domingo, 17 de setembro de 2017

Depois da Internet ficou muito fácil descobrir diversas coisas que antes, eram praticamente impossíveis.

Quando eu escrevi este post, ainda não havia descoberto a imensa SACANAGEM que a CBKC e a FCI haviam feito...

Um dia, resolvi jogar o nome do meu canil no google, como ele aparece no registro: Navarras, sem o 's.
Eis que surge um canil na Finlãndia, acho, com o nome Navarras, registrado desde 1992. Aquilo me deixou com uma pulga atrás da orelha, e eu joguei no site da FCI todos os afixos que tivessem Navarr no nome. Minha surpresa foi enorme ao ver que aquele papo de "nomes similares".

Tinha tanto, mas tanto afixo chamado Navarra que eu senti um desgosto enorme. Inclusive, descobri que meu canil não chamava Navarra's, nem Navarras, e sim BrasilNavarras.

Por isso, dei baixa no afixo e resolvi escolher outro.

Após dias e dias de buscas infrutíferas - descobri que criadores de cães são nerds ao extremo - achei um que me deixou satisfeita: Donderstorm.

Meu novo afixo se chama Donderstorm, e eu tirei de um livro do Sidney Sheldon.

"Kate levantou-se e principiou a mover-se para a porta, no momento em que explodia um trovão violento e a tormenta irrompia espetacularmente, a chuva incidindo nas janelas com a impetuosidade de rajadas de metralhadora. A família observava, enquanto a anciã alcançava o topo da escada com o aprumo habitual. Um relâmpago rasgou a atmosfera e soou novo trovão. Kate Blackwell voltou-se para os contemplar e, quando falou, empregou o sotaque dos antepassados:
- Na África do Sul, chamávamos a isto uma donderstorm."

(O reverso da Medalha - Sidney Sheldon)

De mãe para mãe

Primeiramente Fora Temer mostrarei a postagem que deu início a essa reflexão:
Taís Araújo e a filha que brinca de boneca.

Não entrarei aqui em detalhes sobre desconstrução de gênero e outras teorias sobre esse assunto. O texto abaixo é para, justamente, parabenizar a atriz.

Cara e bela Taís, parabéns por enfrentar essa crise de cabeça erguida!
Então, sua filha gosta de bonecas, princesas e vestidos rodados? Uau! Que surpresa!
Mas não é nada para que você se preocupe, são as surpresas da biologia.
A minha também, e, se você me conhecesse, saberia o quão estranho isso é.

Eu cresci brincando de fazendinha Gulliver e similares. Minha mãe já não aguentava mais me dar aqueles kits de bichos de plástico. Meu sonho de consumo era uma caixa grande de playmobil safári, ou circo, ou fazenda...  Nada que NÃO tivesse bichos me interessava. Até as minhas roupas.

Minha mãe era vaidosa, gostava de maquiagens, cintos, bolsas, sapatos, chapéus, vestidos... Eu adorava bermudas, calças jeans, mochila, tênis, camiseta. Odiava sapatos, bolsas, batons. Meu único interesse nos shoppings era a loja Bayard (preferencialmente a do Shopping Ibirapuera), que na época, vendia enforcadores e guias de adestramento profissional. Isso nos anos 80.

No dia a dia, depois da escola, eu brincava com os muitos amigos na rua. Só meninos, as meninas ficavam dentro de casa, não podiam sair e brincar conosco. O que elas faziam dentro de casa? Eu nunca soube. Isso, porque eu nunca fiz amizade com elas na infância, só com os meninos. Brincávamos de pega-pega, esconde esconde, pai da rua, bolinha de gude, pipa, pião, rodávamos o bairro como exploradores, dentro de enormes terrenos baldios que hoje são condomínios. A única coisa que eu não fazia era jogar futebol, eu era muito descoordenada.

Se eu tive bonecas? Algumas. A Gui-Gui, a Emília do sítio do Pica Pau Amarelo, algumas Susies herdadas, uma coleção imensa de fofoletes e uma Barbie, quando eu já era maior.
Minha vida eram sacolas e sacolas de animais de plástico.

Na escola, minha vida foi difícil, pois eu era "peculiar". Queria brincar com os meninos, mas eles não me aceitavam, afinal no recreio o jogo principal era... Futebol. E eu era péssima.
Aí eu tentava me enturmar com as meninas, mas era ainda pior! Eu não sabia brincar de boneca, fogãozinho, comidinha; não usava saias ou brincos, nem gostava de pintar as unhas; e, por ser descoordenada, nunca consegui aprender a pular corda. Mal conseguia pular amarelinha!!

