É CHOCÓLATRA e se deixar, vive à base de batom de chocolate e Kinder ovo.
E eu tenho total consciência dos estragos nutricionais que esse tipo de vício traz ao longo da vida, então sou meio "linha dura" com a minha filha. Evito ao máximo que ela beba refrigerante, coma bala, não coloco açúcar no leite, essas coisas... O que dá, eu corto.
Pois outro dia ela me pegou "no pulo" comendo minha misturinha de colher...
- Mãe, o que é isso?
-... feijão... quer???
- Ela olhou, viu aquele creme marrom e disse: não, eca!
E desde então, sempre que ela me vê comendo algo marrom em uma xícara, torce o nariz e fala "não sei como você consegue gostar tanto de feijão assim".
Eu PROMETO que um dia eu conto a verdade.
Um achocolatado caro, pequeno, e que toda criança AMAVA.
Eu, chocólatra, pedia sempre, e minha vó, pra economizar, um dia misturou leite moça com Nescau numa xícara e me deu, falando que era "quase igual".
Vão-se quase 40 anos desse pequeno truque gastronômico da doce italiana, e eu AINDA MISTURO leite condensado com achocolatado numa xícara. Notem que eu disse "leite condensado com achocolatado", e não "leite moça com nescau", pq o "moça" ficou caro demais e o nescau, doce demais, então temos Itambé ou Mococa com Toddy, ocasionalmente um "moça" faz aparição em casa, nas épocas de promoção.
Enfim, continuemos. Minha filha, como não podia deixar de ser, TAMBÉM É CHOCÓLATRA e se deixar, vive à base de batom de chocolate e Kinder ovo.
E eu tenho total consciência dos estragos nutricionais que esse tipo de vício traz ao longo da vida, então sou meio "linha dura" com a minha filha. Evito ao máximo que ela beba refrigerante, coma bala, não coloco açúcar no leite, essas coisas... O que dá, eu corto.
Pois outro dia ela me pegou "no pulo" comendo minha misturinha de colher...
- Mãe, o que é isso?
-... feijão... quer???
- Ela olhou, viu aquele creme marrom e disse: não, eca!
E desde então, sempre que ela me vê comendo algo marrom em uma xícara, torce o nariz e fala "não sei como você consegue gostar tanto de feijão assim".
Eu PROMETO que um dia eu conto a verdade.
sexta-feira, 1 de junho de 2018
RIP Ramona
segunda-feira, 28 de maio de 2018
Alguns fatos sobre mim, sobre a minha vida e personalidade:
Ganhei meu primeiro carro em 1991, pouco antes de fazer 18 anos - uma Brasília 1970, branca. Aliás Brasílias eram uma constante em nossa pequena família: meu pai teve, minha mãe teve, eu tive. Praticamente SÓ TIVEMOS BRASÍLIAS durante minha infância.
Aos 11 anos, eu já voltava da escola de ônibus, pra casa. Aos 13 eu comecei também a ir pra escola de ônibus - meu vô ia comigo até o ponto nos primeiros dias.
Os únicos lugares pra onde eu viajei de avião estão situados no Nordeste Brasileiro (Ceará, Rio Grande do Norte, Maceió e Bahia); no mais, eu sempre andei de ônibus.
O único lugar que eu conheço fora do Brasil é a Argentina (ah é, fui pra lá de avião também), a não ser que aquelas viagens de bate e volta pro Paraguai contem. Nunca fui pros EUA, nunca fui pra Europa. E nessa altura do campeonato, duvido que irei algum dia.
Minha filha nasceu na santa Casa de Birigui, pelo SUS, sem convênio médico - e assim continua até hoje, sem convênio.
Minha mãe ficou 10 dias na UTI da Unimed, sem convênio (na pressa em socorrê-la, eu acabei parando lá antes de chegar ao PS). Isso talvez tenha salvado sua vida (a velocidade com que eles a atenderam). A conta ficou em uns 50 mil reais, que eu paguei vendendo meu carro, pedindo dinheiro emprestado e parcelando o restante. Cada tomografia (ela chegava a fazer até 2 por dia) ficava em 900 reais, pagos antecipadamente.
A primeira vez que minha filha teve uma "virose", ela foi socorrida no Pronto Socorro da cidade, que não tinha "ala pediátrica".
A UBS do meu bairro é a UBS 7, e tenho o telefone deles no meu celular até hoje, se precisar.
Minha mãe nunca conseguiu home care nem fraldas ou alimentação em latas pela prefeitura, eu entrava com o pedido e como não podiam negar, eles simplesmente "sumiam" com o papel. Eu fiz tudo - paguei desde o enfermeiro que vinha dar banho nela até a fisioterapeuta e as latas e fraldas que ela usava. Recebi doações de outras pessoas, de amigos, nunca do governo.
Estou esperando uma endoscopia desde setembro de 2016 pelo SUS.
Parei de dar aulas para cuidar da minha mãe, pois o salário de uma cuidadora era mais do que eu ganhava.
Tive que vender vários carros que eu financiei por não conseguir pagar a prestação. Nunca consegui comprar um carro "semi novo" à vista, só financiado. Os que eu comprei à vista tem mais de 20 anos.
Em alguns dias, numa das piores crises financeiras por nosso comércio ter quebrado, em 2014, eu ia comer um salgado na cantina do fórum na hora do almoço - era mais barato que pedir marmita, assim a grana durava mais.
Minha filha já deixou de ir para a escola por não ter combustível no carro, nem nada pra colocar de lanche na mochila.
Já tomei água no café da manhã por não ter dinheiro e deixar a única caixinha de leite pra Carol.
Tenho dívidas pessoais - parentes e amigos - que ainda não quitei. Devo pro banco mais do que posso pagar.
Ajudei a eleger Lula, e vi que a esquerda nunca passou de uma direita disfarçada e pior, muito pior... Hoje voto só na direita, QUANDO VOTO.
Quando morei em SP, morava perto de santo Amaro/Interlagos, e não em algum bairro chique. Meu bairro não tinha praças, árvores, bares finos ou cafés, nem lojas. Nosso shopping era (acho que ainda é) o Interlagos.
Fiz várias vezes o percurso Avenida paulista - Avenida Joaquim Nabuco esquina com Washington Luis (minha avó morava na rua Atica) a pé por ter sido furtada na escola (Objetivo Paulista) e não ter coragem de descer do ônibus por trás.
Ganhei meu primeiro carro em 1991, pouco antes de fazer 18 anos - uma Brasília 1970, branca. Aliás Brasílias eram uma constante em nossa pequena família: meu pai teve, minha mãe teve, eu tive. Praticamente SÓ TIVEMOS BRASÍLIAS durante minha infância.
Aos 11 anos, eu já voltava da escola de ônibus, pra casa. Aos 13 eu comecei também a ir pra escola de ônibus - meu vô ia comigo até o ponto nos primeiros dias.
Os únicos lugares pra onde eu viajei de avião estão situados no Nordeste Brasileiro (Ceará, Rio Grande do Norte, Maceió e Bahia); no mais, eu sempre andei de ônibus.
O único lugar que eu conheço fora do Brasil é a Argentina (ah é, fui pra lá de avião também), a não ser que aquelas viagens de bate e volta pro Paraguai contem. Nunca fui pros EUA, nunca fui pra Europa. E nessa altura do campeonato, duvido que irei algum dia.
Minha filha nasceu na santa Casa de Birigui, pelo SUS, sem convênio médico - e assim continua até hoje, sem convênio.
Minha mãe ficou 10 dias na UTI da Unimed, sem convênio (na pressa em socorrê-la, eu acabei parando lá antes de chegar ao PS). Isso talvez tenha salvado sua vida (a velocidade com que eles a atenderam). A conta ficou em uns 50 mil reais, que eu paguei vendendo meu carro, pedindo dinheiro emprestado e parcelando o restante. Cada tomografia (ela chegava a fazer até 2 por dia) ficava em 900 reais, pagos antecipadamente.
A primeira vez que minha filha teve uma "virose", ela foi socorrida no Pronto Socorro da cidade, que não tinha "ala pediátrica".
A UBS do meu bairro é a UBS 7, e tenho o telefone deles no meu celular até hoje, se precisar.
Minha mãe nunca conseguiu home care nem fraldas ou alimentação em latas pela prefeitura, eu entrava com o pedido e como não podiam negar, eles simplesmente "sumiam" com o papel. Eu fiz tudo - paguei desde o enfermeiro que vinha dar banho nela até a fisioterapeuta e as latas e fraldas que ela usava. Recebi doações de outras pessoas, de amigos, nunca do governo.
Estou esperando uma endoscopia desde setembro de 2016 pelo SUS.
Parei de dar aulas para cuidar da minha mãe, pois o salário de uma cuidadora era mais do que eu ganhava.
Tive que vender vários carros que eu financiei por não conseguir pagar a prestação. Nunca consegui comprar um carro "semi novo" à vista, só financiado. Os que eu comprei à vista tem mais de 20 anos.
Em alguns dias, numa das piores crises financeiras por nosso comércio ter quebrado, em 2014, eu ia comer um salgado na cantina do fórum na hora do almoço - era mais barato que pedir marmita, assim a grana durava mais.
Minha filha já deixou de ir para a escola por não ter combustível no carro, nem nada pra colocar de lanche na mochila.
Já tomei água no café da manhã por não ter dinheiro e deixar a única caixinha de leite pra Carol.
Tenho dívidas pessoais - parentes e amigos - que ainda não quitei. Devo pro banco mais do que posso pagar.
Ajudei a eleger Lula, e vi que a esquerda nunca passou de uma direita disfarçada e pior, muito pior... Hoje voto só na direita, QUANDO VOTO.
Quando morei em SP, morava perto de santo Amaro/Interlagos, e não em algum bairro chique. Meu bairro não tinha praças, árvores, bares finos ou cafés, nem lojas. Nosso shopping era (acho que ainda é) o Interlagos.
Fiz várias vezes o percurso Avenida paulista - Avenida Joaquim Nabuco esquina com Washington Luis (minha avó morava na rua Atica) a pé por ter sido furtada na escola (Objetivo Paulista) e não ter coragem de descer do ônibus por trás.
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