As aulas de educação física, que eram divididas por sexo, eram um pesadelo, pois eu era ruim de vôlei, de corda e, sendo ruim dessas duas atividades, provavelmente era ruim de tudo. Ok, eu era razoavelmente normal em basquete e handball, e muito boa em queimada, mas isso não importava mais.
Eu era aquela que fica sempre por último na hora dos líderes "escolherem os times".
Eu, Taís, era aquela que se veste de menino pra dançar quadrilha na festa junina.

Não uma, nem duas vezes, eu quis ser menino na minha infância. Desesperadamente. Nenhuma menina que eu brincava entendia porque eu gostava tanto de um aviãozinho de plástico ou de um caminhãozinho cheio de bois.

Contrariando todas as expectativas, eu cresci hétero, consegui fazer as pazes com o meu cabelo, coloquei brincos e comprei uns batons. Nunca aprendi a cozinhar, a cuidar de uma casa ou ninar uma criança.
Arrumei alguém, tive uma filha. Lembra quando eu disse que não aprendi a ninar uma criança? Pois é. Eu passava horas sentada no sofá com a minha filha no colo, muda, parada.

- tem que balançar a criança! - me diziam. Sério?

Se dependesse de mim, Taís, minha filha nem teria bonecas, só bichos. Mas ela tem, muitas. Adora. Adora sapatos, roupas, maquiagem. Adora brincar de cozinhar. Adora bolsas, óculos de sol, chapéus. Ama se vestir de saias rodadas, ama as vitrines do shopping. Adora Rosa, lilás e vermelho.

E, ao invés de me perguntar "onde foi que eu errei", eu entendo - e aceito - que ela é um ser humano diferente de mim. Pessoalmente, eu acho que ela "vai sofrer menos" que eu.

Carol tem tantos bichinhos de pelúcia quanto bonecas ou panelinhas.
Isso não significa que ela não goste de Wolverine, Hulk e Tartarugas Ninja, tanto quanto gosta da Princesinha Sofia e Clube das Winks.

Aqui ninguém estressa com isso. Ela é o que ela é. Tem fases. Galinha Pintadinha, Peppa Pig, Princesinha Sofia, Kung Fu Panda.
Deixe sua filha ser o que ela quiser. Isso muda.

Só não entendi o porquê de não ter bonecas em sua casa, uma vez que você tem um menino mais velho e acredita que gênero é uma construção social... Nunca deu bonecas pro garoto brincar?

Abraço

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Falando um pouco sobre empatia. E se você não sabe o que é isso, fecha a aba do navegador e vai estudar.

Eu sou muito empática.
Sempre fui.
Virei esquerdista quando percebi que existiam pessoas que trabalhavam em dias de descanso.

Chorava de pensar em motoristas de ônibus ou frentistas trabalhando no Natal, com filhos esperando em casa.

Chorava de ver gente na feira, comprando pouco porque o dinheiro não dava.

Queria que existisse igualdade. Não era justo eu poder ir à um restaurante e outros não poderem; pior, porque eu, ao ir à um restaurante, tinha que ser "servida"? Morria de vergonha disso. Quem era eu, na fila do pão, para ser servida? Era mais que o garçon?
Eu morava em uma boa casa, tinha cobertores, comida e brinquedos, e via quantos não tinham, e aquilo me arrasava por dentro.

Daí veio a minha educação com pessoas que nos prestam serviços.
Sempre odiei gente que fala "não agradeço motorista de ônibus, frentista, garçon... eles são pagos pra me servir". Eu agradeço à todos. Qualquer informação que me dão, eu agradeço. Qualquer serviço que me prestam, eu agradeço, seja grande ou pequeno. Mesmo se feito de má vontade, agradeço - também de má vontade.

Com o tempo eu entendi que igualdade social só existe na cabeça das pessoas. Não existe igualdade social quando existem políticos na jogada.

Mas a empatia continuou. Não me sinto mais culpada quando sou atendida por alguém me prestando um serviço, em compensação sinto muita tristeza com desafortunados que perderam suas coisas em tragédias, ou perderam entes amados, ou animais de estimação, enfim...

Talvez minha empatia dependa da minha situação atual, não sei.

Por exemplo, eu não gosto de criança. Quando eu via uma notícia tipo "fulano matou uma criança" ou "espancou uma criança", eu sentia a raiva normal que a gente sente por esse tipo de atrocidade contra a espécie, afinal somos todos humanos.

Mas depois que eu tive a Carol, essa empatia cresceu e se tornou maior que eu.
Antes eu achava que quem comete um delito contra uma criança tinha que ser preso, hoje eu acho que tinha que ser morto.

Assistir vídeos de pais batendo em filhos, ver crianças na rua pedindo comida, ver mulheres pedindo dinheiro alegando que precisam comprar leite pros filhos, ver filmes em que a criança morre, enfim... Tudo isso me faz sentir um peso medonho de consciência, eu já imagino a Carolina, já penso em N coisas e pronto, fico triste, chateada.

Ver notícias como a dessa semana, em que uma pastora evangélica convenceu vários pais a trancafiarem e isolarem seus filhos (um casal até deu o bebê deles pra adoção) me enche o coração de ódio, a ponto de desejar que o Estado Islãmico venha e detone umas bombas nas igrejas do Brasil.

Assistir Stranger Things foi especialmente doloroso, por causa da situação da 11, do desespero da Joyce e da situação do Delegado Hopper, perder a filha pequena de câncer.

Ser mãe também nos causa empatia.
Perder alguém nos causa empatia.
De uns anos pra cá eu, que sempre fui chorona, piorei... rsss
Só não tenho dó de político.
Graças a Deus.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Sonho estranho e diferente com uma gang de crianças carentes, um grupo de homens desconhecidos, uma viagem à Rússia sendo ciceronada por um deles: um russo Alto, lindo, que falava português muito bem mas com um sotaque forte e que comparava a namorada dele com uma zibelina.
Odiei acordar antes de conhecer os pontos turísticos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Conversando com uma amiga outro dia eu lembrei de alguns livros que eu tive e que doei - pra alguém, nem sei mais quem.

Mas foram livros que eu namorei durante anos e fizeram parte da minha infância, e merecem ser homenageados aqui.




Quem sabe um dia eu consigo comprá-los de novo... 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Um ano se passou, e a dor não diminuiu, nem a saudade cedeu.
Eu continuo com a mesma dor de antes.
O que diminuiu foram as frequências do choro, eu começo e logo paro, porque sei que essa saudade atroz não faz bem à ela.

É uma dor fina, constante.

A mesma de 1 ano atrás.
A mesma que eu senti quando percebi que ela estava sofrendo aqui comigo, e disse: vai. pode ir, eu vou ficar bem.

Não tenho muito o que falar. Não gosto de "aniversários de morte".

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Quando eu estava grávida, ficávamos, eu e minha mãe, buscando em páginas de nomes de bebês, possíveis escolhas para a criança que nasceria.

Na maioria das vezes ríamos tanto das opções que chegávamos a chorar.
Eram tantos nomes estranhos, exóticos e diferentes que só podíamos levar aquilo na brincadeira.
Antes de sabermos o sexo da criança, era comum eu ir lendo os nomes e ela, sentada no sofá, ouvindo e dando palpites e rindo comigo. Íamos dormir de madrugada, rindo ainda.

No fundo, no fundo mesmo, acho que tive sorte da Carol ser menina, porque, no final, não foi difícil escolher seu nome.
Eu gostava de Ana (e suas variações, como essa de 2 N's), Fabio gostava de Carolina, pronto.
Minha mãe queria Ana Amélia, em homenagem à minha avó materna. Eu pensava na possibilidade de batizá-la de Mafalda, em homenagem á minha avó paterna, mas ambos os nomes eram bem antigos. Não se vê nenhuma criança hoje, chamada Mafalda, ou Amélia. Pensei também em Rosa Maria, nome de uma falecida tia minha que eu não cheguei a conhecer, mas Anna acabou ganhando.

A outra opção era Éowyn, mas ia ser muita sacanagem com a criança, pela pronuncia e pela escrita, então ficou Anna Carolina mesmo. Claro que vimos muitos outros, mas nenhum tão marcante que tenha ficado gravado à ponto de ser lembrado. Eram apenas brincadeira.

Mas se fosse menino, ele estaria sendo chamado de "psiu" até hoje, porque eu nunca cheguei à conclusão de como um filho meu chamaria.

As opções eram tantas e tão variadas que chegava a ser insano.

A mais provável era Felipe, por causa do significado, mas tem tantos Felipes que na mesma faixa etária que eu ia acabar desistindo. Tenho muitas conhecidas cujos filhos se chamam Felipe. Poderia chama-lo de Philip, mas ia dar na mesma.

Bruce era a segunda alternativa, e ao contrário do que os amigos pensam, por causa de Robert The Bruce, não Bruce Wayne. Descartei Wallace logo, por ser mais sobrenome do que nome em si, afinal o nome que eu queria era William Wallace, e eu não gosto muito de William.
Luke seria outra provável escolha e sim, por causa do Skywalker. Anakin, não.

Randall é incomum demais, mas era uma das opções, vinda do filme 60 segundos.

Nathan eu adoro e com certeza batizaria meu filho fácil, até ouvir uma mulher gritando, ao passar na frente de sua casa: "Natãn fecha o portão". A pronuncia não é essa (e sim NAY-thən) mas era disso que ele seria chamado aqui no Brasil, e isso encerrou definitivamente essa escolha.

Yuri é russo, mas apesar disso tem um japonês por aqui com esse nome e ninguém entendeu "porque eu queria batizar meu filho com um nome nipônico". Outras variantes russas seriam Grigory (mas como eu tive um cachorro com esse nome ia ficar estranho), Ilya (soa feminino), Nikolai, Vasili, todos exóticos demais.

Aí me falaram "coloca um nome bíblico", e não, eu não pensei em Lúcifer nem Belial, mas sim em Abraham, Ariel, Jethro, Nathaniel, Baltazar...

David iam acabar chamando o moleque de Dê, ou Daví. Jareth ninguém ia conseguir pronunciar nem entender a homenagem ao personagem do filme Labirinto.

Descartados muito cedo: Théoden, Thorin, Uther, Leônidas, Aquiles, Isildur, Anton, Christian ou Christopher (muitos H's), Maximillian, Maximus, Beowulf, Constantin, Alexius, Petros, Aramis, Fausto, Oberon, Percival, Thor e Orpheu.

Enfim, deu pra perceber que a dúvida era monstruosa, mas aí, veio menina...
Acho que Deus pensou "essa criança não pode ficar sem nome, se for menina, pelo menos já tá escolhido" ou algo do gênero...

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Carol está com escarlatina.
Pior que eu passei pra ela.
Tive amigdalite, ela pegou a bactéria e desenvolveu a escarlatina.
Tomou sua primeira benzetacil...

sábado, 27 de agosto de 2016

Moça Bonita - Angela Maria

Uma rosa cor de sangue
Cintila em sua mão
Um sorriso que nas sombras
Não diz nem sim, nem não

Põe na boca cigarrilha
E mais acende o olhar
Que conhece o bem e o mal
De quem quiser amar...

De vermelho e negro vestindo a noite o mistério trás
De colar de cor de brinco dourado a promessa faz
Se é preciso ir você pode ir peça o que quiser
Mas, cuidado amigo ela é bonita
Ela é mulher
Mas, cuidado amigo ela é bonita
Ela é mulher

E nos cantos da rua
Zombando, zombando, zombando está
Ela é Moça Bonita
Girando, girando, girando lá

E nos cantos da rua
Zombando, zombando, zombando está
Ela é Moça Bonita
Girando, girando, girando lá

Oi girando lároiê
Oi girando lároiê
Oi girando lároiê
Oi girando lá...

De vermelho e negro vestindo a noite o mistério trás
De colar de cor de brinco dourado a promessa faz
Se é preciso ir você pode ir peça o que quiser
Mas, cuidado amigo ela é bonita
Ela é mulher
Mas, cuidado amigo ela é bonita
Ela é mulher

E nos cantos da rua
Zombando, zombando, zombando está
Ela é Moça Bonita
Girando, girando, girando lá

E nos cantos da rua
Zombando, zombando, zombando está
Ela é Moça Bonita
Girando, girando, girando lá

Oi girando lároiê
Oi girando lároiê
Oi girando lároiê
Oi girando lá...

E nos cantos da rua
Zombando, zombando, zombando está
Ela é Moça Bonita
Girando, girando, girando lá

E nos cantos da rua
Zombando, zombando, zombando está
Ela é Moça Bonita
Girando, girando, girando lá

Oi girando lároiê
Oi girando lároiê
Oi girando lároiê
Oi girando lá...